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domingo, 12 de outubro de 2008

Das aventuras de Ngunga



Que vais fazer? – perguntou Uassamba.
- Vou para uma escola.
Calaram-se. As palavras não tinham significado, Ngunga sempre desconfiara das palavras. Sobretudo em certos momentos.



Uassamba pensou, pensou, apertando-lhe a mão. Encostou a boca ao ouvido dele e pronunciou uma palavra. Mas fê-lo tão baixinho que o barulho da chinjanguila a cobriu e só Ngunga pôde perceber. Nem as árvores, nem as borboletas nocturnas, nem os pássaros adormecidos, nem mesmo o vento fraquinho, puderam ouvir para depois nos dizer.
Ngunga só se despediu de Mavinga. Explicou-lhe porque queria ir secretamente. Pediu-lhe para não contar a ninguém onde ia a e não voltar a falar de Ngunga, que tinha morrido nessa noite inesquecível. E não revelou o seu novo nome ao comandante.
Partiu sozinho para a escola.
Um homem novo tinha nascido dentro do pequeno Ngunga.


As aventuras de Ngunga – Pepetela

Vinte e oito pequeninos capítulos da Biblioteca de bolso da Dom Quixote, 166 páginas onde tão facilmente é contada a história do pequeno Ngunga, um menino soldado em plena Guerra Colonial que percebeu o quão importante é a escola e que por isso desapareceu com uma despedida breve ao comandante Mavinga.
Quantos alunos nossos deviam ler este livro, quantos alunos adultos grandes deste país deveriam ler mais. Quantos homens novos assim se não formariam.
Uma magnífica lição de cidadania. Aqui fica o repto…

Nuno Monteiro

domingo, 5 de outubro de 2008

O Barão - Branquinho da Fonseca



O Barão ergueu-se, fitou-me e disse, de repente triste:
- Vamos beber por uma mulher.
Levantei-me também. Foi ao tal armário e trouxe uma garrafa de champanhe. Berrou:
-Taças!

E ergueu a taça que transbordava.

A que mulher?
- À única!

Mais tarde tive notícias dele. Mandava-me dizer que lá me esperava.
Sim, Barão!... Hei-de voltar, um dia. E havemos de tornar a perder-nos pelos caminhos sombrios do nosso sonho e da nossa loucura; e mais uma vez havemos de cantar às estrelas, e dar a vida para ires depor outro botão de rosa lá na alta janela da tua Bela - Adormecida!...

O Barão, Branquinho da Fonseca

Da serra do Barroso, com um sentido telúrico possante, um conto maravilhoso, para que ninguém fique recostado sem o conhecer.
“ A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo de escravos.”

António Lobo Antunes

Prémio Histórico - Filosóficas