domingo, 2 de novembro de 2008

Cantiga de Amigo - Glória de Sant'Anna


CANTIGA DE AMIGO
ao Sebastião Alba

bateu ao portão um dia
bateu ao portão abri-lho

vinha da estrela do norte
bebendo copos de vinho

dançou batuque na sala
(vestia como um mendigo)

disse versos disse prosas
do mais longe tempo antigo

chorou de mágoas passadas
cantou versos repartidos

dançou batuque na sala
vestido como um mendigo
e chorando sobre sonhos
e ao mesmo tempo sorrindo

disse adeus
adeus
adeuse
caiu adormecido

Glória de Sant'Anna

sábado, 1 de novembro de 2008

Tantos estarão errados? - Nuno Monteiro

Poderão tantos estar errados? Arcará a classe com todos os desmandos que o país se lembrar de lhes pedir? Nunca em tão pouco tempo se fez tanto para atirar tantos ao poço! E não pode ser de ânimo leve que se mexe com o coração e a alma de uma sociedade. Tão pouco com leviandade. Ou com o sentido de desgraça iminente. Nunca em tão pouco tempo se precipitaram tantos para a reforma. Como hei-de eu chamar a um país que não dá oportunidade aos jovens e ao mesmo tempo prescinde dos seus mais experimentados? Ou que abandona os seus velhos? Como hei-de eu tratar dum país que coloca por atacado consoante as cores partidárias e de acordo com o grau de parentesco ou meramente consoante a cunha do pedido e da bajulação?
Que hei-de eu dizer de um país que desbarata os seus valores sagrados ao afastar quadros e quadros das escolas para se contabilizarem uns dinheiros a mais e que joga enfaticamente o dinheiro dos contribuintes na roleta em que as bolsas mundiais se tornaram? Que remédio haverá para uma pátria onde se não sancionam os malabaristas ou onde se não fomenta a educação? Despida de justiça e em vias de desbaratar todo um sistema de ensino. Ou onde se tratam as pessoas como meros números contabilísticos.
Algo correrá bastante mal para que tantos tenham cara feia, tantos se sintam insatisfeitos, tantos peçam reformas adiantadas perdendo dinheiro porque não aguentam a subversão de valores. E algo correrá ainda pior se se não reinventar este ciclo que nos vai afundando cada vez mais num poço sem fundo, como numa espiral de loucura onde a cada dia se perde mais a razão.
Alguém fará o favor de me dizer por que razão eu pressinto olhares profundos e olheiras cavas nas faces ainda ontem esbeltas de quase todos os meus compatriotas! E que dizer dos nossos alunos. Até eles, pobres coitados se sentem embalados por uma mão quase invisível que terá tanto de dócil como de maléfico. Até eles sabem conscientes para que espécie de logro os estão a empurrar. Saberão os pais? Sim porque os pais, n o seu autismo – ou deverei dizer luta diária, os pais que deixaram de contactar com os filhos e que os olham cada vez mais preocupados, até eles se sentem perdidos neste paúl em que nos sabemos mergulhados.
Há, indiscutivelmente, sinais sociais preocupantes que nos estão a passar despercebidos. A autoridade nas ruas está perdida, a autoridade nas escolas também e há bastante tempo, o sentido de participação democrático sofre de uma letargia perniciosa, o nosso sistema nacional de saúde não funciona de igual forma para todos, os nossos políticos reúnem cada vez mais sozinhos e entre eles. Prenúncio de desgraça. E não há-de tardar muito. A república em perda.
Um investimento em larga escala na figura humana do professor, um retorno aos valores da reflexão e do humanitarismo, a vida do homem pelo homem, políticas voltadas e centradas no cidadão comum, na sua formação humana, políticas que protejam a família, esse farrapo que tanto se tem descuidado. Como pretenderão eles construir ou melhorar a sociedade tendo-se dado passos irresponsáveis que levaram ao enfraquecimento do núcleo duro familiar? Ou será que agora se julga que um homem saudável se cria dum plano burocrático de dois pais sem tempo nem paciência.
Quanto a mim, e assim acabo esta narrativa que já vai longa, se o homem se não conseguir reinventar recentrando-se enquanto pai e educador, creio que todo o castelo frágil e ténue que almejámos já ter conseguido alcançar ruirá num movimento massivo de perda de consciência social.

Nuno Monteiro

O homem político - As farpas



O homem político – simples influente eleitoral, mero candidato a deputado, lisonjeia, mente, difama, atraiçoa. Na política portuguesa raros dão um passo que o não conquistem por algum destes vícios. Toda a gente o sabe. As eleições fazem-se ou pela compra da consciência a dinheiro, ou pela promessa, pela lisonja, pelo dolo, pela mentira. Não há integridade nem limpeza de carácter que resista à influência degradante e sordidíssima de uma campanha eleitoral. Em presença do eleitor, nas conversações, nos comícios e na imprensa, para desvanecer atritos, para abater dificuldades, para minar resistências, o candidato, de concessão em concessão, de recuamento em recuamento, de curva em curva em curva, de cortesia em cortesia, desdiz todas as suas opiniões, desmente todos os seus propósitos, falseia todas as suas convicções, renega todas as suas crenças.


In As Farpas, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão

Qualquer dos meus concidadãos consegue, facilmente, aperceber-se das semelhanças, 130 anos depois da publicação destas que são verdadeiras farpas. A sociedade é imensamente a mesma – retirada alguma inflação ou ruído de fundo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

África minha - Nuno Monteiro


Berço, seios de minha mãe como cajus
Chegará o dia em que de novo te abraçarei
Em que de novo me embrenharei por ti e por mim
Choro, então procuro teus espaços amplos em tuas veredas de frescura;

E do guerrilheiro que foste verei nascer um belo menino
Que chegará dançando por cima das nuvens
Por detrás das estrelas e dar-me-á de comer
Meu berço, minhas saudades, todos os cheiros;

Calmo, sou eu, aqui em baixo, escutando esse choro
Feliz, gasto o meu tempo em doces
Alimento-o, serei o pai que o órfão precisa
Serei o professor, serei união;

E se fraco aqui, ao frio e à chuva, fortes são os meus guerrilheiros
Chegará o tempo em que se varrerão as nuvens e minha alma vogará
Até à minha machamba donde retirarei batata-doce, perdido no tempo,
Donde alimentarei toda a prole, toda a ideia, toda a vida;

E como os panfletos não sucumbirei ante a podridão
Nem a alienação dos que enquanto no berço foram invejosos
Cresceram de enfado, suados de enjoo
Como os panfletos, fortalecerei minha escrita e nada mais me interessará
Senão tua saúde, minha África imensa.

Nuno Monteiro

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Felizmente há luar - Luís de Sttau Monteiro



Ensina-se-lhes que sejam valentes, para um dia virem a ser julgados por covardes!
Ensina-se-lhes que sejam justos, para viverem num mundo em que reina a injustiça!
Ensina-se-lhes que sejam leais, para que a lealdade, um dia os leve à forca!

(levanta-se)

Não seria mais humano, mais honesto, ensiná-los, de pequeninos, a viverem em paz com a hipocrisia do mundo?

(Pausa)

Quem é mais feliz: o que luta por uma vida digna e acaba na forca, ou o que vive em paz com a sua inconsciência e acaba respeitado por todos?



Todos somos Cristo, Reverência, e todos começamos pela esperança de que se realize o que há de Cristo em cada um de nós.
A uns mata-lhes a vida a esperança, a outros matam-na os que em seu nome falam, tendo-a já perdido…
Mas há quem escape, Reverência, quem chegue ao fim da vida com o seu Cristo tão intacto como no dia em que nasceu.
Esses morrem na forca ou apodrecem nas prisões, não vá a sua presença incomodar a burocracia de Deus!

Luís de Sttau Monteiro, Felizmente há luar

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Cada homem, deus de si mesmo


Fazemos das nossas vidas uma realidade aviltante. E nas costas retortas dos outros que deambulam diante de mim eu vejo o peso de toda a humilhação que nos sacrifica. Nos olhos dos meus alunos eu vejo o vazio criado e instalado, eu vejo um grito e um pedido. E o grito grita por socorro. Porque faltam âncoras, faltam melodias, falta literatura, falta poesia. Falta poesia na vida de todos eles. Na minha talvez também, da dos alunos e dos adultos. Dos adultos e dos corcundas acabrunhados que se arrastam e se atiram ao rio. Como se grassasse um vírus que nos mostra com crueza extraordinária e um vislumbre de crueldade de que matéria imperfeita somos feitos. Nascemos para sofrer quando esta vida deveria ser integralmente devotada à consagração. E hoje como ontem, como desde sempre vivemos vidas de uma realidade aviltante.
Se assim não fosse teriam os poetas que escrever para eles próprios? Onde param as fogueiras da consagração dos feitos e dos heróis? Por que morrem os heróis? Por quem morreram eles? Vão faltando flores nos campos, extinguiram-se os grandes espaços, calaram-se as grandes batalhas. Emudeceram os pensadores, acobardaram-se os partidos porque se instrumentalizaram as pessoas. Como conseguirá um viver as vidas dos outros todos. Eu sou diferente de ti. Onde repousa o meu cantinho? Quando terei finalmente tempo para ouvir a minha música?

Por isso grito que há um sentido de avilte em tudo o que somos. Avilte nas conversas iguais como labirínticos murmúrios murmurados, avilte e ultraje nos muros que erguemos perante a diferença, avilte nas expressões de desabafo e nos gestos de descrença, vergonha no olhar do outro, indefesos perante a ameaça, enrolados por uma massa gigantesca que nos comprime e formata, e toda a inveja e toda a cobardia que nos assiste. Tão iguais como descendentes de um mesmo credo. O credo da redução, o credo da vã glória, o credo da vileza, da devassa, da delação. E daí a insatisfação. Daí a nossa falta de coragem. A nossa rarefacção. Daí as vidinhas comedidas e ei-los feitos exércitos certinhos dispostos seguindo a maioria, os votos da maioria, a falta de ideais como matiz colorida, a falta de sonho que não é bola colorida, a insurreição perante as letras, perante o poeta, perante o inútil.

A falta de âncoras é gritante. A falta de tempo que as cria preocupante. A falta de interesse é o mal maior. A mesma falta de interesse que não lê livros, que não liga, que de insensibilidade em insensatez, se afunda no rio ou no poço ou na faca com que corta os punhos. O muro de silêncio que vamos construindo e que nos impede a comunicação. A falta de sentido de verdade, a falta de verdades absolutas, a falta de cultura. A falta de treino e o entorpecimento. As vontades materiais, o aqui e o agora, o tom imperativo e a queda à mínima contrariedade. Sem a perfeita noção do quão pequenino sou. O egocentrismo no centro do nosso espaço. Especialistas ignorantes ou absolutos desempregados. De uma forma ou de outra incompletos. Um exército disciplinado de incapacitados funcionais.

E agora a ti, a ti que foste feito como eu, a ti que te acomodas, a ti que dentro das comodidades do arranha-céus, a ti dependente e que escarras a face dos drogados, quando perceberás que eles são a outra face da tua mesma moeda?

Nuno Monteiro

Lord Byron - My soul is dark (estrofe um)

Apelidá-lo de Romântico puro seria quase demagógico por se rotular um homem cuja vivência e consciência político-sociais foram demasiado exacerbadas para o seu tempo. Ainda assim, ‘exacerbada’ não é o adjectivo ideal (dir-se-ia talvez de um Alencar queirosiano, ou, mutatis mutandi, de um João da Ega ‘trovejador’), mas será talvez o adjectivo mais fiel, pelo menos, à sua escrita.
Lord Byron, ele mesmo.
Não me apraz fazer uma análise extensiva deste seu poema, assaz merecedor de tal, mas não nego que me assolou, en passant, a vontade de dele fazer uma (talvez pretensa) anatomia, pelo menos, de acordo com o que o perpassa na oblíqua.

Tentativa de definição de ‘poesia’, é o facto de o sujeito poético o encetar na primeira pessoa (‘I’ – ‘eu’) que instaura, a priori, um pendor centralizado num ‘ego’ (freudiano, avant la lettre,) que extravasa na sua tentativa de definição de poesia. Curiosamente, e daí advém o egotismo tipicamente romântico (e inglês!), é a posposição de um verbo semi-modal e um advérbio de tempo (com uma modalidade epistémica de certeza), ‘can never’, que remete para a posse da verdade (sobre a poesia) da parte deste sujeito poético (ou até mesmo do próprio Byron), posse essa que não parece ser recebida e compreendida pelos restantes comuns mortais.
Ainda assim, insurge-se contra essa barreira de comunicação com os seus interlocutores incautos e ingénuos e tenta uma vez mais.
Podemos resumir essa tentativa a uma figura clássica da retórica, sempre inflamadora de marasmos e de uma paz superficial – a gradação.
Ora, eis a tricotomia que enforma essa gradação: ‘Passion’, ‘earthquake’, ‘fever’. É curioso notar que, do ponto de vista filosófico, nenhuma regra parece preterida, pois não se inclui o definido na definição. Antes se serve de uma estratégia, grosso modo, paradoxal: dar não uma, mas três definições e todas elas através de nomes abstractos / abstracções, o que não particulariza, antes generaliza e faz irromper um grau ainda menos coloquial de ‘dicionarização’ do conceito pioneiro, a poesia.
A verdade é que a sua estratégia é sintomática de algum elitismo e, ainda que a opacidade a consiga vedar a olhos leigos, é indubitável que acrescenta uma cosmovisão que se adequa a essa vivência tão intensa e desarrazoada dos sentimentos, por parte dos escritores Pré-Românticos e Românticos, à maneira de um Werther ou de um movimento ‘Sturm und Drang’ alemão.
Assim, à criação literária poética Lord Byron faz subjazer um sentir desenfreado, um constante terramoto de emoções e uma febre, tao bem conhecida como doença de amor. Na verdade, já a Lírica Trovadoresca tratava da ‘morte de amor’ por exposição a uma ausência constante do amado, e não é por acaso que o Romantismo bebe muitos dos seus pressupostos em Literatura em crenças medievais. Por isso, para percebermos a verdadeira acepção do ‘sentir poesia’, teremos de ser impreterivelmente leitores avisados e experientes. Só esses perceberão, por exemplo, o alcance da expressão ‘continuous earthquake’, oxímoro parafraseável do seguinte modo: Se um terramoto é um movimento circunscrito e limitado temporalmente, antepondo-lhe o adjectivo ‘contínuo’ estamos a conferir-lhe um carácter ainda mais doloroso e violento. É isso, estimados leitores, que melhor define o sentimento da poesia dentro de cada um de nós, aqueles que têm vontade de a extravasar – um estado permanente que, por ser contínuo,
a) nos faz querer, à medida de um Álvaro de Campos, ‘sentir tudo de todas as maneiras’;
b) nos faz sofrer a dor de um parto literário tão difícil e custoso, só recompensado quando vitorioso, finalmente metamorfoseado em palavras e textos.
Em suma, não será esta tentativa de definição de poesia uma tentativa mais abrangente e velada de definição da própria escrita? Fica, por agora, a interrogação, que a Retórica se encarregará de fazer agitar nas mentes de todos os que ‘ever shave themselves in such a state’...
Marina Rocha

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Le petit prince - Antoine de Saint-Exupéry


La seconde planète était habitée par um vaniteux: - Ah! Ah! Voilà la visite d’un admirateur! S’écria de loin le vaniteux dès qu’il aperçut le petit prince.
Car, pour les vaniteux, les autres hommes sont des admirateurs.
- Bonjour, dit le petit prince. Vous avez un drôle de chapeau.
- C`est pour saluer, lui répondit le vaniteux. C`est pour saluer quand on m`acclame. Malheureusement il ne passe jamais personne par ici.
- Ah oui? Dit le petit prince qui ne comprit pas.
- Frappe tes mains l`une contre l´autre, conseilla donc le vaniteux.
Le petit prince frappa ses mains l`une contre l`autre. Le vaniteux salua modestement en soulevant son chapeau.
- Ça c`est plus amusant que la visite au roi, se dit en lui-même le petit prince. Et il recommença de frapper ses mains l`une contre l`autre. Le vaniteuxrecommença de saluer en soulevant son chapeau.
Après cinq minutes d`exercice le petit prince se fatigua de la monotonie du jeu:
- Et pour que le chapeau tombe, demande-t-il, que faut-il faire?
Mais le vaniteux ne l`entendit pas. Les vaniteux n`entendent jamais que les louanges.
- Est-ce que tu m`admires vraiment beaucoup? demanda-t-il au petit prince.
- Qu`est-ce que signifie admirer?
- Admirer signifie reconnaître que je suis l`homme le plus beau, le mieux habillé, le plus riche et le plus intelligent de la planète.
- Mais tu es seul sur ta planète!
- Fais-moi ce plaisir. Admire-moi quand même!
- Je t`admire, dit le petit prince, en haussant un peu les épaules, mais en quoi cela peut-il bien t`intéresser?
Et le petit prince s`en fut.
“Les grandes personnes sont décidément bien bizarres”, se dit-il simplement en lui-même durant son voyage.

Antoine de Saint-Exupéry – Le Petit Prince

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Trova do vento que passa - Manuel Alegre


Pergunto ao vento que passa notícias do meu país e o vento cala a desgraça o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam tanto sonho à flor das águas e os rios não me sossegam levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas ai rios do meu país minha pátria à flor das águas para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas pede notícias e diz ao trevo de quatro folhas que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa por que vai de olhos no chão. Silêncio -- é tudo o que tem quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos direitos e ao céu voltados. E a quem gosta de ter amos vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada ninguém diz nada de novo. Vi minha pátria pregada nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem dos rios que vão pró mar como quem ama a viagem mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir (minha pátria à flor das águas) vi minha pátria florir (verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada e fale pátria em teu nome. Eu vi-te crucificada nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada só o silêncio persiste. Vi minha pátria parada à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo se notícias vou pedindo nas mãos vazias do povo vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro dos homens do meu país. Peço notícias ao vento e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia dentro da própria desgraça há sempre alguém que semeia canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste em tempo de servidão há sempre alguém que resiste há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

My soul is Dark - Lord Byron

I can never get people to understand that poetry is the expression of excited passion, and that there is no such thing as a life of passion any more than a continuous earthquake, or an eternal fever. Besides, who would ever shave themselves in such a state?

Lord Byron, in a letter to Thomas Moore, 5 July 1821

My Soul is Dark

My soul is dark - Oh! quickly string
The harp I yet can brook to hear;
And let thy gentle fingers fling
Its melting murmurs o'er mine ear.
If in this heart a hope be dear,
That sound shall charm it forth again:
If in these eyes there lurk a tear,
'Twill flow, and cease to burn my brain.

But bid the strain be wild and deep,
Nor let thy notes of joy be first:
I tell thee, minstrel, I must weep,
Or else this heavy heart will burst;
For it hath been by sorrow nursed,
And ached in sleepless silence, long;
And now 'tis doomed to know the worst,
And break at once - or yield to song.

http://englishhistory.net/byron/poetry.html
“ A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo de escravos.”

António Lobo Antunes

Prémio Histórico - Filosóficas