segunda-feira, 30 de março de 2009

Não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade


Às Forças Armadas e ao povo de Portugal "Não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade" Jorge de Sena Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha. Quase, quase cinqüenta anos reinaram neste país, e conta de tantos danos, de tantos crimes e enganos, chegava até à raíz. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha. Tantos morreram sem ver o dia do despertar! Tantos sem poder saber com que letras escrever, com que palavras gritar! Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha. Essa paz de cemitério toda prisão ou censura. e o poder feito galdério, sem limite e sem cautério, todo embófia e sinecura. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha. Esses ricos sem vergonha, esses pobres sem futuro, essa emigração medonha, e a tristeza uma peçonha envenenando o ar puro. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha. Essas guerra de além-mar gastando as armas e a gente, esse morrer e matar sem sinal de se acabar por política demente. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha. Esse perder-se no mundo o nome de Portugal, essa amargura sem fundo, só miséria sem segundo, só desespero fatal. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha. Quase, quase cinquenta anos durou esta eternidade, numa sombra de gusanos e em negócios de ciganos, entre mentira e maldade. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha. Saem tanques para a rua, sai o povo logo atrás: estala enfim, altiva e nua, com força que não recua, a verdade mais veraz. Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha. Jorge de Sena

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“ A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo de escravos.”

António Lobo Antunes

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