domingo, 23 de novembro de 2008

discurso de apresentação da obra O Poço - visões de um caleidoscópio


Antes de tudo o mais devo agradecer a todos por estarem presentes e de uma forma muito especial à Marina Rocha a quem devo o prefácio e a apresentação deste livro. E também de forma enfática à Papiro Editora e ao Sérgio Machado, representante da editora e ainda à Andreia Varela, coordenadora editorial de O Poço, visões de um caleidoscópio porque acreditou e lançou este projecto desde o seu início. Agradeço também ao Dr. Pires Cabral por ter associado o Grémio à promoção desta obra. Finalmente, uma palavra de agradecimento pela cordialidade e simpatia com que me receberam nestas instalações da Biblioteca Municipal de Vila Real.

E agora o discurso e sobre ele devo começar por afirmar que me não atrevi a que ele viesse de improviso. Prefiro muito mais a calma e plenitude de uma carta escrita de véspera.

Aqui estou, confuso e aturdido, tão longe do meu canto da escrita, num local que me não pertence, num local que me nunca pertencerá. E se este momento é o meu momento de glória, eu não o quero, repudio-o até e todas as fibras do meu ser me impelem para fora desta mesa. Porque eu não pertenço a esta mesa. O meu lugar é entre vós. Tudo quanto fiz foi atirar para fora de mim uma amálgama de palavras que muito provavelmente vocês vão querer ler. E onde descobrirão barro mal amassado e cru até. E eu que sei lá se as palavras escolhidas foram as melhores. Eu que nunca poderei saber se o que lá está faz sentido. E tudo isto me aterroriza. No sentido cru e visceral do termo.
Foi num sopro de vida que eu cheguei aqui. Entre canseiras e introspecções que são as vidas de nós todos. E sinto-me carne para canhão. Sinto-vos a vos, holofotes que me ofuscam. Por isso reafirmo que este posto não é o meu. E contudo quero leitores. Ávido, com sede. Quero-vos a vós leitores, mesmo que comigo não concordem, mesmo que comigo não sintam que estejam no poço.
O que é o poço? Tudo quanto eu vivo, tudo quanto eu olho, tudo quanto eu toco. Como se as pessoas não tivessem nome. Como se os lugares nada valessem ou as coisas não tivessem tempo. E eu bem sei que este é um quadro negro demais. Mas eu não me canso de lutar. E portanto este meu livro é um grito. É um sopro hiper-realista como um sismo do qual me não consigo afastar. Que me trucida e me recentra no que para mim é essencial. E então voltamos às palavras e voltamos ao meu verdadeiro lugar. O lugar do escritor. O empilhador de frases ou o criador de alegorias. Instantâneos e retratos como retalhos roubados das vidas de outros e que traduzam serenidade, calmaria, reflexão, benquerença. Como um paliativo para a vida no poço. Porque se este livro agita os pauis que tantos vivem em turbilhão interior, é ao mesmo tempo sol e praia de um qualquer dia soalheiro. Então porque escrevo? Precisamente por isso, porque quando o faço dou comigo rodeado de sol e boaventura, dou comigo num outro mundo, sereno, silencioso, cordial, justo. Onde estão os justos que vão salvar o mundo? E para vós, porque escrevo? Para vos ter a meu lado. Como neste presente instante.

Mais uma vez obrigado a todos por partilharem este momento comigo. Obrigado por me apoiarem. E o meu livro de nada servirá se não semear leitores. Se os não arrebatar ou se os não encantar. Uma vez mais o que é o poço. O poço é da criação humana. É a servidão donde lutamos todos para sair. É o dia a dia do homem. Onde é que fica, neste quadro, o encantamento? Ao virar da esquina num sorriso que eu provoque. Num sorriso de alento – um bem-haja aos meus alunos, como os poderia eu esquecer? Que bom ver-vos e sentir-vos aí, comigo. Ao virar da esquina num piscar de olhos uma mão amiga. Num dia de céu plúmbeo, nevoeiro macilento, um homem só arrastando consigo toda a chuva.

Aqui fica, então, este meu livro. Que lhe não chamei romance, nem o pintei de rosa. É a vida real em todo o seu magnífico esplendor. É o homem. Somos nós. O poço em quantos capítulos, numa sucessão de iguais, uma escrita em círculos. Escrito num período difícil da minha vida, escrito arrancado a ferros, cheio de sono, numa cacofonia desgarrada. Se está bem escrito? Essa é a minha grande descrença e a minha grande luta. Será para sempre a minha grande dúvida. As palavras escolhidas. A composição arquitectónica. Mais que a composição, a ideia que dela surgirá! Terá vida? Será vida?

Deixo-vos com dois excertos de dois outros livros cuja leitura tanto me tocou:

Operário não pode sonhar, Quinzinho, não pode. A vida não é para sonhos. Tudo realidades vivas, cruéis. A luta com a vida.

A tua mãe já não chora, Quinzinho, não chora porque é forte. Já viu morrer outros filhos. Nenhum morreu como tu. Despedaçado pela máquina que te escravizava e que tu amavas.

José Luandino Vieira – d’a cidade e a infância

Levantei a cabeça. O horizonte tinha um banco de nuvens negras atravessado, e o calmo caminho das águas, que leva aos confins da terra, corria escuro sob um céu sombrio – dir-se-ia que a levar-nos ao coração das trevas.

Joseph Conrad – n’o coração das trevas

Uma vez mais, muito obrigado por partilharem este momento comigo. Muito obrigado por terem vindo.

Nuno Monteiro

sábado, 22 de novembro de 2008

Old Ireland - walt whitman


Far hence, amid an isle of wondrous beauty,
Crouching over a grave, an ancient sorrowful mo-
ther,
Once a queen—now lean and tattered, seated on the
ground,
Her old white hair drooping dishevel'd round her
head;
At her feet fallen an unused royal harp,
Long silent—she too long silent—mourning her
shrouded hope and heir;
Of all the earth her heart most full of sorrow, be-
cause most full of love.

Yet a word, ancient mother;
You need crouch there no longer on the cold ground;
Oh! you need not sit there, veil'd in your old white
hair, so dishevel'd,
For know you the one you mourn is not in that
grave,
It was an illusion—the heir, the son you love, was not
really dead;
The Lord is not dead—he is risen again, young and
strong, in another country;
Even while you, veiled, wept there by your fallen
harp, by the grave,
What you wept for was translated, pass'd from the
grave,
The winds favor'd and the sea sail'd it,
And now with rosy and new blood, again among the
nations of the earth,
Moves to-day, an armed man, in a new country.

Movimiento - Octavio Paz


Si tú eres la yegua de ámbar
yo soy el camino de sangre
Si tú eres la primer nevada
yo soy el que enciende el brasero del alba
Si tú eres la torre de la noche
yo soy el clavo ardiendo en tu frente
Si tú eres la marea matutina
yo soy el grito del primer pájaro
Si tú eres la cesta de naranjas
yo soy el cuchillo de sol
Si tú eres el altar de piedra
yo soy la mano sacrílega
Si tú eres la tierra acostada
yo soy la caña verde
Si tú eres el salto del viento
yo soy el fuego enterrado
Si tú eres la boca del agua
yo soy la boca del musgo
Si tú eres el bosque de las nubes
yo soy el hacha que las parte
Si tú eres la ciudad profanada
yo soy la lluvia de consagración
Si tú eres la montaña amarilla
yo soy los brazos rojos del liquen
Si tú eres el sol que se levanta
yo soy el camino de sangre

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

o céu azul borrascoso


De que me lembro quando me lembro do céu…
Não sei se de nuvens das minhas amigas, benditas desgraças
Sei lá se do vento das minhas atoardas, de mim, tão novo
Ou então do chumbo dos outros do Pablo e do salitre
Sei que são tantos por toda a vida, imensos em todos os povos
Se de nuvens de mim e da minha avó, nas escadas da minha avó, olhando-as, como generais, como guerreiras e enquanto guarnições

Quão belo tempo, quão novo ainda, que pérfida caravela de esquálida figura
Se do ocaso do fim do homem, do ciclo interminável da revolução
Se do sol nascente do miúdo e dos dois oficiais e aí tremo e eriçam-se-me os pêlos
E se de noite, se de noite as estrelas, as fugazes, as tremeluzentes como as da minha vida e da do pequenino Jumentinho pelos montes fora.

Quão bela Orão, quão belo livro, e se agora escurecesse?
Se agora escurecesse porque sempre tive eu medo da noite?
Se agora escurecesse porque fico eu sempre de sobreaviso
Se houvesse certezas, se houvesse um amanhã…

E nós, que será de nós, que faremos nós, quantos seremos por fim
E nós, a ti cigano encantado, a vós todos os palhaços do circo, bem sei que me não ouvis. Bem sei que me não podeis ouvir.

Porque não quereis, porque não olhais o céu?
Que mania de tanto perguntar,
Que mania de tão tarde acordar.
Ou que mania de me não deixar derrotar!

Enquanto guarnição roubo-o e emudecido
Torno o olhar vago para as nuvens das escadas da minha avó
E como peixinho de rabo na boca olhai para mim a correr até encontrar de novo a minha vida.

Nuno Monteiro

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Os pássaros do outro mar


Páginas em branco na lassa manhã de nevoeiro
Acordes de bizarras melodias
Lá longe os pássaros, lá longe suaves voando
Além do outro lado do mar as ilhas e as cores, a água pura e límpida

A minha água os meus sonhos os meus corais
E a minha música, um copo e um livro
As areias belíssimas como os acordes das bizarrias
Lá longe do outro lado do mar

Vai, some-te, infante santo
Consome-te
Afaga-te
Refastela-te
Ouve nas intermitências da minha vida

Ouve-me serei sempre eu
Abriga-me serei sempre eu
Os acordes serão sempre os meus

E as nuvens e as escadas todo eu deitado
Olhando o céu azul que se move tão rapidamente
Olhando o límpido céu e as cores do sol
Sentindo de fresco tropelias de menino

Serei sempre eu deste lado da barreira
Sairei sempre do mato ao lado dos enfraquecidos
Ouvirei sempre os ricos com cinismo nos lábios

Um homem só, na madrugada lenta e cinza
Um longo casaco e a luz fusca dos candeeiros
Acordes de pequenas musas
Nas páginas que não podem ficar em branco

Na minha água, eu, inteiro e gargalhando
Depois do sono saido do sofrimento
Abriga-me serei sempre eu

Corre, some-te fantasma negro
Alma espectro de tumba desbotada
Corre, apre, arre, boi, corno
Foge cão, some-te daninha.

Nuno Monteiro

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O renascer do medo


No reino renasceu o medo. Ou rejubila. Não estou certo que dele alguma vez se tenha ausentado. Repitamo-lo para que não haja desentendimentos, vivemos tempos de medo. Como se em cada esquina se postasse algum caminheiro que na realidade não está lá a caminhar. Não está a caminhar. Arregala muito os olhos e logo após vai contar pois dessa forma julga que assegura os míseros tostões as míseras migalhas com que come repastado o camarão que falta à minha mesa. Mas eu que me não importo. Nem com o camarão nem com o caminheiro. Que vivam imersos em nébula e que para mim sejam inconcebíveis. Ou ainda invisíveis. É, assim mesmo a todos os que ainda queiram ler. Porque esse é outro dos grandes problemas dos nossos tempos. Por medo, ou por descrença, quiçá as duas, também cessou a leitura. Já da escrita eu nem falo. Para quê se eu escrevo cada vez mais para mim mesmo. Ler-me-ão os meus alunos? Isso queria eu. Mas nessa já eu não caio. Uma quase descrença como uma mão que toca o desperdício ou um olhar que roça o infinito. Ou então falamos dialectos distantes que se não tocam. Ou que muito tenuemente como se fosse código de luz lá longe na penumbra do horizonte de um mar encapelado. E então entre nós todos o mar encapelado que impede a comunicação. O mau tempo do canal alargado a todos e cada um de nós. E todos e cada um abandonado ao seu canto. Um inferno em vida. Estamos cada vez mais próximos da realidade sombria dos menos afortunados. Se não há falta de dinheiro então faltam afectos, se sobram os afectos então fará falta o dinheiro. Ou então também encontro, debaixo da ponte e nas grandes urbes tantos sem dinheiro nem afectos. Os que passam fome. Todos os séculos após, ainda os que passam fome. E entretanto renasceu o medo. O medo de falar e de pugnar pelos direitos. Pudera. Numa sociedade onde a justiça emperrou, onde se graceja com o ano do término dos processos, num país onde os empregos se fecham a cada dia, num lugar onde a saúde vive gorda para os ricos. Num país onde os hotéis estão cheios de afamados de colarinho. Num país sem bandeira. Num país sem vergonha. Num país sem saudade. Neste lugar despido de homens. Onde renasceu o medo.
E que irei eu fazer doravante? Quando todos se calam e todos se tornam autistas. Quando se calam as canções e emudecem as vozes de protesto. Quando se instauram os comportamentos daninhos como se fossem a normalidade dos nossos dias. Viverei uma realidade de abnegação e de negação. Deixarei eu de sonhar? E a ter que sonhar, sonharei com quê? Sonharei com justiça onde? Sim, onde abunda essa tão preciosa? Para onde poderei olhar quando quiser olhar algo de verdade, alguma entidade verdadeira que me não queira enganar? Quem me quererá fazer companhia. Seremos ainda capazes? Ou morreremos todos autistas de olhos fitos no nosso próprio umbigo!
Alguns quererão sempre dizer que faz falta tempo. E a verdade é que falta. Se faz falta a alguns outros haverá que o tenham de borla. E que o tenham em doses duplas e triplas. E desses nunca rezará a história porque não sabem o que fazer com tanto tempo. E dos outros também não porque são formiguinhas que trabalham como escravos. Como escravos que o são cada vez mais. Eu, afirmo que o que mais falta é coragem. Coragem de união, coragem de fraternidade e de simplicidade. Coragem de homem. Vão fazendo falta as discussões fraternas e os entendimentos tão necessários. Porque os que nos querem enquanto escravos apostam tudo no nosso comportamento suicida e na nossa tendência para o malogro e a decepção. A decepção do meu irmão que me atraiçoou, a decepção do meu amigo que me denunciou. Porque essa decepção nos embebe em sono que nos fustiga devagar até que vergastados nos vamos transformando noutros novos milhões de espoliados e de defraudados. E o caminho que fecha e que se torna tão estreito e escorregadio.
Nuno Monteiro

Marão


Oh meu Marão que figura de proa
Sólido, plácido, de chuva e de vento
Áspero, teus caminhos de encanto e teus sussuros esperança
Na minha vida intruso, estranho, majestade

Que nada pedes, que nada muges
Sem sortilégios e sem pedidos
Sol e chuva na linha dum horizonte que eu quero bravio
Encanto à beira de água jorrando das eternas flores

E depois do adeus, depois da chuva, depois das neves
Queimadas, caminhos e desvarios, desmandos
Só a poeira nos teus caminhos de sorte dura
Só os encantos invisíveis, perenes santos penedos

Iradas as tuas rapinas que já lá não habitam
todas ravinas agora conspurcadas
Teus contrafortes abandonados
Longe de ti ouvem-se berros e sortilégios
Sem ti são inocentes, indecentes, tocos queimados

E sem figuras de proa eis o homem que se desvanece
Na espuma do tempo, na pequenez dos canos
Sem figuras de proa fica o desperdício das vidas vazias
Arrastadas, cruas, insanas

E todos órfãos, tantos desavindos
Na espuma do tempo, habitantes fantasmas figuras espectrais
Nas ravinas abandonados e eu clamo por ti
Daqui do longe, daqui da noite, daqui de mim

Oh meu Marão que figura de proa
Por todos os homens sem razão
Por todos os poetas já mortos
Por todas as cores ainda não perdidas

Dá-lhes razão, concede-lhes perdão
Poderá haver remédio, poderá haver retorno
Senão para que servirão as proas
Para que serão as bandeiras!!

Nuno Monteiro

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O poço - visões de um caleidoscópio


O autor deste blogue estará, no próximo dia 15 de Novembro, pelas 17 horas na biblioteca municipal Dr. Júlio Teixeira, em Vila Real, para uma sessão de promoção ao seu livro - O poço - visões de um caleidoscópio.

Terei todo o gosto em que todos quantos visitam esta página estejam presentes. A apresentação do livro estará a cargo da Drª Marina Rocha.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Miradouro - Rui Knopfli


De "O monhé das cobras", edição da Caminho

Entre a rampa e o caracol da barreira,
o picadeiro ideal para o exibicionismo
laurentino, ao fim da tarde, passeio raso,
sobranceiro à baía e à Catembe.
Enquanto a malta ia e vinha, até ser Marrocos.

Pavoneavam-se as meninas e nós,
idem, flexionando peito e músculo,
miradas discretas em redor. Rotina
diária, sempre cumprida sem atropelos.
Mesmo com a ruidosa chegada do Cagalhim,

a cavalo na sua desconjuntada carrinha Ford,
a tossir e a resfolegar, cansada das correrias
da véspera. Presumido herói, o Cagalhim
era só o bobo daquela festa. Caçador furtivo
e nocturno, sua maior aventura -
rezava a lenda - fora a de ter enfrentado,
sob o holofote, um cocone que, falhado o tiro,
o terá colhido, arrancando-lhe da cara os óculos.
De borco, espezinhado, dizem que o Cagalhim,
faca em punho, o teria capado. Pior ainda,

que vexado, o boi-cavalo, envergando os óculos
do caçarreta, até hoje percorre os matos
em busca dos testículos perdidos. Entretanto,
no Miradouro, para gáudio do pessoal,
o Cagalhim exibe, com alarido, os que não tem.

domingo, 2 de novembro de 2008

Nós, as aves - Nuno Monteiro


Se três ou quatro aves vogavam aflitas
Por sobre as pedras daquela ladeira
Uma a mais bela encheu-se do sol e dali abalou
Outra doida insana ali se sepultou, bicando-as eternamente
A terceira, ave irada, queria voar, suava em bico

Se três ou quatro cobertos de fuligem
Eram rapazes, eram adultos, foram velhos
Teriam sido? Mortos de silicose
Um pelo menos escapou, dos outros nada sei

Outras três ou quatro serras, penedias, algarvias, caldeirão
Estagnadas à beira mar, como algas, enquanto baleias
E dos risos estridentes de todas as minhas perenes dementes
Uma delas é a minha, numa delas durmo eu

E por fim retornemos ao juízo;
Corta a mão entrega-a queimada
Que não ficou esquecida
É a tua cara meu irmão, é a tua sina minha mulher
São os teus olhos e é o teu rancor
É a vossa vida borda fora.

Aves gordas vacas
Se umas voam outras espumam inveja
Outras mostram os seios alvos como serras
Terceiras iradas não deixam nada
Queimam as serras imolam-se vivas

Nuno Monteiro
“ A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo de escravos.”

António Lobo Antunes

Prémio Histórico - Filosóficas