Medo
Temor de falar e perder o emprego e os filhos e o olhar de reprovação
Medo de falar e não acertar com as palavras
De que queres tu falar se está tudo dito e ninguém te quer ouvir
Medo de ficar sozinho
Habituem-se colegas, habitua-te filho
Perdeste a fé e hoje vagueias como um penado
E procuras subsídios e provas o sabor dos ácidos
Medo do inferno, medo da morte, medo da rejeição, medo e ainda outra vez medo
Temor, tremor, suor, insónia, acordado no meio da noite encharcado em dúvidas que sabes nada te são.
Saudades do tempo em que era criança
Peter Pan, o rapazinho das eternas asas
A linha de sombra e o teu instante de deslumbramento, a tua vida adulta e o teu inferno privado
Saudades do tempo passado e das correntes de ternura
Medo, o retorno à falta de razão…
Nada pode ser menos verdadeiro que as tuas lágrimas
Até estas minhas linhas que aqui deixo para eu as ler
Na certeza de que de tão pouco servirão
Na absoluta sinceridade de uma ligeira consternação
Correntes e camisas num hospital psiquiátrico…
E tantos outros adensados, faces fechadas, sorrisos trémulos em cinzento de chuva
Frio, pobreza, um homem pedindo à entrada do metro
Gárgulas de insensatez, os berros da incompreensão
Falta de sentido, há quantos minutos não sonho
Cavalheiros!
Em mim habitam saudades
Dos meus antigos instantes de satisfação
Em mim habitam todos os poços
Como precipícios, como morte, como suicídio.
E uma vez mais o medo, que bate à porta de mansinho…
Nuno Monteiro
Temor de falar e perder o emprego e os filhos e o olhar de reprovação
Medo de falar e não acertar com as palavras
De que queres tu falar se está tudo dito e ninguém te quer ouvir
Medo de ficar sozinho
Habituem-se colegas, habitua-te filho
Perdeste a fé e hoje vagueias como um penado
E procuras subsídios e provas o sabor dos ácidos
Medo do inferno, medo da morte, medo da rejeição, medo e ainda outra vez medo
Temor, tremor, suor, insónia, acordado no meio da noite encharcado em dúvidas que sabes nada te são.
Saudades do tempo em que era criança
Peter Pan, o rapazinho das eternas asas
A linha de sombra e o teu instante de deslumbramento, a tua vida adulta e o teu inferno privado
Saudades do tempo passado e das correntes de ternura
Medo, o retorno à falta de razão…
Nada pode ser menos verdadeiro que as tuas lágrimas
Até estas minhas linhas que aqui deixo para eu as ler
Na certeza de que de tão pouco servirão
Na absoluta sinceridade de uma ligeira consternação
Correntes e camisas num hospital psiquiátrico…
E tantos outros adensados, faces fechadas, sorrisos trémulos em cinzento de chuva
Frio, pobreza, um homem pedindo à entrada do metro
Gárgulas de insensatez, os berros da incompreensão
Falta de sentido, há quantos minutos não sonho
Cavalheiros!
Em mim habitam saudades
Dos meus antigos instantes de satisfação
Em mim habitam todos os poços
Como precipícios, como morte, como suicídio.
E uma vez mais o medo, que bate à porta de mansinho…
Nuno Monteiro
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