<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711</id><updated>2011-12-21T19:06:59.321Z</updated><category term='Sociologia'/><category term='artigos'/><category term='Discurso'/><category term='Memória'/><category term='Excertos de entrevistas'/><category term='Prosa? Poesia?'/><category term='Prosa poética'/><category term='Poesia - língua nativa'/><category term='Crónicas'/><category term='discursos'/><category term='grafismos'/><category term='Diário'/><category term='Vídeos'/><category term='Apresentação livro'/><category term='Livros'/><category term='Poesia'/><category term='Vídeo'/><category term='lyrics'/><category term='lyrics - native language'/><category term='conto'/><category term='Natureza'/><category term='em homenagem...'/><category term='Cultura'/><category term='lançamento promocional de obra'/><category term='Entrevistas'/><category term='Teatro'/><category term='Crónica'/><category term='Comentário'/><category term='Booktrailer'/><category term='em agradecimento'/><category term='video'/><category term='Poema em prosa'/><category term='Homenagem'/><category term='Prosa - Língua nativa'/><category term='Fotografia'/><category term='opinião'/><category term='prosa de autor'/><category term='Prosa - sociologia; filosofia'/><category term='texto em prosa'/><category term='ensaios'/><category term='Prosa'/><category term='apresentação de obra'/><category term='Pintura'/><category term='Desabafo'/><title type='text'>Cus de Judas</title><subtitle type='html'>Prosa em jeito de poesia; poesia em jeito de prosa...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>411</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-5687478249787339900</id><published>2011-04-22T10:30:00.000+01:00</published><updated>2011-04-22T10:31:10.410+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Monte Sinai</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não há dar sem receber e recebe-se pelo próprio facto de dar; são a noite e o dia juntos numa jornada: se assim não fosse não haveria dar nem receber verdadeiros, mas só mero simulacro. E justamente quando as nossas forças decaem e o fazer-se se torna menos possível – quer dizer, quando o para quê viver quase não tem resposta prática – resplandesce mais a transcedência do para quem viver: para aqueles para quem somos desejados, embora vencidos e caducos, porque, mesmo assim, somos seus indispensáveis colaboradores no seu fazer-se, no seu próprio viver para nós. Ter aqueles que nos querem, e ainda mais no nosso desfalecimento e ocaso, é o culminar de quem somos; é a segurança, até ao fim, de fazermo-nos, recebendo, tal como nos fizemos dando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Monte Sinai, José Luis Sampedro, Tradução de Carlos da Veiga Ferreira, Teorema, Gabinete de Curiosidades &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-5687478249787339900?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/5687478249787339900/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=5687478249787339900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5687478249787339900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5687478249787339900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2011/04/monte-sinai.html' title='Monte Sinai'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-921341256113325025</id><published>2011-03-09T20:22:00.000Z</published><updated>2011-03-09T20:23:37.539Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Pequena luz</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sou uma pequena luz numa terra tão obscura, sinto o branco na tua face, os meus lábios nos teus lábios, louvo olhos onde não existem sequer sombras, és dona duma estrada longa e larga, acaricias o gato e olha-lo de ternura como se tivesses acabado de sair da discoteca e não é que sim, do outro lado da rua fica a discoteca e eu, uma pequena luz do lado de cá do vidro fosco, fico de pé, indefinidamente, placidamente, sorrateiramente, olhando em frente, olhando-te. Porquê? Ainda perguntas… depois do mundo, após a noite e todo o vento, nesta terra tão obscura, amo os teus lábios e louvo-te os olhos quando me olham como se eu não fosse mais que um poeta. Por isso. E porque, por vezes, ao alçares o olhar, não me encontras a mim mas sim à noite que encarno. Nada mais existe nem dentro nem fora de ti e no entanto, tudo o que tu és. Tudo o que tu és… eu? Eu sou apenas uma luz escandinava! Uma pintura verde no céu estrelado. Todo eu sou fome e todo eu sou horrores…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-921341256113325025?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/921341256113325025/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=921341256113325025' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/921341256113325025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/921341256113325025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2011/03/pequena-luz.html' title='Pequena luz'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-6390696407170916014</id><published>2011-03-03T20:27:00.001Z</published><updated>2011-03-03T20:29:20.033Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Asas quebradas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Existem olhos pequenos e olhos grandes, olhos brancos e olhos escuros, existem olhos que veem e olhos que veem doutras formas. Existem olhos que olham outros olhos. Há olhos de cristal que são sorrisos e há olhos vazios que estão perdidos.&lt;br /&gt;Eu, ao pé do Guadiana, tendo atrás de mim a belíssima cidade caiada de branco, enquanto sentava , calhei de a ver olhando bem dentro dos olhos dela. Pois bem. O que será feito do antigo sol e da alegria que dantes eles continham? Para onde terá ido todo esse mar? Calhei de a ver olhando bem dentro dos olhos e eis quando me assustei já que em vez de olhos azuis celestes, eu vi um país de areia imensa e nem um abraço. Espaço, espaço infindo e um buraco do qual só se sai pelo fundo. Calhei de a ver e de lhe mirar os olhos mas ela não, passou sobre mim e não me olhou, creio até que terá afastado o olhar. Antes assim. Eu teria chorado.&lt;br /&gt;Alguns olhos vagueiam perdidos por esta nossa imensa noite, como se viajassem perpetuamemente num metro ou num autocarro ou num rio como este Guadiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-6390696407170916014?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/6390696407170916014/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=6390696407170916014' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6390696407170916014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6390696407170916014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2011/03/asas-quebradas.html' title='Asas quebradas'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-7307333790295959030</id><published>2011-03-02T19:55:00.003Z</published><updated>2011-03-03T20:32:23.233Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Peter</title><content type='html'>Sempre que lhe pergntavam, ele abria os lábios num sorriso puro e dizia! Peter e logo no instante seguinte, quando já se havia esquecido de quem era, chegava a vida montada num corcel cinza e esbofeteava-o. Ele fechava os olhos e cirrava os dedos por dentro dos ossos das mãos. Esse não seria o momento de ouvir cantiga alguma e contudo ouvia-a já que gostava de dizer teimoso… Subia a estrada, chutando pedras do caminho e apanhava chumaços de gramínias com os quais enfeitava a pele das mãos e quando via ao longe algum estranho ficava parado como olha aquele que não ignora. Pedia esmola e se o exaltavam ele escarrava e voltava a face. Todos os sonhos lhe fugiam. Havia apenas um. Chegado à aldeia procurava o bar e abria as portadas com os pés, entrando de rompante. Pagava rodadas e rodadas a todos e já bêbado, sacava de alguma guitarra que ali vivesse e no fim, agradecendo, dizia, como se falasse por intermédio de alguma criança, estranhos, eu sou Peter, da terra de pan. E acreditava mesmo naquilo e ouvia-os a rir e a vocejar mas era assim que ele se mantinha cativo. Peter, da terra de pan. Algures lá longe havia um hospício com uma cama vazia. Eu sempre pensei que não. Este mundo precisa mesmo que ele seja quem diz ser. Ao som da cantiga, na manhã seguinte, nem ele compreendesse, deitava os pés ao caminho e inflava os pulmões ao mar de vento. Peregrinava e quanto mais andasse mais as multidões lhe sumiriam vazias. Haveria, ao cabo do mundo, Rocamadour e essa morada, tão bem o sabia, trar-lhe-ia paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-7307333790295959030?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/7307333790295959030/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=7307333790295959030' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7307333790295959030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7307333790295959030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2011/03/peter.html' title='Peter'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-4147487924348733859</id><published>2011-02-27T13:54:00.001Z</published><updated>2011-02-27T13:56:33.874Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>O amador das rochas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há apenas um dia no ano com luminosidade grande para se fazer uma excepcional foto ao Marão. Hoje foi esse dia e eu não premi o gatilho. Não quis matar a tua sede de protagonismo. Fizeste-o tu, foste tu quem se banqueteou enquanto eu, eu apenas o olhei, ao majestoso, ainda com farripas de neve, mas já agora que estamos em maré, olha as angiospérmicas e vê como rebentam os pequenos ázimos, olha a primavera que aí vem. Serás capaz de fotografar a primeira andorinha? Dizem que não, mas eu sei que uma andorinha é toda a primavera. Engulo ar e ele sabe a quente sansaborão. As aldeias de xisto ainda aí estão. Eu tenho paredes caiadas de branco, prontinhas e a pedir que lhe plantemos uma colmeia de fotos a preto e branco. Tenho aqui comigo um cão pequeno que não pára de latir. É também aqui uma tipográfica. Este seria um óptimo momento para chorarmos um livro. Setenta páginas. Como morrem os caminhos, já que morrem os caminhos, acabei agora de ler “A peregrina”, fiquei com uma vontade imensa de abraçar a vida, sair por aí fora e matraquear as pedras, olhá-las de perto e bafejá-las. O dia de hoje não tem pinta de evaporação; consigo olhar tão longe. Vejo e sinto a serra da estrela aqui tão perto, ali tão longe. Como se estivesse ali uma calçada de gigante e me faltasse Rocamadour, onde estás Rocamadour?, porque demoras? Deixei que o dia morresse e eu não me movi que o capturasse. Assim, quem me levará a sério? É domingo e desabrocham as flores. Este é o vale de Josafat. O oeste leva o sol, amarelo, mágico. Eu cá fico, imenso em sede. Ainda não vi nem ouvi clique algum. Não há ninguém pelo caminho. Que mania esta minha pelos caminhos. Quem me dera uma calçada romana e uma actriz consensual, de pernas musculadas e grandes mãos calejadas. Assim, saltaria de monte em monte e na calada da noite, dormiria ao colo fraterno da santa madre agonia, a dos olhos pretos, a das insalubres delícias. Cai um pano de vento que me sacode montanha abaixo. A custo me sustenho. Ouço o ribombo do meu corpo que carcaça câmbrico abaixo, câmbrico abaixo, câmbrico abaixo, como que ascendendo a uma sede perfeita… Porra! Devias ter disparado o gatilho. Pintarias a parede de cinza…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-4147487924348733859?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/4147487924348733859/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=4147487924348733859' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4147487924348733859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4147487924348733859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2011/02/o-amador-das-rochas.html' title='O amador das rochas'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-5127696510885001196</id><published>2011-02-23T19:44:00.001Z</published><updated>2011-02-23T19:47:28.958Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>A peregrina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“(...) Também a vida é uma viagem absurda. Tudo é absurdo – disse o bobo. – Quanto à viagem, cada um terá as suas razões, penso eu, e suspeito que não vamos dizê-las. Quiçá nem as saibamos, mas existem. Às vezes já tenho pensado que, se estou aqui, é apenas para manter a esperança dessa menina, e porque, enquanto ela tiver esperança, eu também a terei. Senão, já não me bastaria estar louco: teria de acabar comigo com as minhas próprias mãos.&lt;br /&gt;À moça não lhe perguntaram nada. Tampouco teria respondido. Ou teria dito que a vida a tinha posto ali, naquele lugar, e que ali continuaria até que a vida a pusesse noutro. (...)"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basílio Losada, A peregrina, Teorema&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-5127696510885001196?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/5127696510885001196/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=5127696510885001196' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5127696510885001196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5127696510885001196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2011/02/peregrina.html' title='A peregrina'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-4303395046999235791</id><published>2011-02-19T05:27:00.000Z</published><updated>2011-02-19T05:29:07.208Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Certas noites com luar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era o tempo das noites tenras e eu estava muito na moda; havia ainda ruas inocentes e os edifícios, em lisboa, andavam a passo num vago lúgubre. Estivessemos próximos do sol e eu não escolhia, tergiversava mesmo sem querer e sugava dessas noites quentes e salitres. Era também próprio da idade e aos cafés, fumávamos todos da mesma mão. Já ninguém escreve assim. Tudo mudou tanto. Rasparam o salitre das ruas estreitas e foi a eito, meteram-lhes uma merda duma cor que acinzenta tudo, enterraram a fotografia antiga e drenaram o tejo. Acomodaram-no dentro de um espartilho que tudo cobre, que tudo esconde. Se o tecido tem cores e quanto essas cores não falam, se o espartilho tem textura e palpação, o tejo solto, a auréola do mamilo e a confluência com a anca deixaram de estar ao alcance da mão. As fachadas não têm marcas, não esmolam, ainda caem as folhas mas já não permitem esse Outono bravo e ventoso, já não temos pintores e muito menos homens mágicos. A cor com que pintaram o mundo e a luz branca com que o apertam são espartilhos que deformam o colo e o metem muito a direito como se me proibissem de fumar. Acontece que então eu ia pela rua com um inebrio quente e suave, uma existência que pendurava da balaustrada do céu e chegava ao bar, à minha casa e encontrava-os lá todos, a esses extraordinários belzebus e perguntava Quem já escreveu hoje e logo ali defronte de mim, enrolavam um cigarro e espiralavam fumo pelas páginas e matraqueavam as palavras pelo ar corrido desse tempo espesso. Leve, tão leve quanto o sentido da liberdade… e quanto mais tabaco corria, mais noite se abatia e lá de cima, da balaustrada, chegavam roncos de trovão; deveriam ser seis da manhã e eu ia a pé pela linha costeira e era rara a noite em que a não encontrava, à minha ninfa de berma de bar. E eu então dizia-lhe, vá, já cumpriste a tua noite, desatralaça lá o espartilho e logo de imediato, deitando abaixo as cores, botando lá a mão, semeava carne pelo meio da carne. Houve um tempo em que eu passeava pelas ruas muito magro, muito tísico, nada do mundo se assemelhava comigo e eu não queria nada com a pessoa inteira, cheirava-lhe o verniz das unhas ou olhava-lhe fixamente para os olhos sem nada pigarrear, baliam dentro de mim as saudades das Acácias em flor, havia dentro de mim um ronco irmão que me impedia de subir ao palco. Talvez tenha sido por isso que, numa noite em que não encontrando a carteira, tendo perdido a minha biblioteca e tendo encontrado o corpo da minha ninfa profanado eu, saltando da janela, ainda calhei de procurar em volta mas já não saltimbanco algum. Esse cúmulo terá sido a minha única experiência. Depois alguém me apagou. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-4303395046999235791?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/4303395046999235791/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=4303395046999235791' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4303395046999235791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4303395046999235791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2011/02/certas-noites-com-luar.html' title='Certas noites com luar'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-2096714330944233841</id><published>2011-01-25T18:29:00.000Z</published><updated>2011-01-25T18:30:31.844Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Mulher sentada ao piano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esguia e de pés grandes, calças coçadas cinza e um pequeno palco, olha com bravura para o guitarrista que a acompanha e pede mais e mais folk e eu penso, já não vivemos de modinhas, já não há quem faça da rua a sua guarida e depois miro-a mais e melhor e assombro-me, cabelo longo, liso, cortado muito rente aos olhos, em franja. Eu sento e fico assim, olhando, vendo-a tocando ao de leve no piano acompanhada da voz rouca, funda, amarga, e enquanto assim me fico, olhando-a, uma enorme cascata retumba por fora e por dentro de mim e nesse instante nada nem ninguém me deitariam fora daquele piano, daquele olhar intemporal. Voam, acima de mim as luzes de néon com que se instala o pub e chegam até mim as vozes e os barulhos da confusão, os copos a retinir e as mãos em bátega, o suor sem cheiro, as pernas bolotas, maciças… Há mulheres com um olhar impemporal, como se não envelhecessem jamais, acontece apenas às minhas borboletas e só após muito bar e imensa gargalhada. Adoro-a. Toda a figura, imensa mulher erguida do chão envolta em roupas negras, cinzas, fumando e bebendo, toda ela e ainda um chapéu de palha com que acompanha o refrão, “he was a friend of mine” ou em palco, apontando toda a gente e rindo… como se a vida lhe não pesasse, como se não houvesse amanhã ou como se toda ela bebesse do palco, da noite, da possessão, Deus sabe que ela é não apenas a imagem do pai mas também a estrada e a vida, tudo empilhado e condensado numa figura mítica de mulher grande, castanha, rotunda… e penso, finalmente, ao som da via-láctea, que ainda há modinhas e que ainda há quem lute por ideais, por um som lá do fundo, da luta, da selva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-2096714330944233841?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/2096714330944233841/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=2096714330944233841' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2096714330944233841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2096714330944233841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2011/01/mulher-sentada-ao-piano.html' title='Mulher sentada ao piano'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-5912036200286884548</id><published>2011-01-21T21:15:00.000Z</published><updated>2011-01-21T21:16:16.602Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Gentes do circo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ofuscar-me-iam sempre pois eu estava morto. A partir da minha maioridade, houve algo que se quebrou dentro de mim e daí em diante a minha convivência sã com todos os outros irregularizou-se… Vivia vidas roubadas dos outros e refugiava-me por dentro dos livros e por detrás da escrita. Mas veio o dia em que deixei de querer escrever. E veio o dia em que deixei de querer ler. Depois foi a revoada. Não havia quem me falasse. Judas. E depois eu pensei o que poderia fazer um homem que nada sabe fazer. Pois que os outros também me não aceitavam. Deixei, tão ao de leve, de aparecer. Foi um dia, foram dois dias, ao fim três dias, ao cabo duma semana e ao cabo de duas. Ninguém estranhou. Talvez ninguém estranhe a ausência de ninguém mas eu nascera e vivera sentindo que sim. Ter-me-ei enganado. Quando finalmente deixei de conversar, e quando finalmente me habituei a viver apenas comigo, horas e horas parado dentro de mim apenas para satisfazer as minhas mais básicas necessidades, quando finalmente me consegui manter a viver do mínimo, quando larguei o sono e a patetice da fama, quando finalmente me libertei dos enjoos da inveja e da maldade e quando, acima de tudo, senti que estava tão leve que podia voar, começou a chover. Foi por altura de Macondo, chovia a cântaros e toda aquela água encanou para dentro de mim. Quis sentar na sala de estar mas todo esse espaço estava já tomado. As minhas penas ensoparam tanto que eu me tornei também não qualid«ficado para o voo… Saí para a rua e tacteava à procura da companhia de circo. Viviam num autocarro e eram as pessoas mais caritativas que eu havia conhecido. Eram todos palhaços e faziam bem a todos pois faziam todos rir. Quis ser como eles. Mas até então falhei. Contudo não me disseram que me afastasse. Nem me disseram que eu nunca viria a ser como eles. Reuniram para decidir o que iriam fazer de mim. À saída disseram olha, tu, tu que nunca te manifestas, vais ser o nosso homem morto. Aceitas? Eu nada disse. Era a revoada. E todos eles eram o universo de macondo. Eu devo ter enlouquecido. Eu quem sou? isso não importa pois o que eu sei é que tens a face pejada de olheiras. Por vezes é bom ser-se atracção do circo. Eu ficava ali parado olhando o povo que passava e de vez em quando algum pequeno puxava a mão da mãe e dizia, olha mamã aquele homem está morto. E nem uma moedita me deixavam de modo que entre os do circo, pão pão queijo queijo e só me não deitaram fora nalgum barranco porque pretendiam comigo ganhar o céu. Ofuscar-me-iam sempre com fumo de vela porque nunca poderiam saber há quanto eu estava morto. Secretamente acalentavam a esperança de que eu fosse uma espécie de santo, as gentes do circo têm destas coisas, julgam ver santos onde os outros nem cinza. Pelo sim pelo não uma avé maria. Cá vai. Em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-5912036200286884548?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/5912036200286884548/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=5912036200286884548' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5912036200286884548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5912036200286884548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2011/01/gentes-do-circo.html' title='Gentes do circo'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-2957944325701052194</id><published>2011-01-19T19:43:00.003Z</published><updated>2011-01-19T19:48:33.014Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Mourad</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;... Este Mourad não é o teu Mourad. Mourad vendeu a alma às pedras, ao fogo, ao carvão, a este homem sentado diante de ti, com o seu hálito de carvoeiro, este homem que te diz:&lt;br /&gt;- Mourad é o nosso melhor trabalhador. Na próxima semana vamos enviá-lo para um curso de alfabetização. Vai aprender a ler e a escrever. Um dia terá uma posição. Escolhemo-lo para representar os mineiros, por ser um jovem inteligente, trabalhador e revolucionário...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Atiq Rahimi, Terra e Cinzas, Editorial Teorema&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-2957944325701052194?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/2957944325701052194/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=2957944325701052194' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2957944325701052194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2957944325701052194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2011/01/terra-e-cinzas-atiq-rahimi.html' title='Mourad'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-3274105535281457181</id><published>2011-01-10T20:18:00.001Z</published><updated>2011-01-16T19:41:01.368Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>Crying, Waiting, Hoping</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/vktyEV1yrCk?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/vktyEV1yrCk?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-3274105535281457181?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/3274105535281457181/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=3274105535281457181' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3274105535281457181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3274105535281457181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2011/01/crying-waiting-hoping.html' title='Crying, Waiting, Hoping'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-8341192831542929980</id><published>2011-01-08T12:07:00.001Z</published><updated>2011-01-16T19:40:37.272Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Os contos de fada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Caía a noite quando, à ilha, ela chegou. Eterna e exuberante, trouxe-a a lua. Inteira, bojuda e invejada, querida barriga que verte filhos e aleluias a esta terra. Eu comia dela. Era um sabor intenso e propenso. Havia um oceano de tornados entre as minhas ideias e as dela. Havia uma carga de silêncios mal fadados entre o branco do vestido dela e esta minha destemperança. Acima de tudo, julgo eu, havia uma espécie de amor. Um jovem e intenso amor.&lt;br /&gt;Chegou num enorme galeão, filha de príncipes e de reis, entada e sobrinha de capitães, cheia de passadeiras vermelhas e eu, pobre aldeão, vira-a e foram a tez branca e os olhos azuis quem para mim falaram. E era assim o poço que entre mim se estabelecera. E deixei de estar em lugar algum, deixei que querer comer, deixei de ouvir o paladar das carícias e de sentir o cheiro dos mimos de minha pobre mãe. Vegetava. Vogava só e exausto sobre um mar de insónias. Vivia e sofria como numa noite perpétua que julgava que ali não pertencia.&lt;br /&gt;Foi só quando minha mãe desatinada chamou o padre que eu dei acordo de mim e apenas porque o cónego, um homem generoso acima de tudo, sabedor de psicologias como poucos me disse ao ouvido, do teu estado, do teu estado eu sei apenas que são males de amores e esses males só se deixam combater olho no olho com ela. Fá-lo o quanto antes, se não queres passar o resto da tua vida olhando por cima do ombro e sabendo a fel e a inveja.&lt;br /&gt;Então fui por esses montes e corri, corri, corri imensas léguas. E devo ter encanecido porque estaria tão longe quando minha mãe me acordou estremunhado. Ai mal da minha vida. E pronto. Vigilante, fui de noite e bati TOCTOCTOCTOC atendeu-me um criado que me miraria de alto a baixo e que me apontou um corredor estreito de mais para mim. ao fundo estaria a lua lado a lado com a minha amada. Um pouco mais de azul e eu conseguiria encarrilar por aquele caminho. Pode ir meu senhor, ela está há muito à sua espera. E logo uma inconfidência a ilha é pequena de mais, leve-a daqui. Ainda as pancadas na porta reverberavam dentro de mim. Paulatinamente deixava de ser noite e uma luz tímida e íntima crescia por mim acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-8341192831542929980?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/8341192831542929980/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=8341192831542929980' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8341192831542929980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8341192831542929980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2011/01/os-contos-de-fada.html' title='Os contos de fada'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-1571973251786168286</id><published>2011-01-05T19:50:00.000Z</published><updated>2011-01-05T19:52:29.232Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='em homenagem...'/><title type='text'>Pintor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cabelo cinza, homem idoso novo, grande por dentro e por fora. Um acabrunhado coração, um sorriso bonacheiroso e um ardor no olhar. Olhos que olhavam para detrás, para donde estavam escondidas as verdades. Dedos borratados de restos de tintas. Dias houve em que o senti a sofrer quase chorando. Noutros dias mostrava-se expansivo, alegre e então, então fazia rir os outros. Pintava cores e arcos e mulheres e tambores e chão e temores do seu país de cores. Exagerava a forma e sorriria sempre que vendia um quadro. Era quando dizia a vida é feita de separação e eu estarrecia já que não o compreendia. Caminhava por aí destituído de inveja. Este homem separava-se dum quadro dele tal e qual eu abraçaria uma flor. Inv eja seria querê-los todos nas minhas paredes! E após uma ligeiríssima pausa dizer: É que não tenho assim tantas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Para o Malangatana, um da minha terra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-1571973251786168286?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/1571973251786168286/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=1571973251786168286' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1571973251786168286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1571973251786168286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2011/01/pintor.html' title='Pintor'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-7854733092564890070</id><published>2011-01-03T20:54:00.001Z</published><updated>2011-01-03T21:00:33.270Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>a paganização do vulcão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ao tempo era apenas eu e o vulcão! Era um chapéu rubro, as minhas mãos nuas e uma caixa negra, um pequenito obturador, pequenita, feita ali ao sopé, dos restos duma caixa de chá darjeeling. Ao tempo, ouvia-te ainda. Dizias, e eu não mais me esqueço, esquece o mundo, enviúva-te e eu ficava pensando no que dizias, procurava uma pedra de basalto, pousava a lata e enfiava-lhe um papel químico de revelação. E ficava à espera. Imagens difusas, um empedrado de minúsculos cristais e aquilo era tudo, um céu cinza e o topo. A crista ali tão perto. E eu pensava que com pés nus lhe poderia um dia chegar. E tu despias os teus cabelos e parecias uma gazela espadaúda e ferida que se engalanava por entre as pedras. Ao fim do dia recolhias à casinha de madeira e eu seguia-te. Cozíamos batatas de montanha, pequeninas e retortas, tu sorrias e deixavas que eu te penteasse. A cabeleira negra ondeava livre… Mascávamos tabaco para combater o mal das alturas. Adormecias para lá das duas e eu admirando o silêncio dos teus seios redondos.&lt;br /&gt;Ao tempo era apenas o vulcão! Na manhã frenética eu via quando o sol surgia e o cume ali tão perto, imponente sem que dessemos por inverno ou outono. A cabana estava acima do mais comum dos mortais. Lembro que coleccionei mais de duzentas fotografias, todas do mesmo cume, todas às mesmas pedras. Isto durou muito tempo, imenso tempo, e tu vivias lá comigo e não havia frio nem fome, não havia feridas nem ressentimentos. A pouco e pouco o cume ia ficando nítido dentro de mim, havia uma baba mirífica que me sustinha.&lt;br /&gt;Chegou um dia em que fatalmente me disseste quero descer, tenho saudades; tens saudades de quê? Saudades do dia seguinte e eu imediatamente percebi que te cansaras de ser imortal. Foi quando deixei de te ouvir. Acusaste-me a mim de voltar as costas ao mundo e eu de imediato te retorqui, já tu descias, foste tu quem abandonou o vulcão e então não percebi porque estavas voltando as costas ao teu deus pagão…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-7854733092564890070?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/7854733092564890070/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=7854733092564890070' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7854733092564890070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7854733092564890070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2011/01/paganizacao-do-vulcao.html' title='a paganização do vulcão'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-6389471513518316328</id><published>2010-12-19T18:22:00.001Z</published><updated>2010-12-19T18:26:53.743Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa de autor'/><title type='text'>Os cardos do Baragan</title><content type='html'>Com a chegada de Setembro, as vastas planícies incultas da Valáquia  danubiana decidem viver durante um mês a sua existência milenária.&lt;br /&gt;Isto começa precisamente no dia de São Pantelimão. Nesse dia, o vento da Rússia, entre nós chamado muscal ou crivatz, varre com o seu hálito de gelo as extensões imensas, mas porque a terra ainda queima como um forno, o muscal perde ali alguns dentes. Não importa: desde há dias sonhadora, a cegonha assesta o olho vermelho no que lhe faz carícias ao arrepio das penas, e porque detesta o moscovita parte para regiões mais clementes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Cardos do Baragan, Panait Istrati, Assírio e Alvim, tradução de Aníbal Fernandes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-6389471513518316328?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/6389471513518316328/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=6389471513518316328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6389471513518316328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6389471513518316328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/12/os-cardos-do-baragan.html' title='Os cardos do Baragan'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-5577267267396725221</id><published>2010-12-12T11:34:00.000Z</published><updated>2010-12-12T11:36:13.751Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Gare de Santa Apolónia, 1984</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu? Eu quem sou? Um gajo de meia idade com umas olheiras fundas, suspeito até que doente, um mau estar que me acompanha e me impede o riso. Quase um mau hálito intenso ou uma espécie de lepra. Um navio em quarentena. Olhai atentos para quem sou… Pois dareis comigo, eu, o literato de barbas longas e nenhum sorriso. Prestes a desempregar, como, de resto, tantos outros, de facto, tão igual que nem me reconheço no meio da debandada, nem me encontrarão, imerso em livros, mesmo que me procurem. Sim, molhado em livros, moinhos que quase me afogam, outras vezes, quase me desatralaçam dos dias, enfim, um bibliotecário em fim de estação, sentado à chuva, ao cabo da gare, vai para quinze anos, vendo o comboio que vagaroso, parte. Quando se me acabar o dinheiro não sei o que vai ser de mim. O que comerei? Como pagarei o quartinho?&lt;br /&gt;Que parte tantas vezes, este comboio. Sei que parte porque os afortunados que nele tomaram lugar, brandem sorrisos e deixam sobre os carris lágrimas duma convulsão que é como o mundo, umas vezes vulcão, outras cinismo, um gelo que vai apertando na garganta e que pesa como o raio. Talvez por isso tenha uma especial predilecção por estações, carruagens, carris, e essas coisas de cheiro vivo e aspecto sujo…&lt;br /&gt;Não vivo sozinho. Tenho mulher e filhos. Entre o tempo que perco na biblioteca e o tempo que ganho, aqui na gare, assistindo às partidas, desfaço-me de mais de quinze horas diárias. O resto. Ora bem, quinze minutos para cada filho, dá à justa para um beijo, são quatro, uma hora, e vão dezasseis, dormirei, caso o consiga, quê, três, quatro horas, ao todo, chegamos já às vinte, o resto é para lavar os dentes, lavo tanto os dentes, cinco horas por dia a escovar os dentes, à bruta, exausto, sempre às escuras. Por norma não mudo de roupa. De mês a mês, havendo uns dez minutitos disponíveis, sento-me a escrever. Na mesa da cozinha. Quando há silêncio por toda a casa e quando, porque não estou enjoado, a minha cabeça vira e rebrilha como um fogo de artifício que quima palavras. Uma vez mais, na minha mente locomotivas diesel e algumas ainda a carvão que, quando arrancam, me deixam entregue às trevas. Tal qual os meus amigos, que já todos arrancaram e como o fizeram, com que espavento, vrrrummmmmmm; quando arrancaram, foram trevas que a mim se colaram. Mas voltemos aos dez minutos de escrita. Creio que me não enganarei nem mentirei se reconhecer que estes dez minutos serão tudo o que nesta vida eu faço de útil. O mais, o mais é de deitar fora. Ó Kafka nunca quererei queimar os meus escritos, antes queimasse as minhas mãos… Vem um pensamento da minha meninice e arranca-me um sorriso, coisa rara. Já vos disse que também lia. Aqui e acolá. Ainda bem que lês, meu filho, a literatura levar-te-á longe, era o meu mestre escola quem dizia. Pobre bastardo. Ainda hoje eu não sei se essas seriam bem intencionadas… provavelmente sim, seriam, isso sim, ainda que bem intencionadas, pura ignorância, era um pobre homem do campo, num país de pedras. Fornava escritores e só se lhe ouvia, “Tanta gente, Mariana”; “A República dos Corvos”, andam “Sinais de fogo” pelo ar, é assim este meu Portugal, sou eu assim, este pequenito mulato…&lt;br /&gt;Eis o que me proponho fazer: vou seleccionar dez partidas de dez comboios diferentes que chegarão, findas as suas viagens, a dez destinos diferentes. Dez destinos que poderiam ter sido os meus, mas que, por inércia minha, nunca o serão. É isso que me fascina nas estações de comboio, a partida, estridente, dolorosa, a viagem, e essa já é do reino do sonho, e a chegada, que é romântica. Engraçado que, ao cabo de cada viagem eu sinta um copo de jazz latindo dentro de mim, como se fizesse parte do meu desajeitado coração e como se, antecipando a vida, eu fugisse do improviso e da glória.&lt;br /&gt;Então, apresentemos a estação. Gare de Santa Apolónia, 1984. Uma locomotiva redonda, azul, ruidosa e suja, cheia de pequenos focos de tensão, dez carruagens, desconjuntadas, da cor e da traça do país. Destino, Paris. A gare ainda sozinha, eu olho o chão e noto o encerado do uso, os bilhetes que são carimbados com alarido, no átrio de recepção, a chuva de chumbo que mascara as vidas, as primeiras pessoas que chegam, beijos que procuram outras faces, carícias de vinte anos, eu que saio do meu tombadilho de literatura e me acerco do maquinista, boa tarde, o senhor é que é um maquinista? E o homem diz que sim com a cabeça, olá, só o quero avisar que terá um último passageiro especial. Dentro em breve chegará Tolstoi, o gigante russo, quererá chegar são e salvo a Paris, último destino. E em surdina, cuidado com os solavancos e as buzinadelas. Tolstoi é um velhinho de saúde periclitante e em perda razoável das suas faculdades. Temo que morra pelo caminho. E com isto me afastei, maldito chumbo que cobre este céu… abri bem os olhos, conseguia ver, donde estava, a locomotiva, por deus, Tolstoi que não olhe e se aperceba do monstro que ali está, como é feia, e a última carruagem, onde eu sabia, entraria Tosltoi. Finalmente chegou, arrastava consigo, por cima de um carrinho desses de rodinhas, uma carroça de livros. Seriam os seus. Mas que pergunta. Enterrá-lo-iam? E é então que eu berro para a gare plena de gente, Tosltoi embarca a caminho do paraíso. Que velho bizarro. E aquela gente toda, sem sequer mover a cabeça, olha-me pelo canto do olho. Confesso que soube logo o que fazer. Juro que me apeteceu gritar ainda mais o seguinte, alegrai-vos, cabritos do senhor, nem eu mordo nem eu minto, tudo o que digo é da minha verdade. Tolstoi vem aí. Mas não, só me consegui calar. Os cabritos do senhor demasiado combalidos. Pois que esta vida é uma puta rachada ao meio. Enquanto ouço o maquinista, arreda as pedras que quero arrancar.&lt;br /&gt;E este tanto chega para hoje. Amanhã, Tolstoi, apesar de combalido, conversará com Óscar Málaga Gallegos. Sobre quem? Ora, sobre a trapezista, quem mais. Há sempre uma companhia de circo na algibeira de qualquer grande escritor. São seres extraordinários. Cronópios! Libelinhas às cores que comem o chumbo dos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-5577267267396725221?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/5577267267396725221/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=5577267267396725221' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5577267267396725221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5577267267396725221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/12/gare-de-santa-apolonia-1984.html' title='Gare de Santa Apolónia, 1984'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-7380480513887521423</id><published>2010-12-05T20:12:00.000Z</published><updated>2010-12-05T20:13:45.904Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>N'zid</title><content type='html'>O sol escoava-se inteirinho entre o tempo assim assim, parado. A cidade era amarela e tu vestias uma saia verde e vinhas descalça, sorrias, trazias rímel pelos olhos e dir-se-ia que para trás encosta abaixo soltava-se de ti um rubro sonho. Vinhas para próximo de mim  e eu, enquanto, ouvia um dedilhar longínquo de guitarra e sentia toda a terra dentro de mim, piscava os olhos e os meros compreendiam-me, a cordilheira que para sempre lá estará sorria enquanto os folhos da tua saia verde faziam floc floc floc. Tocavas ao de leve no chão com os teus pés graciosos. Primeiros? Eu esticava a mão e degustava um vinho tinto inebriante. Quente, do vulcão, ao fundo o dedilhar constante dum choro e tu movias para perto de mim e eu ficava olhando o teu sorriso imperturbáve, era engraçado, por dentro de mim a terra inteira ufanava e sentia-se o marulhar calmo e manso do mediterrâneo. Quando te conseguisse olhar por detrás do verde dos olhos renasceria e então seria uma noite perpétua que me não entristeceria. Nunca! porque por detrás dos teus olhos verdes e depois do floc floc da saia tu pararias o tempo e eu renasceria. E seria de sol e de areia e de inteira argúcia. Tal como tu, mulher da cidade amarela…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-7380480513887521423?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/7380480513887521423/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=7380480513887521423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7380480513887521423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7380480513887521423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/12/nzid.html' title='N&apos;zid'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-4749058954026556839</id><published>2010-12-05T19:54:00.000Z</published><updated>2010-12-05T19:56:04.263Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeo'/><title type='text'>Porque vivemos demasiado o nosso castelo</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/YwSZvHqf9qM?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;color1=0x234900&amp;amp;color2=0x4e9e00"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/YwSZvHqf9qM?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;color1=0x234900&amp;amp;color2=0x4e9e00" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-4749058954026556839?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/4749058954026556839/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=4749058954026556839' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4749058954026556839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4749058954026556839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/12/porque-vivemos-demasiado-o-nosso.html' title='Porque vivemos demasiado o nosso castelo'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-8404789329795359208</id><published>2010-12-03T20:45:00.001Z</published><updated>2010-12-03T20:47:00.336Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Faminto poema</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vejo-a e está tão sã a ponte entre a neblina. Passam os rios indecifráveis e levam-na os homens do mar quando a choram ou ainda as gaivotas quando a voam. Abate-se súbito o sol e clareia, limpa o ar e cessam os ventos alíseos. Tu cessas e deixas de chegar. Movem-se lá ao fundo os meros como se os habitasse a saudade. Sim, amigo, a saudade habita-os já. Nem sob a neblina nem no fundo. Não há Paris alguma e muito menos noite. Ó noite mais as badaladas ímpias da minha mocidade. Ferida, quiseste ir morrer longe. Paris está prenhe de novo. Nem um latido incomoda a minha noite. Eu, cessante, não durmo. Tenho fome. Tenho cada vez mais fome. É Paris quem me acaricia ronronando. Tu com fome? Veste umas asas e vai falar com as estátuas. Elas serão a tua salvação. E te não esqueças da máquina fotográfica que te mantém cativo. Na noite, por debaixo da ponte metálica, procuro o sol que tu foste, procuro a minha viagem, o meu comboio, limpo-me da minha Sibéria. Sei, ao cabo de quase quarenta anos que não há fama nem fortuna em lugar algum… nada que preste nem nada que resista. Mas há tentativas tantas quantas manhãs. E que algumas renascem esperanças…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-8404789329795359208?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/8404789329795359208/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=8404789329795359208' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8404789329795359208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8404789329795359208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/12/faminto-poema.html' title='Faminto poema'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-8580328352292280741</id><published>2010-11-28T14:30:00.001Z</published><updated>2010-11-28T14:31:59.830Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>"O Balouço", de Fragonard</title><content type='html'>Como balouça pelos ares no espaço&lt;br /&gt;entre arvoredo que tremula e saias&lt;br /&gt;que lânguidas esvoaçam indiscretas!&lt;br /&gt;Que pernas se entrevêem, e que mais&lt;br /&gt;não se vê o que indiscreto se reclina&lt;br /&gt;no gozo de escondido se mostrar!&lt;br /&gt;Que olhar e que sapato pelos ares,&lt;br /&gt;na luz difusa como névoa ardente&lt;br /&gt;do palpitar de entranhas na folhagem!&lt;br /&gt;Como um jardim se emprenha de volúpia,&lt;br /&gt;torcendo-se nos ramos e nos gestos,&lt;br /&gt;nos dedos que se afilam, e nas sombras!&lt;br /&gt;Que roupas se demoram e constrangem&lt;br /&gt;o sexo e os seios que avolumam presos,&lt;br /&gt;e adivinhados na malícia tensa!&lt;br /&gt;Que estátuas e que muros se balouçam&lt;br /&gt;nessa vertigem de que as cordas são&lt;br /&gt;tão córnea a graça de um feliz marido!&lt;br /&gt;Como balouça, como adeja, como&lt;br /&gt;é galanteio o gesto com que, obsceno,&lt;br /&gt;o amante se deleita olhando apenas!&lt;br /&gt;Como ele a despe e como ela resiste&lt;br /&gt;no olhar que pousa enviesado e arguto&lt;br /&gt;sabendo quantas rendas a rasgar!&lt;br /&gt;Como do mundo nada importa mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge de Sena, in "Antologia Poética" guimarães, 2010 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;retirado de: http://ocafedosloucos.blogspot.com/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-8580328352292280741?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/8580328352292280741/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=8580328352292280741' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8580328352292280741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8580328352292280741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/11/o-balouco-de-fragonard.html' title='&quot;O Balouço&quot;, de Fragonard'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-7733719125534548571</id><published>2010-11-21T17:53:00.000Z</published><updated>2010-11-21T17:54:42.614Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>O Ano da morte de José Saramago</title><content type='html'>Amadeu Baptista&lt;br /&gt;&amp;etc, Setembro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;A desagregação está a marcar-nos como povo, Nuno,&lt;br /&gt;o povo acabará por resistir,&lt;br /&gt;mas o povo faz coisas iníquas,&lt;br /&gt;pode queimar-nos a casa num espavento de ódios,&lt;br /&gt;pode escolher a sarjeta contra todas as expectativas,&lt;br /&gt;pode acorrentar-se ao jugo da insipiência&lt;br /&gt;e deixar por isso que se fechem escolas às centenas&lt;br /&gt;e que se não trate de dirimir a injustiça de sempre&lt;br /&gt;no campo,&lt;br /&gt;nas cidades,&lt;br /&gt;na pátria,&lt;br /&gt;no planeta,&lt;br /&gt;enquanto a feira dos capões está viva e se recomenda&lt;br /&gt;e os Impérios aproveitam o sono dos vulcões que tanto tardam&lt;br /&gt;a explodir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pombos, pombas, alcachofras, acelgas, nabos, tomates – de tudo há na feira&lt;br /&gt;de antiguidades,&lt;br /&gt;o mal é esse, não se ter dado baixa nos armazéns dos legumes&lt;br /&gt;de tudo quanto está podre,&lt;br /&gt;continuando o baile a primazia da música alienante,&lt;br /&gt;alienígena,&lt;br /&gt;aqui,&lt;br /&gt;onde todos ralham e todos têm razão&lt;br /&gt;e a morte continua a matar,&lt;br /&gt;por mais que se emocione,&lt;br /&gt;como o Saramago quis,&lt;br /&gt;por mais que deixe de nos escrever cartas de cor violeta,&lt;br /&gt;por mais que escute connosco sonatas para violoncelo&lt;br /&gt;e primavera&lt;br /&gt;por mais que se lancem passarolas no espaço para que a pátria se veja&lt;br /&gt;num arremedo de esperança&lt;br /&gt;– está morto Bartolomeu Lourenço de Gusmão,&lt;br /&gt;está morto o nosso menino de oiro, sumido com o seu balão&lt;br /&gt;no desconforme horizonte do Cabedelo,&lt;br /&gt;está morta a Micas Bombas com os seus prodígios capilares,&lt;br /&gt;está o José Saramago morto,&lt;br /&gt;estamos todos mortos neste infame globo,&lt;br /&gt;quanto mais mortos estivermos melhor nos escravizam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, dancemos, dancemos, ainda, irrevogavelmente,&lt;br /&gt;soltemos uma gargalhada visceral sobre tudo isto,&lt;br /&gt;registemos a infância como padrão do dia em que começamos a esperar,&lt;br /&gt;porque quem espera, desespera,&lt;br /&gt;e em todas as vielas há um anjo que espera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era menino&lt;br /&gt;e o do que melhor me lembro é da viela do Anjo,&lt;br /&gt;onde o mundo é intacto,&lt;br /&gt;se mundo é o que por lá se vê,&lt;br /&gt;os anjos são a única metafísica em que acredito,&lt;br /&gt;comam ou não comam pequenos chocolates,&lt;br /&gt;ajudem, ou não, Caim na heresia benéfica,&lt;br /&gt;tratem, ou não, de contrapor à espada de fogo o fogo dos vaticínios &lt;br /&gt;– os anjos somos nós no espavento de sermos,&lt;br /&gt;isto sei eu que não sou um vencedor,&lt;br /&gt;mas qualquer insignificância é valiosa,&lt;br /&gt;qualquer migalha,&lt;br /&gt;e se alguma transcendência há que seja essa,&lt;br /&gt;a que dos anjos vem,&lt;br /&gt;incorrigíveis&lt;br /&gt;(...) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lido em: http://porosidade-eterea.blogspot.com/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-7733719125534548571?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/7733719125534548571/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=7733719125534548571' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7733719125534548571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7733719125534548571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/11/o-ano-da-morte-de-jose-saramago.html' title='O Ano da morte de José Saramago'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-455146707609885365</id><published>2010-11-21T17:39:00.000Z</published><updated>2010-11-21T17:42:59.050Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotografia'/><title type='text'>Porque vivemos demasiado o nosso castelo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TOlZ3SLkBpI/AAAAAAAAAmI/QAVFtsx-FdA/s1600/101_1105.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 441px; DISPLAY: block; HEIGHT: 346px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542059622764119698" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TOlZ3SLkBpI/AAAAAAAAAmI/QAVFtsx-FdA/s400/101_1105.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Vila Cova, Campeã, Portugal&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-455146707609885365?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/455146707609885365/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=455146707609885365' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/455146707609885365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/455146707609885365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/11/porque-vivemos-demasiado-o-nosso_21.html' title='Porque vivemos demasiado o nosso castelo'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TOlZ3SLkBpI/AAAAAAAAAmI/QAVFtsx-FdA/s72-c/101_1105.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-7293432284659097484</id><published>2010-11-16T05:58:00.001Z</published><updated>2010-11-16T06:01:59.645Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Os pequenos instantes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esboçava, depois de dois anos, o seu primeiro ténue sorriso. Tépido e cauteloso como a vida. Saía de manhã para um emprego e por lá se deixava ficar horas e horas sufocadas… haverá Humanidade menos valorosa? A questão paira no ar… e Humanidade menos merecedora? Se Anita seria Corajosa? Coragem é uma espécie de vida de frio, eremita cumprido de sonhos, terra ou porão de navio… Anita diria merda para a coragem e o restante da frase segurá-la-ia pois do fundo do coração não queria ofender ninguém…&lt;br /&gt;Sorria pouco e a medo e mal dava conta do sorriso impedia os lábios e afogava-o. Cruel seria Anita com ela própria. Cumprira finalmente a última etapa. Pontapearia a sorte e pagaria para ver. A custo se erguia pela parede íngreme da cordilheira, dobraria as tormentas e olharia o mundo lá por fora, por cima das nuvens, por detrás dos oceanos, leria Neruda e Skármeta, ouviria zumbir a miríade de insectos coloridos que vagueiam pela noite e tomaria banho, nua ou envergando um vestido negro de gala, nas águas borbulhentas da praia da Ericeira. Alguns diriam, dedo em riste e olhar acusador, Louca! Restelo e os seus velhos, velhacos empobrecidos e pútridos. Outros, mais bondosos, encovar-se-iam e chorariam sós, no interior sulfuroso de alguma casa de banho. O vento atiçar-lhe-ia os cabelos vermelhos entrelaçados como algas e Anita nadaria para os fundos lentos e assintomáticos onde vivem os meros.&lt;br /&gt;A pouco e pouco compreenderia que a cordilheira é a própria vida. E que os poucos e pequenos instantes de sensatez são aqueles em que, no calor da batalha, se olha em volta e se olham os outros, os outros diferentes que lutam como nós.&lt;br /&gt;Mas não os outros que, parcimoniosos e fartos de falinhas mansas, recorrentemente atiram areia aos olhos quando dizem, merda para esta vida, puta que a pariu. Apogeu de Judas! E será nesse instante que Anita, imbuída dum transe poético pensará, agora que finalmente sorri, não vou trair–me mais, onde fica o terminal de autocarros? E gentilmente se despedirá olhando já um adeus… o doido do circo, saído da tasca dir-lhe-á, adeus à terra imbuída de noite! Verás um amanhecer esplendoroso que não durará mais que instantes teus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-7293432284659097484?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/7293432284659097484/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=7293432284659097484' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7293432284659097484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7293432284659097484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/11/os-pequenos-instantes.html' title='Os pequenos instantes'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-1761961065838243013</id><published>2010-11-13T06:53:00.001Z</published><updated>2010-11-13T06:56:56.989Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Ericeira, algures num recorte de papel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se o queres salvar toma-o e lê, em teus lábios encontrei um mundo abensonhado, uma leira de terra e nela ergui a minha cabana, era ali mesmo ao cabo da terra, para lá dela, para ocidente, afundava-se a água e viviam os meros.&lt;br /&gt;Recordo o teu colo nu. Sorrias, tinhas um sabor a morango e saltitavas louca das pernas esguias e dos olhos mudos, esquecidos. Da pequenita casa de madeira donde olhavas, logo pela manhã, o céu e o mar, lembravas uma escuna galopante, ávida. Recordo como me dizias, vem comigo para a praia e deveriam ser seis ou passariam trinta das seis. Era Verão então e tu vestias calções e cobrias os seios com um pedaço de pano branco. Davas um laço simples ou então ias-te de casa como se te não preocupasses… Passavas por mim a voar e eu ficava sentindo o teu cheiro doce. Quando te ia para tocar já o sol zombava alto, já um tépido calor subia pela areia e já teus pés, envoltos em pequeníssimos cristais de quartzo diziam en garde mundo, eu vim para te salvar e dito isto submergias na espuma das ondas e eu retinha o instante em que a tua cabeleira farta se ocultava contigo. Era ao fundo do mar, na companhia dos meros, que finalmente nos tocávamos. Recordo uma vez mais o teu colo nu. Apenas um colo em curva e uma pele tisnada, ardente. Lembro que sempre que engravidaste me ofereceste uma borboleta rosa. E era sempre ao fundo, onde a calma era completa, onde o mundo, alheio a tudo, nos vivia palpitando.&lt;br /&gt;Sabes, adoraria que algum dia me vertesses rindo, nas páginas dum livro! Um dia obrigar-me-ás a escrever um. Será singela a oferta. Mas então não haverá mais tempo. E o mundo sucumbirá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-1761961065838243013?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/1761961065838243013/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=1761961065838243013' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1761961065838243013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1761961065838243013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/11/ericeira-algures-num-recorte-de-papel.html' title='Ericeira, algures num recorte de papel'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-2190001554502192673</id><published>2010-11-09T14:56:00.000Z</published><updated>2010-11-09T14:57:40.249Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>O lado cinzento das nuvens</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chove. Amainou o vento e ela agora cai, direitinha do céu. Toca o chão e transborda para dentro de mim. Eu, invariavelmente irradio e verto escorreito para este papel electrónico. É isso! Arrastei minhas raízes até esta terra amaldiçoada e agora verto estas que foram as minhas últimas lágrimas. Não temais mais! Não tenho quem me agrade e nem há quem me aceite. A água arrasta os rios para o fundo dos mares. Cheta? Nem vê-la. Resta Paris. Paris deambulada durante a noite. É de borla. Uma página por dia deverá render-me uma refeição diária…&lt;br /&gt;Chove abundantemente. Os ratos correm à procura de abrigo. Vão todos para debaixo das pontes. Insuportável eu lá ficar. Qual é a lembrança mais pequena que tens?… levanta-se um vento caótico… Quisera que tudo não passasse de um aguaceiro, aceita estas que são as minhas últimas lágrimas. Sr. redactor fotografei o Outono. Um Euro por cor? O meu avô, nas escadas, contando histórias… não te lembras dele pois não, pois não, mais terno ainda, imagino-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-2190001554502192673?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/2190001554502192673/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=2190001554502192673' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2190001554502192673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2190001554502192673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/11/o-lado-cinzento-das-nuvens.html' title='O lado cinzento das nuvens'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-2012904087300133109</id><published>2010-11-06T15:42:00.001Z</published><updated>2010-11-06T15:44:11.393Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='video'/><title type='text'>Porque vivemos demasiado o nosso castelo</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/O8HyLrokZko?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/O8HyLrokZko?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-2012904087300133109?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/2012904087300133109/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=2012904087300133109' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2012904087300133109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2012904087300133109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/11/porque-vivemos-demasiado-o-nosso.html' title='Porque vivemos demasiado o nosso castelo'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-1664147568177714212</id><published>2010-11-04T16:52:00.000Z</published><updated>2010-11-04T16:53:35.969Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>"Scout"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Scout era uma pequenita descalça que chegava sempre atrasada à escola. O estilo olhos aventureiros corpo franzino e cabelo desalinhado contados que estavam doze anitos. Havia a escola e havia a matemática, havia o recreio e o caminho de terra que percorria só, ou acompanhada de Pedro… Porque Scout ainda não o sabia mas crescesse desataria com críticas de adulto do género, meu deus, mas será que esta escola me interessa se me cortam a criatividade e se me obrigam a calçar sapatos duros e tensos… ou ainda em criança, Pedro, vamos tomar aquele atalho e o barco nunca mais acabava, Olha Pedro, conheces a árvore da bruxa, vamos lá ter com ela e a conversa não mais terminava, caída a noite, lá vinha Atticus, um pai gigante, Scout, direitinha para casa, e se lhe dizia palavras duras os olhos diziam brandura e confiança, como quem soletra Tu és tudo o que eu sou, aprenderás o mundo e farás uma cabana na árvore. Deixar-te-ei lá dormir a primeira noite. Scout adormecia feliz. Não sem antes lhe perguntar Pai, julgas que esta escola me fará bem, quem deverá valer mais, os olhos e o ímpeto que eu sou ou o número que jaz por detrás de mim. Atticus calado. dEUS meu, que esta rapariga se imponha perante a vida…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda e durante tanto tempo a propósito da Harper Lee!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-1664147568177714212?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/1664147568177714212/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=1664147568177714212' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1664147568177714212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1664147568177714212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/11/scout.html' title='&quot;Scout&quot;'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-2679477858859402853</id><published>2010-11-01T18:13:00.003Z</published><updated>2010-11-01T18:28:41.239Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Por favor, não matem a cotovia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Três dias sem tirar uma única fotografia e que tempo esteve para tal. Quanta nuvem e que chuvada, que saudades da chuva que me não molhou, ou do vento que me não empurrou, que chuvada se esbarra contra as minhas vidraças e cá dentro, cá dentro só estou eu e o livro, eu e a minha biblioteca, não estive com meias medidas, com os meus pulmões doentes, não retirei um pé da cama e enquanto isso, bem, todo esse tempo estive entretido com um livro que achei delicioso, "To kill a mockingbird", um daqueles que nos faz reviver a infância, um daqueles que nos faz repensar a idade adulta, narrado por uma miúda duns oito anos, mas dotada duma inteligência e duma acutilância, dei por mim a desejar ser o Atticus, o pai dela, numa qualquer barra de tribunal...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aconteceu, aconteceu que à medida que o lia eu ia melhorando, mas não apenas dos pulmões, eu fui melhorando e doravante, bem, de hoje em diante pintarei uma cotovia na minha T-shirt e chorarei enquanto me não convencer da Humanidade. Escreverei um texto breve ao qual chamarei "Scout". Em honra dela, da cotovia...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-2679477858859402853?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/2679477858859402853/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=2679477858859402853' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2679477858859402853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2679477858859402853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/11/por-favor-nao-matem-cotovia.html' title='Por favor, não matem a cotovia'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-5904347377363267284</id><published>2010-10-29T15:00:00.001+01:00</published><updated>2010-10-29T15:04:01.206+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Os olhos de adão e os pés de eva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O grande e majestoso deus, com as suas mãos de camélia, veio ao chão grande buscar um pouco de barro e amassando-o, tendo-se entretido mais que a conta, deve ter fartado pois atirou-o borda fora…&lt;br /&gt;À data, o grande deus viajava de barco e havia uma quantidade enorme de pequeninas gentes que o remavam!&lt;br /&gt;O bocadito de barro, intrépido e volteante, acabou de ganhar forma pelos ares e quando caiu, aterrou nas areias de uma praia lindíssima. Dois pés de mulher, o grande deus fizera, quase sem querer e o vento depois moldara, dois belíssimos pés de mulher. Ainda não havia a mulher, ainda não havia a face, ainda não havia o colo, as pernas e muito menos os cabelos ou os olhos. Mas já lá salteavam, praia fora, os pés, o esquerdo e o direito, frondosos, saltitando por entre a preia mar, evitando os recifes.&lt;br /&gt;E durante muito tempo, o deus, tendo-se enfastiado, não quis mais moldar e quase abandonaria a arte não fosse um ou dois traços de teimosia. E durante todo esse tempo os pés zombariam indecisos e nús pela praia.&lt;br /&gt;Contudo, o deus, magnífico, tempos depois, criaria dois olhos e arremessá-los-ia para a mesmíssima praia. Teria havido intenção? Tenho quase a certeza que não. Finalmente os olhos de imediato olhariam os pés e de repente se apaixonariam…&lt;br /&gt;Então, o grande deus, embora já se enfastiasse ainda não se tinha tornado mau e daí vai que, tendo-se apercebido do que se passava na praia pegaria numa paleta de barro e desenharia uma macieira e nela colocaria uma enorme e suculenta maçã. Acabando adão entregar-lhe-ia os olhos que antes deitara para a praia e acabando eva entregar-lhe-ia os pés, belíssimos que havia tempo se encontravam na praia. Assim, adão entreter-se-ia com os pés de eva e nem olharia para a maçã. O paraíso seria para sempre paraíso e a maçã, acabaria por cair do quadro para o chão e madura, comê-la-iam os vermes, esses glutões.&lt;br /&gt;Deus, admirando adão e eva no paraíso pediria aos seus súbditos que dali o remassem para fora e pegando num novo bocado de argila, teria desta feita mais cuidado e em vez de pés de mulher, durante um sono de adão, pensaria na história mais que badalada da costela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nuno monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-5904347377363267284?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/5904347377363267284/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=5904347377363267284' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5904347377363267284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5904347377363267284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/10/os-olhos-de-adao-e-os-pes-de-eva.html' title='Os olhos de adão e os pés de eva'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-707759359939004930</id><published>2010-10-26T14:43:00.001+01:00</published><updated>2010-10-26T14:45:51.373+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>No canto da Escrevedeira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Houve uma princesa moura que cá viveu… as escrevedeiras são pássaros pequeninos que vivem muitos anos e são tão coscuvilheiras que conhecem todas estas histórias de princesas. Era assim que começava a composição da Lua. Uma princesa moura que cá viveu! E essa princesa era bonita? Ora se era, alguma vez ouviste falar dalguma princesa que não fosse bonita de morrer… bem, mas o facto é que por detrás de todos os lindos vestidos a princesa chorava. Oh! Então não era feliz! Mas, ó escrevedeira, como saberás tu que a princesa não era feliz… ora essa, defronte do quarto dela havia então uma nogueira tão grande onde eu pousava e ouvia-a, era um choro que quase se diria uma eterna declamação, ou um lamento baixinho, um sussurro como se falasses para o vento te levar as palavras. Isso, o vento era o carteiro da princesa, levava e trazia novas do namorado, mas, ó escrevedeira o que ouvias tu, que dizia essa princesa? Sempre que o vento soprava para sul, para as terras onde estaria o príncipe de quem ela gostaria, ela entreabia um pouco a janela e cantava &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Belo príncipe por quem eu me apaixonei&lt;br /&gt;E que eu não vejo por vontade de meu pai&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando o vento soprava mais furioso e a nogueira rugia eu não conseguia ouvir a melodia, tinha( isso sim) que me agarrar melhor aos pequenitos galhos que pareciam terramotos… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pudesse eu ter um cavalo destemido&lt;br /&gt;Ou fossem meus os caminhos que trilhei &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porém houve logo quem perguntasse, ó escrevedeira, mas se essa moça era árabe, declamava em árabe e então tu, um simples pássaro, como a percebias? Ora essa, pois que no final de cada ventania e mesmo quando o sopro estava no auge, se ela deitava pela janela um cabelo preto longo que logo voava para perto do namorado, que crês tu que ela declamasse?&lt;br /&gt;O Professor: Lua, parabéns, a tua composição está muito bonita!&lt;br /&gt;A Lua: sim professor…&lt;br /&gt;O Professor, outra vez: Como surgiu essa história?&lt;br /&gt;Contou-ma a escrevedeira, ontem, à noitinha, depois do jantar, empoleirada no galho da Nogueira…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-707759359939004930?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/707759359939004930/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=707759359939004930' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/707759359939004930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/707759359939004930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/10/no-canto-da-escrevedeira.html' title='No canto da Escrevedeira'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-6684477254740217598</id><published>2010-10-24T17:25:00.000+01:00</published><updated>2010-10-24T17:27:22.506+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotografia'/><title type='text'>Retro-visão</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TMReOqyK5SI/AAAAAAAAAmA/ZTgYsUNNShQ/s1600/101_1091.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5531649848413709602" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TMReOqyK5SI/AAAAAAAAAmA/ZTgYsUNNShQ/s400/101_1091.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-6684477254740217598?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/6684477254740217598/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=6684477254740217598' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6684477254740217598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6684477254740217598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/10/retro-visao.html' title='Retro-visão'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TMReOqyK5SI/AAAAAAAAAmA/ZTgYsUNNShQ/s72-c/101_1091.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-8240963044590958916</id><published>2010-10-17T07:17:00.002+01:00</published><updated>2010-10-17T07:20:38.424+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>O Tango do Mundo</title><content type='html'>Nos olhos a saudade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;adoro as tuas pernas de Buenos Aires e os sapatos pretos que te encantam bailando, &lt;br /&gt;o triângulo de cetim que se dobra sobre ti como se fosse traição, &lt;br /&gt;o sangue que te inunda a face e te cora de vergonha ou a mudez que te leva dançando&lt;br /&gt;adoro as tuas mãos que tocam gentis e esse teu passo arrastado, quase cansado &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tango que te leva:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tuas as mãos quiseram as pétalas que te escondem os mamilos &lt;br /&gt;Enquanto&lt;br /&gt;água suada te cai pelo rosto e tu ris por fim&lt;br /&gt;o cabelo apanhado em espuma vermelha &lt;br /&gt;e uma figura de linho  que pousa no chão um pé oblíquo&lt;br /&gt;e estendendo o braço pede um abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem transcontinental:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;suga-a em Paris, apalpa-a e obriga-a a uma dança&lt;br /&gt;um trago de emoção&lt;br /&gt;mistura-lhe o coração&lt;br /&gt;trá-la ausente do traço&lt;br /&gt;fá-la descrente&lt;br /&gt;no mesmo braço, presente e ausente, com os olhos fitos num laço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envolve-a num carro sobre a escuridão&lt;br /&gt;Parqueia em frente à mansão&lt;br /&gt;Atravessa Versailles, franco e confidente&lt;br /&gt;Envolta-a num pano preto e &lt;br /&gt;Condu-la às cegas…&lt;br /&gt;Quando do mundo suficientemente retirados&lt;br /&gt;Morre-a na madeira do chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-8240963044590958916?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/8240963044590958916/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=8240963044590958916' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8240963044590958916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8240963044590958916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/10/o-tango-do-mundo.html' title='O Tango do Mundo'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-6362793265959563270</id><published>2010-10-15T05:47:00.002+01:00</published><updated>2010-10-15T05:55:58.004+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='apresentação de obra'/><title type='text'>Sessão pública de apresentação</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TLfdE2qyCMI/AAAAAAAAAlw/9loFZwfS7yk/s1600/Apresenta%C3%A7%C3%A3o+Livro.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 295px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5528130143084742850" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TLfdE2qyCMI/AAAAAAAAAlw/9loFZwfS7yk/s400/Apresenta%C3%A7%C3%A3o+Livro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não estando no poster escrito, diremos que o Clube de literatura terá muito gosto em rever todos os antigos alunos que queiram marcar presença... e sendo esta uma sessão pública de apresentação podem e devem trazer amigos e familiares... Os interessados deverão dirigir-se, à hora marcada, às instalações do Colégio da Boavista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-6362793265959563270?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/6362793265959563270/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=6362793265959563270' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6362793265959563270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6362793265959563270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/10/sessao-publica-de-apresentacao.html' title='Sessão pública de apresentação'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TLfdE2qyCMI/AAAAAAAAAlw/9loFZwfS7yk/s72-c/Apresenta%C3%A7%C3%A3o+Livro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-6799396358253694962</id><published>2010-10-14T20:14:00.001+01:00</published><updated>2010-10-14T20:15:25.679+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homenagem'/><title type='text'>Ao Chile</title><content type='html'>Puro, Chile, es tu cielo azulado, &lt;br /&gt;puras brisas te cruzan también, &lt;br /&gt;y tu campo de flores bordado &lt;br /&gt;es la copia feliz del eden &lt;br /&gt;Majestuosa es la blanca montaña &lt;br /&gt;que te dio por baluarte el Señor, &lt;br /&gt;y ese mar que tranquilo te baña &lt;br /&gt;te promete futuro esplendor. &lt;br /&gt;Refrão &lt;br /&gt;Dulce Patria, recibe los votos &lt;br /&gt;con que Chile en tus aras juró. &lt;br /&gt;Que o la tumba serás de los libres, &lt;br /&gt;o el asilo contra la opresión.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Hino Chileno, Eusébio Lillo e Bernardo de Vera y Pintado)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-6799396358253694962?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/6799396358253694962/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=6799396358253694962' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6799396358253694962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6799396358253694962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/10/ao-chile.html' title='Ao Chile'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-3498238222482058507</id><published>2010-10-12T18:29:00.002+01:00</published><updated>2010-10-12T18:32:18.806+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Sangue, suor e Tango</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dentro de mim sinto que não tenho nada! E finda a oração apagou a luz e dormiu. É que enquanto se diz que a vida se leva de vencida com as regras da ditadura ela sempre teve um fraquinho por Bakunine e pelos reles e utópicos anarquistas. Durante o sonho teimava em lábios pintados e pernas vestidas por mãos masculinas, pensava em fumar e vestir longos vestidos enquanto dava grandes saltos, de palco em palco na mítica Buenos Aires, por vezes cigana, mostrando os lutuosos cabelos pretos ou, espanhola, fogosa, uma litania que debulhava de dentro dela e lhe tirava a roupa e a percorria, à flor da pele, empalidecendo. E mesmo que desmaiasse nada temeria pois que ele dela se acercaria e tocando-lhe os lábios de novo a traria à vida e então, olhos nos olhos lhe diria, despe-te…&lt;br /&gt;Uma anarca incipiente, ainda agora saída do ideal revolucionário do romantismo…&lt;br /&gt;Dentro de mim não há nada! Apenas um crucifixo, um quarto nu, liso, húmido. São as regras da vida pura que me despem das cores e me não pintam os lábios. Adormece a olhar a televisão, mantém o bando de cabelos pretos escondidos entre a almofada. E mesmo antes de adormecer o que olha é a silhueta de um comboio andino e murmura, vai vazio de mim enquanto eu, eu cá fico vazio dele…&lt;br /&gt;Feita adulta, para além dos cabelos pretos demoníacos, completavam-na dois pares de olhos escuros que fuzilavam por tudo e por nada… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nuno Monteiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-3498238222482058507?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/3498238222482058507/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=3498238222482058507' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3498238222482058507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3498238222482058507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/10/sangue-suor-e-tango.html' title='Sangue, suor e Tango'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-305751867532529611</id><published>2010-10-10T15:03:00.002+01:00</published><updated>2010-10-10T15:09:32.477+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeo'/><title type='text'>Torga lido por Sebastiana</title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-7f4d359f6e2795cb" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" 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humano a maior tristeza e a maior alegria: o perfume da terra molhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julien Green, Paris, tradução de Carlos Vaz Marques, Tinta da China &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-2872528868802851476?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/2872528868802851476/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=2872528868802851476' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2872528868802851476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2872528868802851476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/10/do-que-eu-vou-lendo.html' title='Do que eu vou lendo...'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-3641228626267367210</id><published>2010-10-07T06:08:00.003+01:00</published><updated>2010-10-07T06:19:06.443+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Do amor duma estátua</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Morava uma estátua num quarteirão em Paris, numa praça dum quarteirão em Paris, ao fim duma rua dum quarteirão de Paris. Talvez em Paris não empreguem o termo quarteirão. Defronte dela, da estátua, morava uma outra estátua, com longos cabelos pretos ondulados e seios não tão pequenitos assim, que aleitavam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Num dia de ventania, escuro como breu e julgando ver Satanás ela gritou um silvo horrível e vergou-se de joelhos. A estátua tinha partido os ossos de ambas as pernas. Foi quando a outra estátua, eu, arranquei os meus pés do chão e caminhei como sobre betão e ferros retorcidos até chegar junto dela. E junto dela, após exterminar os fantasmas e os abutres que a profanavam com gestos e gritos orientais, peguei-lhe ao colo e aluguei, numa pensão barata um pequenito quarto. Foi quando finalmente descobri por que “Paris nunca se acaba”. “Entalei-lhe” as pernas durante quase dois meses para que, cicatrizada a ferida, se não notassem cortes nem cicatrizes. Há que ter estes cuidados quando tratamos com a aparência das estátuas mulheres... Lavei-lhe o corpo uma vez por dia ao longo desses dois meses, e vim a perceber, paulatinamente que a estátua de cabelos longos ficou perdidamente ardida de amores por mim…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-3641228626267367210?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/3641228626267367210/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=3641228626267367210' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3641228626267367210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3641228626267367210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/10/do-amor-duma-estatua.html' title='Do amor duma estátua'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-8339754560665004140</id><published>2010-10-05T04:41:00.002+01:00</published><updated>2010-10-05T04:44:29.979+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Argentina</title><content type='html'>Vestias as tuas pernas &lt;br /&gt;Envolvias os teus pequeninos seios&lt;br /&gt;E dançavas um tango arrastado&lt;br /&gt;Que não era mais que a vida&lt;br /&gt;Subias ao palco enlouquecida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De súbito chegou quem te bateu&lt;br /&gt;E tu fechaste os olhos e enlaçaste os braços protegendo a face…&lt;br /&gt;Deitaste as roupas à mala&lt;br /&gt;E viajaste&lt;br /&gt;Na noite &lt;br /&gt;Por este mundo&lt;br /&gt;Crua&lt;br /&gt;Imóvel&lt;br /&gt;Vertendo por aqui e por acolá&lt;br /&gt;Um pequeno sorriso acanhado&lt;br /&gt;Mas bonito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rocamadour&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-8339754560665004140?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/8339754560665004140/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=8339754560665004140' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8339754560665004140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8339754560665004140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/10/argentina.html' title='Argentina'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-4200648600657295022</id><published>2010-10-03T16:42:00.000+01:00</published><updated>2010-10-03T16:44:02.371+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Um nome para a criança</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quietude na casa da floresta. Caído parte do telhado, o velho, o dono, quedava sentado na poltrona olhando a pequenita eira de terra que havia defronte, antes das grandes árvores. A minha casa está em ruínas, e quando o dizia, repetidamente, fazia um esforço para segurar na caixa de ferramentas e por instantes, julgava ser um jovem todo poderoso. E contudo sabia ser velho e doente. A caixa de ferramentas permanecia imóvel. A poltrona onde ele se sentava e a casa, por detrás do alpendre, um pouco mais caída. Como um enorme tempo puído.&lt;br /&gt;Caída a noite. O velho movia devagar para a cama, após uma frugal refeição. A vela apagada. Um luar inundava-lhe o quarto pois que lhe entrava pela janela. Zorro, o cão, velho como ele, deveriam ser duas da manhã, quis latir. Rouco, mal inundou a noite com três ou quatro ladrares. O velho que espreita para a pequenita eira de terra defronte. O luar que inundava e dava para ver uma mãe vestida de farrapos e um menino de colo. Parados. Bem no meio da eira.&lt;br /&gt;Quem está lá! Então a muher aproxima-se e em dando com as escadas do alpendre, ajoelha bem no primeiro lanço de casa. E diz. Por favor! Albergue a mim e ao meu filho já que não há nada mais para nós no mundo. Mas o velho! Albergo! Pois albergo! Mas que a minha casa está em ruínas. É das minhas pernas e dos meus braços e desta maldita velhice. Já não sou ninguém… não se aflija que eu posso bem com qualquer trabalho de homem. E dito isto, Zorro, sossegando, deitou-se outra vez a dormir.&lt;br /&gt;Como se chama o seu filho? Este não é meu filho, é apenas um bebé que eu tirei do rio, alguém passara na ponte e o atirara borda fora, digo eu, que não vi, mas o menino, o menino ali estava, encarquilhadinho e vermelho de raiva…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-4200648600657295022?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/4200648600657295022/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=4200648600657295022' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4200648600657295022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4200648600657295022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/10/um-nome-para-crianca.html' title='Um nome para a criança'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-8156354181102220965</id><published>2010-09-29T06:15:00.000+01:00</published><updated>2010-09-29T06:16:08.209+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Colo enfeitado com medronhos</title><content type='html'>Em certas madrugadas, encontro dias que se suicidam quando, de rompante, eles se deixam sufragar em mágoa cinzenta de chuva leve. Ao escuro da noite, lá no ponto cardeal, desponta uma luzita que és tu e então digo Bom dia pequenita mulher, como estás! E a madrugada é só arrebatamento, uma irrequieta passarita que pavoneia. Corre o tempo, devagar, tão depressa. Eu? Estou bem muito obrigado e logo ruboriza, um rubor escarlate como cabelos de poesia, como uma madrugada com seis horas, olhos atentos, bulidores, ainda vencedores. Fica muito espantada, a pequena sereia quando eu lhe digo que também eu, não sou como os outros. Eu sei que dentro dela há muitas vidas, há enormes vagões que se lambuzam vagareiros por essas estradas de montanha. Sei também que a madrugada, ao crescer, cedo a avisará que se deverá decidir por um caminho… Súbito crescem as nuvens e o fio de cabelos esconde. É o prenúncio. Uma breve luta e a moça agora sente medo. Não tenhas medo, sê tu própria, mas a moça qual quê, o medo cresce e abunda-a, ignora-a enquanto a torna prenha. A madrugada está perdida. Tem apenas lugar uma mecha de tempo,  durante o qual a mão, pequena, redonda, raspa por um medronheiro e tira cinco ou seis desses frutos. Em vez da ciganita que poderia ter sido, sufraga pelas areias do deserto. A madrugada despontará dia, cinza chumbo e haverá uma moça, de tantas que poderia ter sido, uma quedar-se-á, cabelo escondido, apanhado em caracol, E se essa escolha ocupar lugar, uma mais como tantas, dentro dos olhos dela, morrerão esses mirones verdes sonho com que um dia, cedo na madrugada, se quis insinuar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-8156354181102220965?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/8156354181102220965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=8156354181102220965' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8156354181102220965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8156354181102220965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/colo-enfeitado-com-medronhos.html' title='Colo enfeitado com medronhos'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-8327977266137753895</id><published>2010-09-28T06:41:00.000+01:00</published><updated>2010-09-28T06:42:22.768+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Vidros derretidos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Haverá um dia, seja um dia de chuva, uma espécie de Outono miúdo, e então acontecerá, a ventania cravejar-se-á contra a tua porta como punhal e tu cavarás um poço de medo, bem no centro de ti,&lt;br /&gt;(por toda a vida corre uma tinta de desgaste um fiozinho de lágrima)&lt;br /&gt;rodeia-te a escuridão e o desassossego apesar das cores e das pétalas, tragar-te-á, esse poço e tu ditarás gritos mudos para uma espécie de papiro antigo, um livro inútil, uma espécie de literatura falhada que te iludirá, que te comandará, que te ditará uma única lei. Foge. Vive uma vida de fuga, de deambulação, de tristeza melancólica, fecha os olhos, senta com ela, a estátua dos teus sonhos, olha-a nos olhos e cinzela-a com tuas mãos nuas, prenhas. Enquanto foges. Sê breve, curto, surreal. Sai pelas ruas, em agonia, cumprindo etapas, apanhando do chão as cores vermelhas da morte.&lt;br /&gt;( a humana urbe um local vazio, pendente, ofegante)&lt;br /&gt;E então serás um descrente, uma luz intensa que desapareceu no breviário da noite. Do poço, bem do lodo do fundo gritarão em turbilhão todas as maldades do homem e todas te atingirão, como freios, vermelhos de dor, nessas manhãs invernais donde sairás jamais.&lt;br /&gt;(Já me não lembro do último comboio…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-8327977266137753895?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/8327977266137753895/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=8327977266137753895' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8327977266137753895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8327977266137753895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/vidros-derretidos.html' title='Vidros derretidos'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-4129718962305847186</id><published>2010-09-26T19:44:00.000+01:00</published><updated>2010-09-26T19:45:25.630+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeo'/><title type='text'>Porque vivemos demasiado o nosso castelo</title><content type='html'>&lt;object width="640" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/n6aCMgy0ES4?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/n6aCMgy0ES4?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-4129718962305847186?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/4129718962305847186/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=4129718962305847186' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4129718962305847186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4129718962305847186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/porque-vivemos-demasiado-o-nosso_26.html' title='Porque vivemos demasiado o nosso castelo'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-791133632828126196</id><published>2010-09-24T19:43:00.001+01:00</published><updated>2010-09-24T19:44:35.591+01:00</updated><title type='text'>Os homens que teimam em não acordar às quatro da manhã</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quatro horas, dentro em pouco acordaria, levantar-se-ia, estaria sozinho em casa, um lúgubre casebre e sabia que nada haveria para comer e nada haveria que escrever, sabia incessantemente que ninguém haveria para conhecer, sabia, fora de tempo, que nunca apertaria a mão a estátua alguma, não conversaria em castelhano com poeta algum, não visitaria pintor esquálido ou qualquer artista de circo.&lt;br /&gt;Quatro horas, acordasse?, ligaria a luz, não!, não a ligaria, não adiantaria pois ela não acenderia, não pagara a conta da luz, há quanto tempo deixara de ter dinheiro?, por dentro dele, a solidão e a fome e o frio. A santíssima trindade… Não serão as três a mesma página? Em meio deste Outono, não consigo vender um único texto, não consigo vender palavras então por quê escrevê-las, talvez por casmurrice, ou talvez por sorriso, infortúnio, desprezo.&lt;br /&gt;Quatro horas, que mania de escrever o que nada alguma vez haveria para escrever. Talvez por isso, talvez por se ver inclusive despojado de princesas e de momentos de alegria, talvez por se ver cercado de frio e fumo, talvez, ou talvez não.&lt;br /&gt;Cinco para as quatro horas, é o filho de Pedro Páramo quem com ele priva, és tu que insistes em viajar até Paris? És tu quem insiste em mendigar em Paris? És tu quem insiste em fugir com uma ciganita de longos olhos com cor de caramelo? És quem se faz passar por Homem mais Forte do Mundo? És quem quer matar meu pai, o ignominoso Pedro Páramo?&lt;br /&gt;Não para todas as questões, sim para todas as questões, um minuto para as quatro da manhã e os telhados da minha amada cidade estão imóveis, aguenta-os uma neblina maldita que não é mais que o sustento da sagrada família. Em que mundo julgas que vives? Não saberás que há muito aconteceu a minha morte? Olha, esgotou-se o teu minuto. Afinal não és eterno. Todo o pasto dos homens está em chamas. Há apenas um carreiro e esse está ocupado a ferro e fogo pelos arcabuzes em ferrugem, fugidos dos céus azuis, pintalgado como um balão remendado por lendas de folclore e teatro de rua.&lt;br /&gt;Não, por favor, não te vás ainda, ainda te não disse meu nome&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-791133632828126196?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/791133632828126196/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=791133632828126196' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/791133632828126196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/791133632828126196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/os-homens-que-teimam-em-nao-acordar-as.html' title='Os homens que teimam em não acordar às quatro da manhã'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-2571483116613128090</id><published>2010-09-22T05:16:00.000+01:00</published><updated>2010-09-22T05:18:25.742+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>A filha de Jesus Cristo verterá filhos e lodo para esta terra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto lá fora, nas ruas, os ventos outonais arrancaram as primeiras folhas, surgiam os tons vermelhos e acastanhados, numa espécie de absolvição da vida ou confronto com a terra, ei-la, à consagração e ao altar; foguetório em surdina , nessa noite descerraria a estatuária e se manteria, alargada e bruta zombando dos olhos.&lt;br /&gt;( em alguma casa modesta alguém afirmará tão tarde na noite, há um escultor que suplantará todos os outros)&lt;br /&gt;Os pés vazios mantinham-se numa angústia por detrás das vidraças da casa, suados, esquálidos olhavam a cidade envolta nesse outono, detinham-se no cabelo encharcado e no vulto dos castanheiros que se inclinava incerto. E nessas alturas, por que não poderiam as mãos destrancar as portadas e abandonar o éden? Sim, quantas e quantas vezes, a filha de Cristo, a dona desses pés esquálidos quisera atirar essa batina ao chão e, abraçando o anti-cristo, viver alagada, cruzando os tons vermelhos de sangue e do Outono, até carregar no ventre, até à saciedade.&lt;br /&gt;( o anticristo virá fecundar a terra com milagres, alguém o dirá numa casa modesta )&lt;br /&gt;Nesses dias, cruzados de chuva e vento, nas noites em que, zombeteira, se vestia com uma batina preta, deixando os pés vazios, vagueava pelas ruas monumentais tacteando as cores e as texturas das pedras, nesses dias, dorida, ergueria uma babel de livros… Por vezes, de noite, cruzando com olhos de outras etnias, algum castanheiro a interpelava ao caminho e a beladona, com um esgar de mão o afastaria, logo depois mudasse de passeio. Outras vezes, estacada, era capaz de fechar os olhos e sorver o ar, carregado como estaria desse primórdio dos tempos; a pouco e pouco embruteceria, da terra no ar, desse sabor de nudez.&lt;br /&gt;(os lobos do fim da rua enovelam-se numa algazarra do cio)&lt;br /&gt;Acordada do sonho e lambendo ainda a seiva da terra molhada ouviria ao longe os alvores do circo, havia uma batina preta que a encerrava e esquecidos e tombados, ao fundo das pernas esguias, os pés esquálidos que lhe traçavam o caminho.&lt;br /&gt;O “meu reino é apenas deste mundo” dirá o anti-cristo, se alguma vez a abraçar. Este é o mundo que toca e foge, a verter humores, sempre a verter humores, nas breves risadas e telas vazias…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-2571483116613128090?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/2571483116613128090/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=2571483116613128090' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2571483116613128090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2571483116613128090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/filha-de-jesus-cristo-vertera-filhos-e.html' title='A filha de Jesus Cristo verterá filhos e lodo para esta terra'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-1451306243460008934</id><published>2010-09-20T17:45:00.000+01:00</published><updated>2010-09-20T17:47:38.558+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>A Óscar Málaga Gallegos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vive nas asas de glória de uma tenda tuaregue. E porque é eterna a infância, houve um sorriso e um beijo, um abraço trocado; crescido, as asas e um vento dali o levaram, hoje, um grande senhor, um homem garboso, esta é uma noite, estrelada, ao deserto, ele revive enquanto chora. Tem rugas no rosto embora por dentro ainda seja criança, o vento empurrou-o para uma mágoa de ter crescido…&lt;br /&gt;No dia seguinte partirá, afrontará a distância e levará as saudades para um qualquer outro local, enriqueceu; que interesse para mim tem todo este ouro?, ainda que tivesse mãos de artesão e com elas pudesse trabalhar o rosto da minha princesa, ainda que assim fosse, não seria o rosto da minha princesa, porque o ouro, do brilho intenso, não sorriria incerto como o rosto dela. Bebia dum trago e num sufoco decide; batendo as mãos, madrugada, de imediato vinham até ele dois lacaios, lacaios! Ouvi bem, mandai homens com cavalos, na direcção dos pontos cardeais, procurai a minha amada, mandai ditar prosas pelo chão, dizei avisos, eu esperarei eternamente, a minha tenda, preta de dor, viverá à deriva, nas areias salgadas e ardentes…&lt;br /&gt;Pois que a encontrem, então, por esse mundo fora. E que se não deixem abater, os valorosos cavaleiros do senhor, já que a tenda, a casa, vive de saudade, vive de cantigas, vai constantemente ao encontro de outras paragens, deambulando como louco, vazio e arenoso, calado ausente.&lt;br /&gt;Os olhos pousam nos outros olhos e sempre que esses outros olhos apagam, Pedro, que é Rulfo da parte do pai, crê-se a ele próprio vivo pois que as asas que o impelem, cegas, não têm lugar num mundo como este… sobrevive escondido por detrás das túnicas pretas do deserto, num desassossego de tragafogo.&lt;br /&gt;(Há tantas pequeninas histórias de saudade), olhai, lá parte o comboio, mas, embrulhada num livro, eu bem a vi, o que é que a mim me escapa, eu bem vi, Maria Romaninoff, a pequena princesa russa, embarcando, dona de um vestidinho de lantejoulas brancas, a via láctea pontilhada, carregada ao colo como só ela entrega de mamar ao filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-1451306243460008934?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/1451306243460008934/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=1451306243460008934' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1451306243460008934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1451306243460008934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/oscar-malaga-gallegos.html' title='A Óscar Málaga Gallegos'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-1118280227968790354</id><published>2010-09-18T13:07:00.000+01:00</published><updated>2010-09-18T13:08:53.908+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Do que eu vou lendo...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;(…) E o Homem Mais Forte do Mundo, docilmente, seguiu Dom José, que regressava à sua caravana.&lt;br /&gt;- E qual é o seu milagre, Dom José?&lt;br /&gt;- Saber falar, saber dizer as coisas no momento adequado, é esse o milagre mais importante do mundo, Homem Mais Forte do Mundo, aprende.&lt;br /&gt;- Mas desculpe, Dom José, nisso das indulgências, do milagre, creio que o senhor mentiu.&lt;br /&gt;- Dom José olhou seriamente para o Homem Mais Forte do Mundo, pôs-lhe a mão direita no ombro, sorriu.&lt;br /&gt;- Recorda toda a tua vidinha, a verdade é apenas um problema técnico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Segredo da Trapezista, Óscar Málaga Gallegos, tradução de Jorge Fallorca &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-1118280227968790354?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/1118280227968790354/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=1118280227968790354' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1118280227968790354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1118280227968790354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/do-que-eu-vou-lendo.html' title='Do que eu vou lendo...'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-5146437368227690839</id><published>2010-09-17T16:08:00.001+01:00</published><updated>2010-09-17T16:10:25.489+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>O alforge do Senhor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;António, leva lá o vale à senhora e diz-lhe que é para mim, ela consegue ver-me lá do longe, mas se não, diz-lhe, diz-lhe que é para mim, e então diz o meu nome, repete aqui como terás de fazer lá, e ele dizia o nome, diz-lhe também que eu sou a tua mãe e que tu és o meu filho, e que tens que mostrar este cartão, não te esqueces, este cartão, este de plástico, e com isso calou-se, a senhora, enquanto olhava o filho que lá ia, rezava tanto quanto sempre havia feito, ele há-de ser capaz, ele terá que o conseguir um dia, e lá por dentro, preocupada, Jesus como eu estou velha, como será quando estas minhas pernas de velha não me deixarem vir aqui sozinha, como será a vida deste meu filho que não consegue sequer dizer o meu nome, que não sabe sequer que eu sou a mãe dele; quem a olhasse havia de ver a lágrima que não pôde reprimir, quem olhasse deveria ver a dor. Mas não, os que olhavam, viam apenas sujo, o borratão negro e amolgado.&lt;br /&gt;Ao balcão, o menino, muito a custo, vinha levantar este dinheiro para a minha mãe… eu sou o António e aquela senhora acolá é a minha mãe, é velha e não pode mais dos joelhos, por isso venho aqui eu, por isso estou aqui eu, quer ver, olhe, este é o meu cartão, foi a minha mãe quem mo deu… um sorriso na face da senhora, não preciso, vejo daqui a tua mãe, olha arruma bem o dinheiro e dá um beijinho na tua mãe por mim e diz-lhe que tudo vai correr bem… o menino metia o dinheiro na algibeira mas logo de seguida, desgraçadamente, esquecia tudo, esquecia a mãe e o dinheiro e sem dar acordo de si, descia a rua em vez de a subir para onde estava a mãe; outro pingo de lágrima no olho, a pobre senhora, uma vez mais, gritava e corria e corria e gritava, o meu António, o meu António… e os que olhavam, que viam apenas sujo, um borratão negro, mais amolgado, afastavam-se para dar licença. Segredavam entre eles, coitada da senhora. Porque a casa não era a deles. Deus me livre e guarde. Era o que diziam todos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-5146437368227690839?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/5146437368227690839/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=5146437368227690839' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5146437368227690839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5146437368227690839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/o-alforge-do-senhor.html' title='O alforge do Senhor'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-3719044286140046431</id><published>2010-09-13T17:30:00.001+01:00</published><updated>2010-09-13T17:34:47.777+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>A mexicana maior</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Precisava de mais alguns centímetros! Deus não lhos concedera. A altura e mais uns quantos atributos. Dera-lhe a graça e a destemperança. Emprestara-a ao diabo e por lá a esquecera. A moça, recostada numa mesa de black jack, olhava a mesa e pelo canto do olho mirava-o. O seio arfava, desinquieto, por dentro do espartilho… pesava nas noites anteriores sem sono, cansada, habitava nela um truculento azedume, uma faca rútila, um leve rubor e um fervoroso clamor quando&lt;br /&gt;(Arrancando os pés, empurrava as pernas, esticava-as, media-as, dependurada da cruz, julgando saber… oh deus que me empurraste para a tumba onde mora o diabo… a mão e os anéis, as unhas pintadas de voz, uma garrafa de mescal, uma cinta apertada e na coxa, folhas vermelhas dum Outono irreal )&lt;br /&gt;Tenho medo quando me descubro ao espelho, deve ser afronta quando corro descalça e os cactos me bicam, Espelho meu, espelho meu, haverá alguma mais… há algum tempo se não sentia… interrogativa, nada sentia quando as mãos próprias a tocavam… e o seio mais ainda arfava, comprimido e suprimido ante uma inesperada agudeza do real, num golpe de dor, sombreava os olhos e bebericava os lábios, mordiscando-se piscava-o, surda, ofendida, enforcada. E agora,depois de tantos anos, quando para sempre lhe faltavam uns centímetros, ali na mesa, senhora dum fado viúvo, fortuito, ilharga dura e bamba, que lhe importava se perdesse, se o moço que ela trazia em vista lhas mirasse e as revolvesse, com mãos ambas, de prestidigitador.&lt;br /&gt;Ao diabo o que é do diabo e eu, quadro meu, sei bem o que sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-3719044286140046431?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/3719044286140046431/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=3719044286140046431' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3719044286140046431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3719044286140046431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/mexicana-maior.html' title='A mexicana maior'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-5773272822807981769</id><published>2010-09-12T07:06:00.001+01:00</published><updated>2010-09-12T07:06:41.702+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>Escutar, Reflectir, (Agir)</title><content type='html'>&lt;object width="640" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/vm08kI5FSvw?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/vm08kI5FSvw?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-5773272822807981769?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/5773272822807981769/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=5773272822807981769' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5773272822807981769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5773272822807981769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/escutar-reflectir-agir_12.html' title='Escutar, Reflectir, (Agir)'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-8766360942982021353</id><published>2010-09-12T06:58:00.000+01:00</published><updated>2010-09-12T07:00:49.879+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotografia'/><title type='text'>Porque vivemos demasiado o nosso castelo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TIxsWYcnPpI/AAAAAAAAAlo/fy9uAvJ9AKA/s1600/3+agosto+2010+033.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; 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Nisto há um sujeito pequenino barba burlesca e roupas puídas que dele se acerca… a humanidade tem sopros de genialidade… da mesma forma que a literatura a humanidade não tem preço nem lisonja. A humanidade perde a noção de tempo – e nós… bem nós estacámos e observámos: o que dali saiu. O que dali saiu foi a alma inteira do pequenino raquítico – foram os humores do homem que se espraiaram num discurso pessimista anarca. Ouçamo-lo então:&lt;br /&gt;“Sabes o que é um rei?! Para além dos mantos púrpuras e dos pratos de faisão… para muito depois dos decretos e dos ditames… num reino cercado de arames… Deixe que explique… a natureza é de um virtuoso bêbado… as palavras são mera verborreia – atiçadas ao vento como se fossem da noção da antimatéria… diarreia – um travo de bílis que tosse enquanto solfeja ao ar… sabes agora quem é o rei! Pois sei que sim… sei que sabes… então voltando à carga – qual é a questão seguinte? Como se comporta o homem perante o rei?! A figura da autoridade, a noção de disciplina, a fonte do mal, o poço do diabo, os olhos enternecedores de um pobre diabo dono de uma personalidade insofismável mas em concreto um imbecil, um estúpido, um falhado…há dois tipos de homens… há os felizes pobres! Alvíssaras escravizados imbuídos de um espírito de religiosidade que os calca quantas vezes necessárias… esses arrastam as mãos em concha gaguejando por pequenas migalhas!... aqui e acolá dão os seus tristes e zombeteiros pequenos ou grandes golpes “que bom enganei-o!” sem sequer saber que ele sabe que ele o enganou! Até disso vive o rei… esses são os miudinhos da vida. Os eternos patetinhas… podem atirar aqui e acolá uma sarça mas que não será nunca perene. Falam muito alto. Gesticulam muito e as palavras saltam como enormes pedregulhos sem atingir ninguém. Comem muito. Vivem de barrigas fartas e morrem ao fim de pouco tempo com um acidente de váscula – ups! o azar e o fado, que terra de diamentes!... Destes nada falar. Sabemos como se comportam estes perante o rei. São espezinhados sem que nada de importante volteie em meio… são a alma de deus e dos anjos. O retrato daguerreótipado de minúsculos pontos nitrato de prata! E beras! Encarniçam-se e deitam pequeninas bolhas de sal pelo canto dos lábios! Ou então berram - eu mato-o! Se esse ladrão entrar em minha casa eu mato-o! Eu mato-o! Eu mato-o! Eu mato-o! Ou pelo menos concretizam a ilusão de felicidade do classicismo católico -romano. A beatitude da porta da igreja e da sede do púlpito. A bonança da transmutação das palavras do “pater”, Vivem num “continuum” espácio-temporal animado e benfazejo… vivem num fedor de casco… infelizes os que comungam… O outro tipo de homem é adaga. Punhal. Cala-te e observa. Sente o pulsar da vida. Basta um aguaceiro golpe de espada! Deves ter reparado que agora estou a falar para ti. Sabes se é o rei quem comanda?! Raro. Tem a ilusão de que o faz. Cala-te e observa. E ilumina o teu caminho. Através do caminho do poder – esse poderoso estimulante. Desenreda-te. És actriz. Sê actriz. O teu desejo de palco está a chegar… atrás dos tempos estão tempos. Das derrotas e das quase mortes! E das ressurreições. É para isso que vive entre nós o diabo. É para te conceder essa graça. Tens que decidir do medo que esse Lúcifer te poderá instilar. E esse medo é de eternidade!... a eternidade é a salvação que a figueira te saberá ofertar. Sabes o que é um rei. É um espantalho que serve para meter as hordas em ordem. Sopra medos e mortes mas deixa que o arrebanhem porque é, por si só, um pequenino imbecil. Arregimenta as tropas em parada. Mas é o espírito do pedreiro livre que trabalha nos bastidores. São as luzes da genialidade que lhe dão cor e vigor! Vivem do fogo pálido que irradia. Não. O jogo do poder não se mostra sob a forma de luz, Jaz soturno sob a forma de escuridão no poço da montanha. Revolta. Pára e lê à tua volta. Só tens que viver. Deixa que a adrenalina te sulque as veias. Muito sincero! Sempre que o navio sangra ouve-se um salvo que é o do capitão. Se esse silvo te atormenta então só o sossego te salvará. Se convives com o desassossego então… de nada te salvará fumar faboradas e faboradas de um mufo estéril… São os ditadores que afastam os abutres. Quando espreitam procurando… e o fazem a medo… sugam do medo o momento da morte que infalivelmente os espera. Ninguém precisa dos generais e dos marechais pois esses são os fantoches ao serviço da governação. Ao serviço dos arautos. O rei da nação vai só e os alicerces estão corroídos e podres. Vem vento e borrasca. Em última aragem vingarão os espíritos com aura de espectro. Os alvos a abater. Que acumularam sumo e seiva. Então as asas não lhes escaparão. Os olhos de pássaro intimidam e arregimentam… e tu?, como te comportarás! Como te disporás ante a viragem, Haverá quem te empalideça em governo e voragem? Questão que será a última. Vai ao espelho! Olha para ti. Encontra se faz favor o espectro demoníaco que é a tua aura de espírito. Não vejas a mulher. Procura além do medo para lá dos sons guturais de Maldoror… só então almejarás encontrar. Só então almejarás encontrar…”&lt;br /&gt;Estas e todas as outras estradas foram dali feitas grito e som. Da pequena grande madeira de bancada puída naquele canto naquele minúsculo naquele sortilégio… dali saímos envoltos em “mist” e se por fora praguejávamos por dentro irados e pensativos. Por dentro ruminávamos. Por dentro elefantes ou bois ou algo do género.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-6179707851719532364?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/6179707851719532364/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=6179707851719532364' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6179707851719532364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6179707851719532364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/as-estatuas-famintas-nas-ruas-de-paris.html' title='As estátuas famintas nas ruas de Paris'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-2218995473718866168</id><published>2010-09-08T15:43:00.002+01:00</published><updated>2010-09-08T15:48:40.902+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Do valor das palavras...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Aos paramilitares que estavam a cometer crimes e a matar pessoas, o meu pai sempre opôs as palavras. As que dizia nos seus discursos e as que escrevia no jornal. Eu também não posso vingar-me de uma maneira física, tomar as armas e ser como eles. Só me resta o que me ensinaram a viver em casa: o valor das palavras. É a única vingança admissível.» &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Héctor Abad Faciolince, em entrevista ao Jornal de Letras (Abril 2009)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-2218995473718866168?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/2218995473718866168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=2218995473718866168' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2218995473718866168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2218995473718866168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/do-valor-das-palavras.html' title='Do valor das palavras...'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-7408960376190641695</id><published>2010-09-08T07:03:00.002+01:00</published><updated>2010-09-08T07:10:25.635+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>A casa inquieta, a José Donoso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando acordou, ainda mais cansada, logo estranhou a ausência de ruído. Esteve um esgar de tempo com o olho esquerdo aberto e a orelhita à escuta, após o qual, já amedrontada, ergueu a cabeça. E o gato, por onde estaria? Destapa-se e cobre o corpo com o robe, este silêncio, querem ver que o mundo comeu todo o ruído? Da janela que abria dava para ver lá ao fundo a estrada que, àquela hora já corria ufana na chusma de automóveis. Pois bem! Não é que nem um. Atravessou-a um momento de medo intenso, agonia, sentar-se-ia e restabelecer-se-ia. Cinco minutos, cinco dias, quem haveria de saber dizer quanto tempo!… chega à porta da rua e na rua, as árvores, frondosas, floridas, um cheiro que inundava o espaço, barulho das abelhas, nada, barulhos vários, népias, apreensão. A mão dá para pegar no telefone e, quando o descobre mudinho da silva, vê, na rua, Wenceslao, o crítico perigoso, derrubar com um tiro certeiro o ardina. Estranha que não ouça o silvo dos carros da polícia. Estranha não ter ouvido a bala, estranha que a tenha visto, estriada, a caminho. Então lembra “o legado de ruínas de Don Adriano”. Fechou a porta da rua à chave, correu a correr as persianas e no escuro calmo da selva, estranhou; chegou o reino das trevas. Permanece atenta, sob ameaça, deixa que o tempo passe, envelhecida, esfomeada, ouve Tomás, lambendo-lhe a mão, aninhado, os olhos arregalados, a cauda quieta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-7408960376190641695?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/7408960376190641695/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=7408960376190641695' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7408960376190641695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7408960376190641695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/casa-inquieta-jose-donoso.html' title='A casa inquieta, a José Donoso'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-7065245578878405806</id><published>2010-09-07T11:42:00.000+01:00</published><updated>2010-09-07T11:44:47.622+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>En garde</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Anita é bonita de olhar, especialmente à noite, enquanto as estrelas zunem e ela se desatralaçava e esticava as mãos para o céu, como se as tocasse. Tocava-as, oh se as tocava porque ficava envolta numa claridade de alegria, era embarcar em Anita e era mágica a noite que, com Anita, olhávamos o céu. Então dizíamos sobre o mundo e sobre a idade adulta, então era tudo belo, sem frio ou pedras ou ainda poços, era tudo fácil e reluzente, como farei quando esquecer, já velho e só, as noites e os fins de tarde, na praia, com Anita. O modo como ela sorria e apartava areia entre os deditos, o modo como esticava as pernas até se quedar imóvel, entre a imensidão.&lt;br /&gt;Certo dia, fim da tarde, chegou-se com a seguinte… che, porque não acreditas nos vivos! Eu fiquei embasbacado olhando-a… isso é mesmo teu Alice! Olha, estás a ver estas ondas de mar que te enrolam os pés… diz-lhes que cessem! Tenta. Não posso, o mundo perderia metade do gozo, não sabes que as pequenitas borbulhas de mar me massajam… És impossível, as ondas do mar por uma massagem aos pés? Uma massagem até eu ta fazia… não, o que eu queria dizer, é que a preia mar e a maré vaza, existem, tal como o caminho dos homens… então mas que tem isso a ver com os vivos? Pois, que mais queres que te diga, como acreditarei em vivos que se comportam como se a vida não fosse responsabilidade deles… Então Alice mete-se de pé à minha frente, flecte um pouco as pernas e hasteia o braço direito, como se empunhasse uma espada ou um florim… &lt;em&gt;en garde&lt;/em&gt;! Não sou eu quem te desafia, é a minha espécie, profundamente zangada com a tua… depois rebolou na areia e por toda ela, ficaram coladas milhares de areias de quartzo que reluziam ao sol. Viajou até mim, mirabolante, a imagem de uma terra de mil e um pirilampos, uma auréola perfeita, doce algodão doce, os cabelos ruivos da pipi anunciando tanta coragem… não Che! Não acredites, eu não sou assim tão coragem. Mas ainda assim, vamos rasgar caminho e cheguemos a nado, ao farol. O mar é meu amigo e nada receies pois a uma palavra minha, não só faço parar a maré como a vazo até lá longe, à luz onde só bule, rodopiando, essa luz Alexandria, que se lê folha a folha…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-7065245578878405806?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/7065245578878405806/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=7065245578878405806' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7065245578878405806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7065245578878405806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/en-garde.html' title='En garde'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-3149171436024348001</id><published>2010-09-06T10:15:00.003+01:00</published><updated>2010-09-06T10:19:04.485+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeo'/><title type='text'>Escutar, reflectir, (agir)</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/1bQmT1EM0Eg?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/1bQmT1EM0Eg?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvido e retirado daqui: http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-3149171436024348001?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/3149171436024348001/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=3149171436024348001' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3149171436024348001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3149171436024348001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/escutar-reflectir-agir.html' title='Escutar, reflectir, (agir)'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-3190807142696008550</id><published>2010-09-06T07:05:00.002+01:00</published><updated>2010-09-06T07:08:36.341+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Por enquanto mama, o filho de Cristo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De dentro da caleche, sumptuosa, olhava-se de uma maneira indigente os campos de trigo. Há já uma hora, corriam, à velocidade, os caminhos dos campos, infindos, monótonos, do trigo. Tudo pertença da propriedade. E diz a matriarca&lt;br /&gt;(falando para se fazer ouvir, talvez incomodada com a ausência)&lt;br /&gt;um dia, herdarás tudo isto… e logo um silêncio, prolongado, tomava conta do espaço. Lá por fora, o cocheiro, aprumado, impecavelmente vestido de limos e gomos, arribatava os cavalos Os donos estão com pressa… E diziam os cavalos ora! O que eles querem é passar os campos, onde mora tanta abastança e onde as mulheres vão parir às traseiras, de pé, sem largar da mão as panelas e a esfregona… medo! Já que dos campos amiúde se levantam almas mortas, como insurreições, impossível contê-las.&lt;br /&gt;Lá dentro, de novo na caleche, o patriarca, saturnino, escondia uma pequenita pistola e pretenderia fazer-lhe colar a vida, muito embora roubasse tantas, tão desgraçadas… olhava o filho, com uma mistura de ares que iam desde o snob, das roupas cuidadas, ao imbecil, que lhe advinha do lábio caído e do olhar apagado. Explodia! E pensava para ele que não teria a quem deixar administrar tanta terra, o pequeno nem as letras aprenderia… a matrona, sentada do lado dele, completava o pensamento… mas que vergonha, que dirão dele as outras famílias!&lt;br /&gt;(Oh pai, pois compreendo que te amedrontes! Não se matam as almas mortas)&lt;br /&gt;E contudo, os cavalos, alados, puxavam a caleche ao fundo do vento… suados, protegiam-se, na primeira malaposta manda a mensagem, o trigo está já maduro! O filho de Madalena já nasceu. É um latagão bonito, saudável que já caminha pelo seu pé. E não sente medo das trovoadas.&lt;br /&gt;Aparentemente afastado de tudo isto, o cocheiro, esse condutor, olhava os cavalos e sabia que eles conversavam, pois sabia, mas escondia e em silêncio sorria…&lt;br /&gt;A tarde, desse amendoado odor, recolhia, da mesma forma que o caminho, a estrada púrpura, sedosa, ameaçava parar, cessar, cortar, para dar voz ao poder… essa espécie de poesia do trabalho, que convida, sem convidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-3190807142696008550?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/3190807142696008550/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=3190807142696008550' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3190807142696008550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3190807142696008550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/por-enquanto-mama-o-filho-de-cristo.html' title='Por enquanto mama, o filho de Cristo'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-7346886130192754848</id><published>2010-09-04T18:01:00.001+01:00</published><updated>2010-09-04T18:03:06.223+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa poética'/><title type='text'>Eu hei-de amar uma pedra, poemários</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas tuas mãos duas um coração. Poucomaisqueanelembasalto. E as praias que borbulham segredos ao fim da tarde, as vidas que enlaçam como círculos, num nunca mais parar de costa… É do mar que vem um enorme espelho? É do mar que chega um sonoro sopro? Um bafo de escadas ao fim das quais a língua de areia que te espreita as pernas. Uma praia escrita poema. Tal como a luz. E por força dos olhos, a foto. Um pungente abraço. A água fria que cristalina a epopeia e torna escuro o chapinhar vermelho, de tuas algas, de teus cabelos. Esse coração de xisto, preso entre teus dedos deambulara, perdido, antes e depois do tempo. Guardaste-o? Gosto. Gosto do coração que segura as mãos. A foto que fecha a foto é isso mesmo, uma moldura de basalto com forma de Marão. Milhões de anos antes…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-7346886130192754848?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/7346886130192754848/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=7346886130192754848' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7346886130192754848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7346886130192754848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/eu-hei-de-amar-uma-pedra-poemarios.html' title='Eu hei-de amar uma pedra, poemários'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-1619804868623046735</id><published>2010-09-04T06:46:00.001+01:00</published><updated>2010-09-04T06:47:58.352+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Casa de campo - José Donoso</title><content type='html'>(…) Vais para o torreão?&lt;br /&gt;- Vem comigo.&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Porquê?&lt;br /&gt;- Porque a tua voz treme.&lt;br /&gt;- Parece-me que tenho motivos de sobra.&lt;br /&gt;- Por causa daquilo a que as pessoas chamam esperança?&lt;br /&gt;- Sem dúvida.&lt;br /&gt;- Não creio que gostasse de sentir esperança, se isso me tornasse tão vulnerável como te torna a ti.&lt;br /&gt;- Se uma pessoa não sente esperança, Arabela, fica fria e só durante toda a vida e quando chega a idade de se entregar a alguém ou a alguma causa, não consegue fazê-lo.&lt;br /&gt;- Eu entreguei-me à causa de os afastar daqui e no entanto desconheço a emoção que te embarga.&lt;br /&gt;- Pergunto-me se um rancor como o teu, móbil em si respeitável porque bem fundado, pode ser cimento da esperança.&lt;br /&gt;Arabela não precisou de pensar para responder:&lt;br /&gt;- Não, mas ao impulsioná-los, por rancor, a empreenderem esta excursão e a perderem-se nesta miragem, junto-me à tua esperança sem partilhar o teu projecto. (…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casa de Campo, José Donoso, Cavalo de Ferro, tradução de Sofia Castro Rodrigues e Virgílio Tenreiro Viseu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-1619804868623046735?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/1619804868623046735/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=1619804868623046735' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1619804868623046735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1619804868623046735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/casa-de-campo-jose-donoso.html' title='Casa de campo - José Donoso'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-5079634910232250521</id><published>2010-09-03T07:07:00.001+01:00</published><updated>2010-09-03T07:10:10.387+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Ouma (personagem pedida emprestada a J.M.G Le Clézio)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ouma nasceu indígena da ilha grande das Maurícias… fez-se mulher morena, de longos cabelos lisos, que lhe escondiam a face e que floresciam ao vento. Nunca aprendera a escrever nem a ler! Nunca aprendera a falar (o dialecto do homem branco, convém que nos entendamos!) Vivia, quando não ventava perigosamente do mar, sob a falésia, alta, olhando-o, tacteando-o que chegavam e partiam vapores, foi e é assim desde sempre…&lt;br /&gt;Porém, Ouma, única, pois era só ela que conduzia o rebanho para a falésia. Algo a queria ali. Algo a não tolerava ali. Garatujava num linguajar muito parecido com o vento e os murmúrios da ilha, houve um dia, um dia em que o mar estaria excepcionalmente calmo, houve um dia em que Ouma se atirou da falésia. Morresse, as cabras dariam selvagens pois já pouco lhes faltaria. Salvasse, e nadasse, teria algum barco que a recolher e teria algum homem que lhe dar de comer. Aprenderia a falar (esse dialecto banco!).&lt;br /&gt;Muito tempo se passou e Ouma não morreu e Ouma encontrou o tal barco e Ouma cabelos vagos de porcelana, navegasse…&lt;br /&gt;Vento&lt;br /&gt;Noite&lt;br /&gt;Vento e noite…&lt;br /&gt;Vinte anos mais tarde, bem vestida e bem instalada, já dona de uma caligrafia de princesa e de uma casa ilustrada, Ouma recordaria o dia em que mergulhara nas águas do oceano. E então, tendo já passado pela vida, estaria arrependida, sentindo saudades… se pudesse uma vez mais ouvir relatos da falésia, nas Maurícias, e pergutasse às cabras, por certo, nos dias tempestuosos, quando por dentro do ar há uma redoma de calma, ficando a culpa e a maldade postas de parte, haveria de olhar e ver, não as rugas e a pele quebrada mas os cabelos soltos e os pés de aluvião…&lt;br /&gt;Mais vento&lt;br /&gt;Mais noite&lt;br /&gt;Dor&lt;br /&gt;Demasiado tempo se passou e Ouma, mulher morena, pálida, acabaria por perder a vida entregue a um delírio, desgosto de falta de mar e de sol. Terá sido, talvez, o diabo quem a tentou aquando do salto A água, bebere-a do poço e os candelabros, os candelabros envidraçavam os quartos e a banheira Ouma, morena, era frequentemente vista ao longe, muito alva, enlouquecida, nua do seu rebanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-5079634910232250521?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/5079634910232250521/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=5079634910232250521' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5079634910232250521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5079634910232250521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/ouma-personagem-pedida-emprestada-jmg.html' title='Ouma (personagem pedida emprestada a J.M.G Le Clézio)'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-4555812018531452034</id><published>2010-09-02T05:40:00.001+01:00</published><updated>2010-09-02T05:42:04.201+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Madalena no comboio de mercadorias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Caída a noite e estabelecido o silêncio, a serra acomodar-se-ia por detrás da vida e os olhos, os olhos dele voltariam ao escuro, rápido, do fundo… há madrugadas que levam olhos mais além, curtos manifestos de amizade, pequenitas lembranças e estradas secundárias, os lugares vagos, a serra sabe-o tão bem. Louros? Em meio de noite calma propicia reprodução. Pirilampos dançam para aí aos molhos anunciando as grávidas. Vagar. Dantes, por detrás do meu quintal, passavam comboios de mercadorias, comboios que, por instantes me arrastavam entristecido. Hoje esses comboios transmutaram-se em serranias pedregosas, nas madrugadas fundas e nas barrigas das grávidas. Lentamente, cresce o bulício aos lados do nascente, ao horizonte. Querubins do senhor. Lentamente ela, uma pálida personagem, afasta o mundo com a mão e conduz o bando de latidos com o cajado. Ele, ermitão, deitar-lhe-ia um beijo ao saco. E esse tanto é tudo pois que nem um céu por entre a terra nem a terra entre o céu. Até os querubins o sabem. Cristo, se vagueando entre as estradas secundárias, deveria procurar Madalena, a morena alta e cigana, a dos pés bonitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-4555812018531452034?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/4555812018531452034/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=4555812018531452034' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4555812018531452034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4555812018531452034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/madalena-no-comboio-de-mercadorias.html' title='Madalena no comboio de mercadorias'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-321892935403958622</id><published>2010-09-02T04:59:00.000+01:00</published><updated>2010-09-02T05:02:27.472+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotografia'/><title type='text'>Porque vivemos demasiado o nosso castelo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TH8hsVeGmpI/AAAAAAAAAlY/hHBupFRNHBY/s1600/101_0336+-+C%C3%B3pia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TH8hsVeGmpI/AAAAAAAAAlY/hHBupFRNHBY/s400/101_0336+-+C%C3%B3pia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5512161514486143634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-321892935403958622?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/321892935403958622/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=321892935403958622' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/321892935403958622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/321892935403958622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/porque-vivemos-demasiado-o-nosso.html' title='Porque vivemos demasiado o nosso castelo'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TH8hsVeGmpI/AAAAAAAAAlY/hHBupFRNHBY/s72-c/101_0336+-+C%C3%B3pia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-2323561167519804952</id><published>2010-09-02T04:57:00.000+01:00</published><updated>2010-09-02T04:58:09.337+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Sá de Miranda</title><content type='html'>Desarrezoado amor, dentro em meu peito&lt;br /&gt;Tem guerra com a razão, amor que jaz&lt;br /&gt;E já de muitos dias, manda e faz&lt;br /&gt;Tudo o que quer, a torto e a direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não espera razões, tudo é despeito,&lt;br /&gt;Tudo soberba e força, faz, desfaz,&lt;br /&gt;Sem respeito nenhum, e quando em paz&lt;br /&gt;Cuidais que sois, então tudo é desfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutra parte a razão tempos espia,&lt;br /&gt;Espia ocasiões de tarde em tarde,&lt;br /&gt;Que ajunta o tempo: enfim vem o seu dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então não tem lugar certo onde aguarde&lt;br /&gt;Amor; trata traições, que não confia&lt;br /&gt;Nem dos seus. Que farei quando tudo arde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sá de Miranda -&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-2323561167519804952?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/2323561167519804952/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=2323561167519804952' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2323561167519804952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2323561167519804952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/sa-de-miranda.html' title='Sá de Miranda'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-8546159430284591982</id><published>2010-09-01T20:03:00.004+01:00</published><updated>2010-09-01T20:11:32.069+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Amanhã amanhecerá cinza</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há barricadas nas estradas da minha terra, estão a matar pessoas, estão a matar crianças, e eu aqui tão longe, e eu aqui chovendo, são os pobres os que perdem primeiro o futuro, são os países pobres os mais pobres dos pobres, a minha terra em chamas, o meu chão em chamas, e eu que envelheço e eu que envergo luto e eu que falo sem que alguém me ouça, será agora noite na minha terra, será agora noite escura pintada de vermelho de balas, eu, por enquanto, encolho os braços e recolho a voz, porque, lá tão longe, as mortes, as crianças e os berros, não os ouço. Amanhã amanhecerá cinza, uma cinza de vergonha, nos olhos e nas mãos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-8546159430284591982?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/8546159430284591982/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=8546159430284591982' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8546159430284591982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8546159430284591982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/amanha-amanhecera-cinza.html' title='Amanhã amanhecerá cinza'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-4509642632773409083</id><published>2010-09-01T19:59:00.001+01:00</published><updated>2010-09-01T20:10:39.033+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Que a tua mãe te fugiu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dei-lhe cabo do canastro… E cirandou pela suja rua. Acompanhêmo-lo pois que deu um pontapé na bolita verde ali esquecida dalgum outro miúdo.&lt;br /&gt;(A minha mãe…)&lt;br /&gt;Seguia descendo a avenida! Pára um carro, presa fácil, do carro abrem as portas e, num instante, cá fora, o estupor que lhe batia. Edgar via. Correu a pegar numa pedra.&lt;br /&gt;(A minha mãe?)&lt;br /&gt;E depois uma nuvem, pousaria a pedra e choraria, encharcar-se-ia de afectos e de cigarros… a mulher jazia inanimada, corpo mole, grassado, negro em bocados redondos… Quando parou de chorar, adormeceria, vazio, uma vez mais fumando, cessando&lt;br /&gt;(A minha mãe?)&lt;br /&gt;A escura dor diria a tua mãe fugiu-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-4509642632773409083?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/4509642632773409083/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=4509642632773409083' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4509642632773409083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4509642632773409083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/que-tua-mae-te-fugiu.html' title='Que a tua mãe te fugiu'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-1124129592518683881</id><published>2010-09-01T11:30:00.001+01:00</published><updated>2010-09-01T11:32:14.265+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>O túnel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os homens estão cá todos? Todos. Todos têm com que trabalhar? Bem, então que comecem… a partir de hoje só se pára a empreitada ou quando estiver completa ou quando algum morrer e mesmo neste último caso, pára apenas durante as exéquias. Temos que reunir os homens, Homens: vamos estabelecer um horário de trabalho, Que seja com a conveniência de todos, para que seja com os braços e os pulmões e a fraternidade. Então o túnel fazer-se-ia. Operários. Donos deles próprios. Esmagados ante o peso das pedras e dos martelos… toc, toc, toc, toc… Moreno era o capataz… os homens confiavam… suportavam-no… era Jeremias o segundo comandante… os homens pediam-lhe de beber, quando estavam esquálidos de sede, pediam-lhe de comer, quando se sentiam esquartejados de fome, os homens enfarripavam as mãos uns dos outros, perdiam menos sangue, e assim foi durante mil anos, mal passavam a ombreira do túnel, ele deixava de ter tempo, lá dentro, nem os homens envelheciam, nem a pedra partia… só o sangue e as lágrimas corriam a rodos como se numa festa corresse cerveja. Mas não. Os homens não estavam numa festa. Antes Moreno, à boca do túnel, para Jeremias! Sabes como era Moisés? Lembras? Atendia a todos. E como morreu? Sozinho enfiado no catre, só deram com ele quase uma semana depois, o homem já fedia… tenho medo, embrenhamo-nos na terra e mais fundo na pedra, e se andamos lá por baixo às curvas, perdidos? Pior, e se lá embaixo, damos de caras com esse valdevinos desse belzebú? O que diria Moisés se aqui estivesse? Ora o que diria? Que cavassem fundo, ora o que diria, foi assim que ele morreu? Há sacrifício maior que a morte, eu cá não conheço. Apagaram-se os cigarros e os dois homens ficaram no escuro da noite. Ao fundo, sentiam os cães latir e milhares de vozes, excitadas, que os avisavam. Lá bem no fundo, aqueles dois homens saberiam que a abertura do túnel, mais do que a eles, iria libertar os mortos, as almas clementes que não conseguiriam nunca outro caminho para a salvação. Isso é o bastante ou não Jeremias…&lt;br /&gt;Os carvalhos haviam deitado fora a folha e na penumbra, surgiam como fantasmas que rangiam… ninguém lhes tinha medo, os dois homens voltaram-lhes as costas e, já no caminho do fundo buraco, toc, toc, toc, num compasso de eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-1124129592518683881?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/1124129592518683881/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=1124129592518683881' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1124129592518683881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1124129592518683881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/09/o-tunel.html' title='O túnel'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-5981169553219652445</id><published>2010-08-31T18:29:00.003+01:00</published><updated>2010-08-31T18:36:57.654+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevistas'/><title type='text'>Manuel Hermínio Monteiro: a entrevista ao DNA em 2001</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O DNA (suplemento do Diário de Notícias) de 12-05-2001 publicou aquela que penso ter sido a última entrevista dada por Manuel Hermínio Monteiro, o editor da Assírio &amp;amp; Alvim, que viria a morrer em Junho desse ano. Foi uma longa entrevista, conduzida por Anabela Mota Ribeiro. Deixo-a aqui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa seguinte aconteceu numa destas tardes de sol. Do sol radioso que encharca de esperança os primeiros dias da Primavera. Manuel Hermínio Monteiro, o mítico editor da Assírio &amp;amp; Alvim, refastelou-se no sofá para desfiar o novelo da sua vida cheia. Como ele diz, logo no começo, a ponta pode ser a que nos aprouver que há-de sempre dar no mesmo.&lt;br /&gt;Decidi começar por um lugar que cruzava as palavras e as memórias, umas e outras em catadupa. Um lugar que é talvez o mais belo recanto do Douro. E por isso de Portugal. E por isso do mundo. Conheço esse sítio há muito porque me fiz, também, em terras transmontanas. O que, como perceberão, tem a sua importância. A marca da terra, espessa, fez-me assim, fê-lo assim.&lt;br /&gt;Esta é a vida de um transmontano, um transmontano de boa cepa. Calha de haver uma flor maligna que lhe traga a carne. Até ver. Como ele dizia, quando pela primeira vez o vi depois de saber, «Estou bem», embrutecendo o tronco, referindo-se à força, à robusteza.&lt;br /&gt;A seguir, que é para isso que servem as introduções, têm a vida deste homem. E dentro dela a vida toda.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Começamos por onde?&lt;br /&gt;- Sei lá. Como a vida anda às voltas, pode ser por qualquer lado.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A vida anda às voltas?&lt;br /&gt;- Muitas. A minha é uma vida muito cheia.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Podemos começar por S. Leonardo de Galafura, o recanto do Douro escolhido por Torga, que, presumo, conheça.&lt;br /&gt;- Conheço. Dizem-me agora que na encosta contrária ainda há outro miradouro mais bonito, S. Salvador.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O seu lado do Douro é o do Pinhão.&lt;br /&gt;- A minha terra é mais para o interior, perto de Murça. Alijó. Do meu lado vejo Favaios, Sanfins, Vilar de Maçada.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Nasceu na aldeia, em Parada do Pinhão. Viveu lá até que idade?&lt;br /&gt;- Fiz lá a Primária. Vivi no século passado, posso dizê-lo. Vi chegar a electricidade, a rádio, a televisão.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Era um outro tempo para o país, e sobretudo para o interior.&lt;br /&gt;- A escola era uma mesa muito grande numa sala; em bancos corridos estavam numa pontinha os meninos da primeira classe e na outra ponta os da quarta, alguns já com 17/18 anos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Passavam directamente do campo para a escola?&lt;br /&gt;- Andavam ali a arrastar. Uma vez um contou que a professora lhe tinha dito: «Se fizeres os deveres, vais amanhã dormir comigo». Ele chegou ao pé da mãe e disse: «Ó mãe, dá-me umas cuecas novas que amanhã vou dormir com a professora!» Ainda levou nas orelhas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A professora era quem? Uma moça da aldeia?&lt;br /&gt;- Comecei com uma professora que levei até ao fim. Marcou-me muito e ainda hoje a recordo com muita saudade. Vive agora em Cascais, chama-se Lúcia. A minha professora deve ter sido das primeiras do Magistério; as outras tinham a quarta classe. Logo a seguir inaugurámos uma escola nova. Excelente, a escola, com entrada em arco, azulejos à volta, e tal.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A professora Lúcia acompanhou a sua escolaridade primária. Onde eu queria chegar era à sua primeira relação com as palavras.&lt;br /&gt;- Deve-se muito a ela. Uma relação de encantamento. O que é extraordinário é que andamos sempre à procura. Do Graal, às tantas. Antes de irmos para a escola estamos num estado absolutamente delirante. Eu já sabia os reflexivos, os pronomes, as preposições…&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Como é que já sabia?&lt;br /&gt;- Era uma música. Ouvia os mais velhos e decorava.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Ouvia-os do recreio?&lt;br /&gt;- A escola era mesmo no meio da aldeia, ouvia cá de fora e depois perguntava aos mais velhos. Quando vamos para a escola, imaginamos que vamos aprender coisas. Uma ansiedade. Como depois temos quando vamos para o Liceu; julgamos que ali é que vai ser a sério. Depois, a Universidade é que vai ser a sério. Para chegar à conclusão que andamos permanentemente à procura de qualquer coisa que não existe. Tal e qual como a felicidade.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A felicidade não existe?&lt;br /&gt;- Com a idade vamos percebendo que a felicidade é uma aquisição muito delicada, muito trabalhosa. Esgaravatar uma mina, mexer muita terra, muita pedra, e depois, de vez em quando, lá aparece um bocadinho de minério. A felicidade também é assim. São momentos fulgurantes, extraordinários, mas não existe em estado puro. Nada existe nesta vida em estado puro.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O que é que se pode retirar dessa lida diária?&lt;br /&gt;- Mas é isso, é o trabalho diário, é a busca. E talvez sim, talvez se consiga. A consciência disso leva-nos a valorizar cada vez mais esses momentos, esses pedaços de cintilância. Isto vem a propósito?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Da aldeia, dos parcos recursos.&lt;br /&gt;- Como é que com pouquíssimos livros… raramente víamos um livro, uma imagem.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Não tinham livros em casa?&lt;br /&gt;- Não. E não tínhamos ainda televisão, éramos muito virgens em termos de imagens. A cultura era muito interessante; desde cantares, guitarras, uma forte tradição do teatro, festa feitas conjuntamente – havia laivos de comunitarismo permanentes. Ao mesmo tempo a aldeia fechava-se, como se um medo a rodeasse, «Fulano de tal ainda não chegou à terra?». Imaginavam-se coisas completamente loucas, derivadas também das casas onde o vento soprava pelas frestas, o soalho rangia, a luz da lareira era móvel, parecia que estávamos em empurrões de barcos. Isto a juntar àquela imaginação alucinante, como ainda é lá em cima, do maravilhoso celta; ou, para não sermos tão caros, a imaginação do próprio meio que fermenta coisas – uma vez que ainda não havia esta dispersão que há hoje.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Qual era o seu ponto de observação e participação nesta vivência comunitária?&lt;br /&gt;- Tinha uma experiência muito colectivizada porque a minha avó tinha um forno onde as pessoas iam fazer o pão e o meu avô tinha um grande alambique onde se juntava o pessoal todo, com a concertina, e mais não sei quê.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O que representava a sua família na aldeia?&lt;br /&gt;- Eram camponeses. O meu pai e a minha mãe casaram cedíssimo, a minha mãe com 16, o meu pai com 18, dois miúdos filhos de volframistas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Naquele tempo eram comum casarem tão cedo e terem filhos logo depois.&lt;br /&gt;- Nasci um ano depois. Tive sempre os meus pais muito novos e uma família muito numerosa: muitas tias, muitas primas, em idade casadoira. Lembro-me bem dos vestidos delas, muito vaporosos, de se pentearem. A minha tia tinha raparigas que iam para lá aprender costura. Um gineceu fortíssimo, sempre a ser esmagado por abraços apertados.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;E gostava ou não?&lt;br /&gt;- Às vezes apertavam-me demais, já fugia. Mas na verdade sentia-me um reizinho. São coisas que nunca mais se esquecem: a pressa para irem à missa, os dias de sol, a luz da Primavera.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Num dia claro de Primavera, como é este, é isso que rememora?&lt;br /&gt;- Lembro-me muito da minha infância. É uma espécie de película impressionável: o que fica ali registado, marca muito, muito mesmo. Tive a felicidade de ter uma infância completamente rural. O meu avô ia podar, levava-me com ele, deitava-me no casaco dele. Nessa altura, que é das primeiras ervinhas e flores, enquanto ele cantava aquelas canções, o Pinhão vinha com fragor por ali abaixo, e sentia os lampejos do sol nos açudes. Para um miúdo de sete anos, isto era uma coisa fabulosa. Acordar num casaco a cheirar a tabaco – o meu avô fumava onça – e ficar a olhar. Ficar com as florzinhas em primeiro plano, ver o mundo mais rasteirinho. Nunca mais esqueci. De tal maneira que ainda hoje a maior parte dos meus sonhos são: águas límpidas, rosas, pereiras floridas, o meu pai a mostrar-me sítios por onde passávamos quando íamos à feira.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Respira, assim, um tempo que já não existe. Como é que sai da aldeia?&lt;br /&gt;- Apareceu a hipótese de ir para um colégio de Salesianos, com as duas vertentes, para padre ou não. Ficava em Arouca, num antigo convento, sinistro. Fui logo a seguir à quarta classe, com dez anos. Nunca tinha saído lá de cima, nunca tinha visto o mar.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O seu mundo era a aldeia, e os campos à volta.&lt;br /&gt;- E as romarias, e as feiras: a Sra. da Pena, a Sra. da Saudade, a Sra. Da Piedade. Adorava, adorava aquilo. Conhecia outras aldeias. Mas, naquele tempo, íamos a outra aldeia sempre com o risco de levar uma pedrada. Para irmos a Justes – as terras ali mais perto eram Justes e Vilar de Maçada, que é a terra do [José] Sócrates – fazíamos uma aventura extraordinária, com um cuidado extremo.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Onde lhe parece que radica essa incrível rivalidade?&lt;br /&gt;- Talvez sejam reminiscências de castreja, não percebo de outra maneira. Agora está melhor, há mais circulação, carros vão e vêm.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Há a televisão.&lt;br /&gt;- E as comunidades dissolveram-se, com a emigração, por exemplo. Hoje, na minha aldeia, há uma geração jovem muito civilizada, educada, que estuda e circula. Organizam-se para o teatro, para o futebol, têm um grupo coral, até já gravaram um cd. Na altura, eram ódios terríveis. Isto é uma conversa de Antropologia que dava para irmos por aí fora.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A aldeia era visitada por almocreves, ou havia uma venda onde coincidia o café, a mercearia, a farmácia, etc?&lt;br /&gt;- Existia uma economia natural, de trocas directas. Nas feiras trocavam-se sacholas por feijão.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Os seus pais trocavam o quê?&lt;br /&gt;- O que tinham: milho. O meu pai tinha algum dinheiro, mas muito pouco, porque tinha explorações de resina. Está bem que o meu avô vendia aguardente e teve muito dinheiro no tempo do volfrâmio, tinha certa produção de vinhos, e o vinho sempre se vendia. Mas imperavam as trocas directas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A relação era muito mais desprendida com os objectos. Quer trocas eram as suas?&lt;br /&gt;- Nós só jogávamos ao botão.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A sua primeira namorada era da aldeia?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Eu recordo os quilómetros que os namorados faziam para encontrar ao domingo a namorada, que vivia noutra aldeia, para, no fim, ficarem uma hora a falar na berma da estrada.&lt;br /&gt;- Uma vez inventaram-me um namoro, que nem era verdade!, em Sanfins, os sacanas, já andava no colégio Almeida Garrett. Levaram-me à fonte e tive de pagar um garrafão de vinho ao pessoal! Mergulharam-me a cabeça para ser adoptado.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Uma praxe. E nisto já estamos no Porto.&lt;br /&gt;- Depois da Primária, estive dois anos nos Salesianos, em Arouca, e depois perto de três perto de Coimbra, onde completei o quinto ano.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Quando foi para os Salesianos, era para ser padre?&lt;br /&gt;- Digamos que tinha uma certa tendência. Por uma razão simples: numa aldeia, neste contexto de que lhe falo, o que produzia um fascínio, fascínio, fascínio, era a religiosidade.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O que era tão fascinante?&lt;br /&gt;- Para já, havia um delírio religioso, mesmo que não fosse ortodoxo. A presença da bruxaria, do sobrenatural, do Além. Antigamente vivia-se nesse mundo. E pessoas que não mentiam (homens de uma verticalidade, de uma palavra dada…) viam coisas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Também via coisas?&lt;br /&gt;- Uma vez estendia a mão para tocar numa senhora que julgava que estava ao meu lado. Imagine o que eram aquelas eiras quando no Verão ficávamos a olhar para o céu, a imaginar o que era o mundo, a chegar lá apenas por intuição. Então, o mundo da igreja, os bastiadores dos altares…&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Chegou a ser acólito?&lt;br /&gt;- Ajudar à missa? Montes de vezes.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Não estou a vê-lo feito papinho de anjo…&lt;br /&gt;- Nos Salesianos, onde cheguei todo sujo do carvão do comboio, nunca consegui ser dos bens comportados.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Demorou quantas horas a chegar?&lt;br /&gt;- A primeira vez que fui, ainda não tinha chegado à Régua, perguntei: «Ainda falta muito para chegar ao Porto?». Era preciso meter água, era preciso meter lenha, depois manobras à esoera do outro. Mas também eram uma animação, aqueles comboios. Concertinas, gaitas de beiços, comezainas, garrafões, tipos a contarem anedotas, tipos a venderem romances de cordel.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Viu o «Rio do Ouro» do Paulo Rocha? É disso que está a falar?&lt;br /&gt;- O ambiente era ainda mais denso. Entrava uma mulher com cerejas, ia de Godim à Régua: dava logo cerejas ao pessoal. Dava! Vender, vendiam bilhas de água, regueifas, todo um conjunto de coisas ao longo da linha. E um calor infernal.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Como por lá se diz, «Nove meses de Inverno e três meses de Inferno». Para não perdermos o fio à meada, aterra no colégio sozinho. O normal era que os miúdos fizessem a quarta classe e ficassem por ali. Como é que se decidiu que continuaria os seus estudos?&lt;br /&gt;- Conheciam um padre salesiano ali perto, o padre Álvaro, que perguntou ao meu pai, «Porque é que ele não vai?, tal tal tal..» Já estava decidido que ia estudar, tinha um jeitinho, portava-me bem nas aulas. Eu queria ir, e gostava, embora sofresse como um cão. Com saudades, chorava que era uma coisa doida.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Cortou com o universo encantatório da infância.&lt;br /&gt;- Diziam-me «Mas vai-te embora»; mas por outro lado cria-se uma relação com os amigos e há o orgulho, não se quer ir para trás. É um desafio. O meu avô dizia «Como é que o rapaz está lá naquela coisa dos padres?, sem lareira e sem vinho!» (sorriso).&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Davam-lhe sopas de vinho?&lt;br /&gt;- Não, mas às escondidas o meu avô dava-me às vezes um bocadinho de aguardente, tinha a mania que já era um homenzinho.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O que é que mais gostava no contacto com as palavras, de ler, de escrever?&lt;br /&gt;- Ah, o que eu mais gostava era de contemplar. E ouvir os velhos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Pela sua professora, tinha uma paixão?&lt;br /&gt;- Tem-se sempre. Ainda me lembro das saias dela!&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A sua memória é prodigiosa.&lt;br /&gt;- Dessa coisas da infância, lembro-me bem, mais do que das coisas de agora. As saias, os gestos, o ir buscar as cartas do namorado ao correio.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Os seus pais ajudavam-no nos trabalhos de casa?&lt;br /&gt;- Sabiam ler e escrever, mas não me ajudavam. O meu pai adorava ensinar-me como cantavam os pássaros, a imitá-los a todos. Chegava a casa, saltava para cima dele com ramos de cerejas. A minha mãe é muito mais enérgica, ágil, nervosa, como as mulheres lá de cima.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Há um momento, já em Lisboa, em que pensa voltar para casa, para os seus pais, depois de passar pela prisão de Caxias.&lt;br /&gt;- Olhe que há muitas coisas para trás. Ainda nem passámos pelo Porto.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Então vamos ao Porto.&lt;br /&gt;- O Porto foi uma descoberta, o primeiro contacto com a cidade. Tinha muita malta cujos pais estavam em Hong Kong e que tinham motorista fardado, grandes carrões à porta.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Impressionava-o de que maneira?&lt;br /&gt;- Pela bizarria. Fascínio?, nenhum. Ao mesmo tempo era injusto: metia-me no Cabanelas e via aquela gente toda, pobre, a subir a Serra do Marão. Pobres mas muito alegres, diga-se de passagem. Não sei o que aconteceu ao povo português. Acho que foram os primeiros rádios, sabe? Até para trabalharem nas vinhas levam rádio, em vez de cantarem. Agora já nem usam rádio. No princípio a música era fundamental. Sempre fui sensível às injustiças. O Porto, o Porto ajudou-me a abrir. Era o período da Guerra Colonial, quase não havia homens nem rapazes. Os bailes eram só com raparigas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Como é que entra nessa roda dos bailes?&lt;br /&gt;- Bailes que havia em qualquer associação, e também bailes privados. Arranjavam-se namoradas muito facilmente – estava tudo lá fora. Na minha aldeia, havia o sol de Inverno, os cães, um e outro sentados, não se via mais ninguém. A partir dos 18 anos, iam para a Guerra. Mas devo ao Porto ter-me desmamado em relação a uma série de coisas. Fiz também um esforço para sair de um certo maniqueísmo religioso em que tinha sido formado. Comecei a frequentar igrejas protestantes para ver como é que os outros pensavam.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Era profundamente crente?&lt;br /&gt;- Sim, sim. Já não muito de missas. Isso ajudou a libertar-me do que era o bem e o Mal. É um percurso que tem de se fazer sozinho. Os amigos estavam noutra. Provavelmente não tinham as mesmas inquietações que eu tinha. Reflectia muito sobre mim próprio, escrevia já bastante, e tentava perceber o que se estava a passar. E havia outra coisa: para aquela malta do Porto, não ir às putas era o mesmo que ser maricas. Fazia-lhes uma confusão do caraças. E era uma coisa que também não percebia: como é que com tanta rapariga lindíssima… Tinha essa estranha relação homem-mulher facilitada, apesar de ter passado por um colégio interno, pelo facto de ter tido uma infância de gineceu. A malta nova ia toda para a Rua do Bonjardim, para as Candeias.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Frequentavam bordéis ou putas de rua?&lt;br /&gt;- Casas, o Porto estava cheio disso. Bastava descer a Rua dos Caldeireiros a passear… O meu avô, no tempo do volfrâmio, às vezes até trazia os trabalhadores para os Caldeireiros.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Escrevia para as raparigas?&lt;br /&gt;- Ah sim, escrevia. Aconteciam-me coisas extraordinárias: entrava num comboio e apaixonava-me, entrava numa camioneta e apaixonava-me.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Pela beleza, por aquilo que a pessoa emanava?&lt;br /&gt;- Não sei. Uma vez estava a contar ao José Agostinho Baptista e ele dizia-me «Tens uma imaginação maluca». As coisas estavam num estado de pureza… Eu tinha uma felicidade interior, uma tal transparência, que isso contagiava a outra pessoa.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Essa «imaginação» deixou de o acompanhar no amadurecimento dos anos?&lt;br /&gt;- Com o passar do tempo as pessoas deixam de ter disponibilidade para viver em estado de paixão. A minha mola foi sempre o afecto. Nunca pensei ser rico, ter poder…; outra coisa era o amor, isso sim, movia-me para o cu do mundo. O resto? Brrr…&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Fala de uma relação de afecto que me parece tremendamente panteísta.&lt;br /&gt;- Tinha sempre a casa com flores, mesmo quando estava a estudar e tinha pouquíssimo dinheiro: 18 escudos iam para as sécias, comprava meia-dúzia todas as semanas. Já trabalhava na Assírio, metia-me sozinho, com o saco a tira-colo e um caderninho para escrever, primeiro no barco, depois na camioneta: Costa da Caparica, quilómetros por ali fora, ficava a olhar para o mar. Fazia isto com uma regularidade extrema. A partir de determinada altura, o tempo não chegava para nada, nada!&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Responsabiliza sobretudo o tempo? Estava a pensar que naturalmente há uma inocência que se perde. As pessoas deixam de ser puras.&lt;br /&gt;- Chega a uma altura em que nem damos conta de como tudo se passa. Ficamos absorvidos, e depois queremos mais, cada vez mais, e já não conseguimos parar, a não ser que aconteça qualquer coisa de muito…&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Esteve ainda um ano em Direito.&lt;br /&gt;- Quando vim para Lisboa foi para fazer Direito, mas praticamente não fiz nada. Direito estava ocupado, era o tempo do Martinez.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Porque é que vai para Direito? Ainda por cima já escrevia, já sabia que lhe interessavam as palavras.&lt;br /&gt;- O que queria era ser poeta. Os poetas que lia mais, o Pascoaes, o António Patrício, alguns simbolistas, eram todos licenciados em Direito. Julgava que o Direito… Uma ingenuidade!, como aliás tinha muitas. O mundo era assim, não precisava que fosse mais complexo. Fica-me mal dizer o eu, mas há uma água límpida que ainda mantenho.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;É o seu lado aldeão.&lt;br /&gt;- Não tenho ninguém a quem desejo mal, acredita? Posso não simpatizar, mas não consigo atirar uma pedra a ninguém. Nem aos de Justes! (riso)&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Os seus pais acompanhavam o seu projecto?&lt;br /&gt;- Cresci sozinho, praticamente sobrevivi sozinho. No Porto, tinha muito pouco dinheiro, os meus pais também tinham muito pouco dinheiro. Tive a minha fase freak, como todos. Quer ver como é que eu era?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Quero.&lt;br /&gt;- [Mostra uma fotografia com a mulher, Manuela, em Marrocos]. Isto é nos anos imediatamente anteriores à Revolução. Tínhamos a sensação de que o mundo ia mudar e que estava ali, ao alcance da nossa mão. Estamos a dispersar-nos muito, não?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Vamos recentrar em Lisboa, no primeiro ano de Direito.&lt;br /&gt;- Não, Direito é de ignorar, é só matrícula e mais nada.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Lisboa, depois do Porto, é um novo mundo. Ainda se identificava como um rapaz da aldeia? Pelo facto de ter estudado, a sua vida passou a ser completamente diferente da vida dos rapazes da terra.&lt;br /&gt;- Na aldeia só estive dez anos, nesta altura já tinha outro tanto fora. Mas mantive uma relação muito forte com aquilo. Em Lisboa, numa primeira fase, toda a malta de Trás-os-Montes se encontrava. Desde cirurgiões a tipos do PC, a tipos da PIDE. Desde malta de Montalegre a malta de Vila Real. Juntava-se o pessoal todo ao pé do [café] Gelo.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Discutindo a situação do país?&lt;br /&gt;- Não. Era talvez puro instinto, pura defesa. Dos que não conheciam isto, dos que conheciam bem. E depois rapidamente se passou a uma fase, por que passei também, de repulsa por tudo o que era rural. Aquilo parecia-me uma piroseira do caraças, as músicas e tudo. Estive muito tempo sem lá ir.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Porque se fascinou com uma Lisboa sofisticada?&lt;br /&gt;- Julgo que foi um processo mais cultural, que começa nos livros e no que se aprende. Há coisas que irritam!, que, aliás, ainda hoje me irritam: um atavismo, um não querer saber, uma preguiça natural.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Foi tudo hiperbolizado.&lt;br /&gt;- Parecia-me atávico, justamente. E ridículo: os rapazes chegavam de bicicleta aos bailes, com óculos espelhados comprados na feira! Vinham juntos, mas depois, à frente das raparigas, atravessavam o baile para se cumprimentar. Hoje tudo isso me encanta, mas na altura achava hipócrita.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Tinha algum amigo da escola primária?&lt;br /&gt;- Sim. Que estudassem só uma rapariga e um rapaz; ela é hoje professora, e foi o único caso de chegar ao fim do curso como eu.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Estava a tentar perceber se ter tido acesso a outros universos o demarcou das pessoas que conhecia.&lt;br /&gt;- Não muito. Nunca julguei as pessoas pelo que sabiam. Nunca fiz qualquer discriminação pela pessoa ter o curso ou não ter, ser assim ou assado, ser pobre ou rico. Quer dizer, é uma coisa tão natural que o simples facto de falar nisso mete-me impressão. E nunca tive mitos, nem Marilyn Monroe, nem Jim Morrison; a única coisinha que talvez tenha tido foi pelo Che Guevara. As pessoas fascinam-me sempre muito mais. Na hora da sesta, enquanto os outros iam dormir, passava o tempo a ouvir os velhotes. Horas e horas e horas. E depois continuou, com o agostinho da Silva, que ia ouvir de vez em quando.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Quando é que encontra o Agostinho da Silva?&lt;br /&gt;- Anos 70, pouco depois de vir para cá. Um amigo disse-me «Tens de conhecer o Agostinho». Só não ia mais vezes visitá-lo por causa do cheiro dos gatos (com o cio, o cheiro é insuportável).&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A sua gata, Gueixa, cheira?&lt;br /&gt;- Não, os machos é que é uma coisa terrível. Ele vivia no terceiro andar e sentia-se no fundo das escadas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Então, é um rapaz universitário que vai parar a Caxias. Conte lá a história, antes de aprofundarmos a relação com as letras e com a Assírio.&lt;br /&gt;- No Porto já participava numas coisas pró-social. Com o Bispo do Porto e uma certa igreja mais prá-frentex, com um grupo de jovens. Havia uma espécie de reflexão, um centro na Rua do Rosário, com a Irmã Humberta; cantava umas baladas do Fanhais e do Zeca Afonso.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Estavam ligadas para si essas duas componentes, a religiosa e a política?&lt;br /&gt;- Por acaso nunca tive grande sentido político. Na faculdade deixei-me motivar pela luta anti-Guerra Colonial, mandei umas bocas e pronto. Mais nada. Fui parar a Caxias basicamente porque estava a ouvir o Zeca Afonso no Centro Nacional de Cultura. Deram-me enxertos de porrada inacreditável. Com a minha ingenuidade perguntava: «Por que é que me está a bater?»&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A sensação mais forte é o medo?&lt;br /&gt;- É a de que se está nas mãos da mais completa arbitrariedade; podem-nos dar um tiro, podem fazer o que quiserem. Mas agora, estar a contar isto tudo…&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Custa-lhe?&lt;br /&gt;- Não. Mas foi a primeira machadada na minha vida. Até essa altura tinha sido como um pássaro, à solta. Cortaram-me o cabelo todo, que era enorme, implicaram com as coisinhas que trazia no saco: um caderninho, umas almofadinhas bordadas que as minhas amigas me davam. Meteram-me numa cela sem um papel, sem um livro, nada nada. Um dia parecia uma eternidade. Sabe o que me fez cair na situação? Perceber que já não mandava em mim: «Tens a mania que andas aí como um pássaro?».&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Quanto tempo esteve?&lt;br /&gt;- Para aí uma semana. Lá dentro apercebi-me que havia luta; nos pratos, no alumínio, escreviam coisas como «Coragem, estamos contigo», «Resiste»; na enfermaria havia coisas escritas com sangue; e havia gajos que cantavam, cantigas alentejanas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Quando sai quer voltar à terra. Formulou seriamente o desejo de voltar para a aldeia? Ainda se reconhecia nessa vida?&lt;br /&gt;- Estava farto. Essa coisa da Aura Mediócritas, como dizia o Sá de Miranda, é uma coisa que existe muito dentro de nós. Às vezes vejo colegas meus lá em cima, a tranquilidade com que estão com os seus filhos. A felicidade é aquela coisa projectada nos outros, felizmente estamos já avisados, sabemos que não existe. Mas nos poetas acontece muito, o Pessoa então, «Ai se eu pudesse casar com a filha da minha mulher a dias». Sempre o outro como representação, encenação da felicidade. Essa busca de uma vida calma, contemplativa, às vezes assalta-me. Na altura era insólito, por ser muito novo e ter o mundo à minha disposição.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Aos 22/23 anos vai para a Assírio como vendedor.&lt;br /&gt;- É preciso dizer que a Assírio estava de pantanas. A Assírio foi fundada em 72, depois esteve uns anos sem publicar, mais tarde o Homero, produtor do Página Um, tinha lá um escritório e deu uma mão, mais duas pessoas que lá trabalhavam. Aquilo estava num regime de sobrevivência. Quando fui para lá, os livros editados não chegavam a dez. A Assírio vivia mais da distribuição do que da edição. É nesse contexto que entro, um pouco desinteressadamente.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Já tinha acabado o curso?&lt;br /&gt;- Já me tinha matriculado em Sociologia em Évora!, para ver as voltas da minha vida. Fui para a Assírio para a parte de vendas, mas ali todos faziam tudo. Sabe como é que se sobrevivia? Quantas vezes fazendo bancas, para sacar algum dinheiro. Estava mesmo na penúria, penúria. Fui-me mantendo por lá, acabei o curso de História.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Vivia desse pequeno trabalho?&lt;br /&gt;- Já tinha um outro numa agência que contratava artistas: os Genesis, os Procul Harum.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Conheceu essa malta?&lt;br /&gt;- Alguma, e outra que vinha para o Casino do Estoril, de românticos a stripers. Foi o meu primeiro trabalho, quem mo arranjou foi a Maria Leonor, da rádio.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Na Assírio assume, em 78, a coordenação editorial. Imagino que tenha correspondido a um desejo de estabilidade que grassou por todo o país, passada a agitação política.&lt;br /&gt;- E a tropa. Fui para a tropa depois de completar o curso. Tinha sido já refractário, devia ter ido para os Fuzileiros antes do 25 de Abril. Não fui e andei a monte.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Em 78 assentou arraiais na Assírio. Deixou de ser o rapaz à descoberta do mundo?&lt;br /&gt;- Continuei à descoberta. Ainda fui fazer vindimas a França. Andei sempre muito à solta, parecia que o mundo todo me sorria. Nestas viagens, sozinho, amadurecia muito, fermentava.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Na base da mochila às costas?&lt;br /&gt;- Era assim mesmo, sem saber onde ia ficar. Nunca fiquei na rua.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O que é que queria da vida? Ou tratava-se de a ir descobrindo?&lt;br /&gt;- Descobrindo. Mas sempre à espera, com a sensação de que a seguir é que era. A seguir, a seguir.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Tinha desistido do sonho de ser poeta?&lt;br /&gt;- Fartei-me de escrever. Tenho ali cadernos que nunca mais acabam. Depois começa-se a publicar tanta poesia tão boa… Não sei se é muito importante.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Realmente?&lt;br /&gt;- Ah, a vaidadezinha, não tenho muito essa vaidadezinha. A vaidadezinha que tenho é colectiva, por amigos. Às vezes apetece-me escrever, é uma necessidade interior, um imperativo. Na verdade, posso não escrever poesia, mas vivência poética acho que a tenho. Escrevo coisas incríveis. Só que não as escrevo. É como se as escrevesse, andam assim por dentro. Poemas feitos. Metê-los no papel? Brrr…&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O seu olhar é eminentemente poético, marcado pela vivência rural.&lt;br /&gt;- E a visão desde a infância. Ver tudo, com muita atenção. Podia escrever um livro de memórias, relatando a vivência com uma gente de que pouco se sabe, das histórias que lhes ouvi.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Portugal não tem tradição de livros de memórias. As biografias, noutros países, vendem-se como pão quente.&lt;br /&gt;- Em Portugal as biografias não pegam, não sei dizer porquê. Eu gostava de fazer, sobretudo pela vivência forte que aí tive, humanamente. É quase uma dívida que queria saldar. Podia juntar a minha experiência no Alentejo. E a minha experiência enquanto editor; podia fazer um livro extraordinário sobre os poetas que conheci, não só os poetas que publiquei, mas todos os outros: o Manuel da Fonseca que ia tanta vez à Assírio, o Rui Cinati que ia diariamente à Assírio…&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;As relações que a editora mantém com alguns poetas é mítica. É verdade que vão levar o almoço diariamente a casa do Cesariny?&lt;br /&gt;- É. Mas não é preciso contar isso.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O que me interessa é perceber a relação familiar que se estabelece entre si e alguns destes autores.&lt;br /&gt;- Sim, são a minha família, não há nenhuma dúvida. Mas há outros, que nem sequer são da Assírio, com os quais tenho uma relação igualmente profunda. Caso do Eugénio de Andrade: falamos dia sim, dia não.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Pensou muito neste projecto no último ano, desde que sabe da sua doença? Mesmo que trabalhe a partir de casa e vá à Assírio ocasionalmente, imagino que esteja mais recolhido em si e nas suas memórias.&lt;br /&gt;- É verdade. Mas tanto penso em fazer isso, como logo a seguir penso em não fazer. Sou muito assim. Na minha vida as coisas quando têm de acontecer, acontecem. Não falo de um deixar-se reger, de um determinismo exterior à minha vontade; mas fui ganhando alguma sabedoria, percebendo que as coisas impõem-se.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Prefere que as coisas lhe aconteçam?&lt;br /&gt;- Sim. A minha vida é feita de acasos, de circunstâncias. Nunca forcei muito as coisas, nem as relações amorosas. Suponhamos que as coisas andam num caos e que tendem para uma harmonia. Se não as precipitarmos, elas tendem para uma pacificação. Tudo, tudo o que está no universo é assim. Se calhar é a lógica da vida toda.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Poucas foram, então, as opções de vida tomadas de forma categórica.&lt;br /&gt;- Sim. No trabalho, claro, é diferente.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A propósito dessa vida que lhe acontece, como ficou, a páginas tantas, a relação com o divino?&lt;br /&gt;- É uma relação harmoniosa, sempre foi. Tenho fé, tenho. Há a perplexidade que algumas coisas inevitavelmente nos suscitam; por outro lado, há ainda tanta coisa por conhecer que é uma arrogância julgar que já estamos no fim do processo. Só posso falar da experiência própria. Não posso falar a alguém do encantamento que me dá ver um melro ali à frente no ramo, ou de uma pequena flor que me enche completamente de vida. Então neste momento actual enche a sério. Como não podia, quando era mais novo, ler um poema às pessoas que me respondiam «Lá vem este com o poema, agora com esta merda».&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Harmoniosamente foi fazendo a síntese entre a sabedoria das pessoas e da terra.&lt;br /&gt;- É a mais importante.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;E o saber livresco e o que deriva do contacto com outras pessoas. Foi este o seu labor.&lt;br /&gt;- Aprendi muito vendo, vendo a natureza. Isto é uma escola permanente, é uma escola permanente. O grande problema é que está a morrer a nossa sensibilidade, a nossa disponibilidade. A relação com os outros está terrível. Esta coisa do novo-riquismo, esta ansiedade desenfreada que não leva absolutamente a nada. Um punhetaço, como dizem os espanhóis. Há uma coisa infernal que retira às pessoas a sua tranquilidade, a sua liberdade. E estamos a matar aquilo que, em putos, no tempo da festividade, do amor e tal, tínhamos como capital incrível, e que era o afecto.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Na altura já sabia disso?&lt;br /&gt;- «O nosso grande capital é o amor». Era a nossa grande riqueza, o que queríamos. Depois logo nos safávamos, íamos a França, enfim. Agora precisam de não sei quantos contos para ir para a estância de neve, mais não sei quê que só vai com determinadas condições. Estamos a perder a liberdade. Mais: a perdê-la sem ter consciência disso.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Esse conforto material em que vive agora, esta sua casa tão simpática, a casa da aldeia…&lt;br /&gt;- Mas eu posso viver em qualquer sítio. Se não fosse a Manuela a arranjar a casa, algum dia tinha isto? Não, não me mexe muito. Seria uma estupidez dizer que não gosto de ter um bom carro, em vez de ter um carro a abanar por todos os lados. Agora, que não signifique hipotecar a liberdade da pessoa. Se não puder ter, não há problema, até não há problema absolutamente nenhum.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Estas coisas ficaram mais flagrantes para si porque as pessoas ficam sacudidas quando estão doentes?&lt;br /&gt;- Não, absolutamente nada. Tinha consciência delas, mas andava tão alienado que me apetecia chegar aí, ligar a televisão e ver a bonecada porque me dava o sono. Neste momento sinto-me melhor fisicamente, por incrível que pareça. A minha cabeça parece que estourava, com milhões de preocupações, permanentemente tau-tau-tau. Não tinha paz. E sinto-me tranquilo.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Sente? Não o invade uma angústia quanto ao futuro?&lt;br /&gt;- Se morrer quero ir para a minha terra.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Foi nisso que imediatamente pensou?&lt;br /&gt;- Foi. Logo. E disse-o à Manuela. Às vezes, depois das quimios, vou-me um bocadinho mais abaixo, fico mais mole e psicologicamente fico mais afectado. Agora, como hoje me sinto… Fico aqui sentado a ver os melros, de que gosto muito, os pequenos rebentos das folhas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Porquê os melros?&lt;br /&gt;- É um pássaro muito bonito, canta extraordinariamente bem. Quando tinha seis anos, havia uma japoneira ao pé da casa dos meus avós e cantava lá um melro ao amanhecer; contam que dizia: «Ó Vó, olha o que o melro está a dizer!, o que é que está a dizer?, queres comer, queres comida?». Era eu que estava com fome.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Teve um encontro, com um livro ou poema, que tivesse sido determinante na sua relação com a literatura?&lt;br /&gt;- Quando comecei a sentir a poesia a sério, assim poesia de estremeção, foi nos Simbolistas, Gomes Leal e Camilo Pessanha. Sobretudo Pessanha, a gente dizia: «O que é isto?»&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Que verso ou poema traduziria a essência de si e que escolheria para seu epitáfio?&lt;br /&gt;- Ah, não sei. Tenho muitas dúvidas sobre mim, não pense que não. Muitas convulsões, muitas dúvidas. Sou um toiro. Agora estou partido. Quem é que me domava? Nem eu. Energia. Alegria. Era capaz de levar uma multidão. Era uma coisa genésica e telúrica. Ao mesmo tempo, tenho uma dose de feminilidade forte, que não enjeito. A mulher herdou uma sabedoria de muitos séculos, de velha aranha que sabe esperar, perceber o silêncio. Os homens são tipos de uma ingenuidade total, de uma generosidade inexcedível, só qualidades; e depois há qualquer coisa de bruto, de guerreiro, de incapacidade de crescimento.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Que conversas tem com o seu pai e com a sua mãe?&lt;br /&gt;- Ao meu pai gosto muito de o abraçar, estamos sempre agarrados um ao outro, «Então a poda já está feita?», «Está quase», e tal. Com a minha mãe falo das coisas da casa, das minhas irmãs, deito água na fervura. E é assim.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;As partes mais íntimas de si ficam para quem?&lt;br /&gt;- São coisas que a gente digere em nós, não é? Nunca matei ninguém, não tenho nada que me atormente. (pausa) Precisávamos de ter várias vidas, não é?, para acertar com uma. Esta é muito pequena. Mesmo que a tenha vivido intensamente. Morrendo brevemente, já ganhei muita coisa. Claro que gostava de mais, de fazer isto e aquilo; mas por outro lado, mesmo 100 anos não é nada, 200 também não. Estou habituado a ver a biografia de escritores… Isso passa tudo. É uma lucidez que convém ter afinada. Sempre a tive, não é de agora. Pelo contrário, agora tenho mais ganas de viver. Mas sempre percebi o quão relativo isto era: 90 anos, 100 anos, 200 anos. Não se dá conta; julga-se que quando se for mais velho se vai saber mais e também não se sabe nada.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Que idade tem?&lt;br /&gt;- 48.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Retirado de: &lt;a href="http://ofuncionariocansado.blogspot.com/"&gt;http://ofuncionariocansado.blogspot.com/&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-5981169553219652445?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/5981169553219652445/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=5981169553219652445' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5981169553219652445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5981169553219652445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/manuel-herminio-monteiro-entrevista-ao.html' title='Manuel Hermínio Monteiro: a entrevista ao DNA em 2001'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-1483122203209112165</id><published>2010-08-30T20:29:00.000+01:00</published><updated>2010-08-30T20:30:36.294+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeo'/><title type='text'>Only a pawn in their game - Bob Dylan</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/WoZs8K-uW5c?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/WoZs8K-uW5c?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-1483122203209112165?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/1483122203209112165/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=1483122203209112165' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1483122203209112165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1483122203209112165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/only-pawn-in-their-game-bob-dylan.html' title='Only a pawn in their game - Bob Dylan'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-8230091414903368509</id><published>2010-08-30T20:09:00.002+01:00</published><updated>2010-08-30T20:43:38.120+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Os cães</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas exéquias fúnebres, o moleiro, doente, na realidade muito doente vai chegar à beira do escritor e diz-lhe, por amor do cristo, despache-se homem, eu já não duro muito de modo que você, se lhe acha o sorriso bonito e se lhe interessa ficar aqui, então solte-se destas mortes e despose-a. Descosa-se e abrace-a. Depois disso fechou os olhos e todos o julgavam morto…&lt;br /&gt;Levado para casa, quando viria o médico?, deitado na cama, o velho intervalava períodos de treva total com outros em que se fazia melancólico, dava a ideia que vinha ao lado de cá contar as novas do que estaria para lá da cordiulheira e ele acabara de visitar. Suava abundantemente. Abafavam.no, mandou embora a filha, Susana e mandou chamar o escritor…&lt;br /&gt;Assim o viu, bom dia homem! então como vão os papéis?, ouvi dizer que desde que aqui chegaste não escreveste nem uma linha… olha vou dizer-te uma história que se quiseres, podes assentar. O escritor assim faria. Predispõs-se a ouvir. O velho foi começando com uns olhos muito vivos uns vagares muito fundos, foi na minha jovem idade adulta… julgava que era deus, não vivia aqui, eu não sou de cá, cheguei cá, tal como tu, mas alto lá, foi na minha idade dos vinte e um anos, deveria estar para fazer vinte e um anos… e parava, silenciado, recordava… no moinho passava a água lá ao longe e era a mó, o barulho do roçagar da pedra mó… o velho retomava… a mãe de Susana era uma mulher bela, o sorriso aberto, digno, julgo que terá sido através dela que eu terei visto para lá da magnífica vida… então ela estava grávida não de Susana do meu outro rapaz, o que acabaria por me voltar as costas, o que me chamaria cobarde e assassino, ainda hoje me doem, assim a peito, duas rochas ásperas, afiadas… um homem não pode com tanto… depois disso fui perdendo força, acobardei-me e fechei os olhos, recolhi-me cá detrás da cordilheira, essa sim, tem sido uma fiel aliada, uma parede erguida até ao céu, outro silêncio arrastado, prolongado… o escritor que tenta situar-se, a tarde que vai caindo e encharcando tudo de um calor suado, amolecido… contar-te-ei exactamente o que se passou elogo tu te dicidirás por quem, se por mim, se pelo meu filho, e se o fizeres pelo meu filho, então eu viverei sabendo que o fiz em pecado, que o afastei e que o nunca procurei por orgulho, então eu saberei morrer. Mas se decidires por mim, então nada em mim mudará, pois ele já foi embora há um ror de tempo, e e eu nada pude nem nada posso. Confio em ti, confio-te a minha Susana, como não haveria de confiar em ti… a coisa foi assim, lembro como se fosse hoje, o dia da minha sombra, o meu mergulho num escuro… era um dia lindo e luminoso, havia uma casita que era a nossa e era uma estradita que dava para o café, aí a duzentos metros. E ao correr da estrada duas ou três casitas, pobres como a minha. O velho agora dizia tudo de enfiada, não fosse o destino pregar-lhe mais alguma, eu peguei no rapaz pela mão e disse-lhe, rapaz, vamos ao café saber as notícias e enquanto isso, comes uma sandes de queijo, o rapaz anuiu, tinha doze anos, casmurro, tinhento, uns olhos grandes, foi comigo na conversa e nisto topo dois cães enormes, jingões, à desfilada, um preto, enorme, reluzente, e outro mais pequenito, não sei se cadela, que se metem à estrada aí a uns cinco metros de nós, à saíde de uma curva e vem um carro, trazia um pouco de embalo lá isso trazia, eu e o meu filho ficamos olhando aquilo, o carro acerta-lhe em cheio, um dos cães já não sai mais dali, eu creio que a grelha do carro fica partida, o outro é projectado e vem parar mesmo em frente do meu filho, eu vi a pata dianteira partida, levanta-se incrédulo, o cão estav incrédulo, parecia não acreditar que lhe haviam batido… já lhe botava sangue pela boca, o meu filho fica olhando para o cão, as portas do carro abrem-se e o condutor manda chamar o dono dos cães, o dono da casa em frente deita a cabeça de fora e a mulher aos berros lá por detrás dele, o cão mais pequenito que arfava encostado à berma, e o grande, de pé, ali defronte de mim e do meu filho, arfando, uma pata no ar, virada para fora, e da boca, uma gosma de sangue eu não sei o que me passou pela cabeça, levava comigo uma faca e a minha mão pegou na faca sem que eu lhe pudesse dizer fosse que fosse e espetei fundo a faca no cão, punhaleio no coração, umas duas vezes, o bicho fechou os olhos e morreu ali mesmo onde estava. No mesmo instante o outro cão expirava. Devem ter ido os dois para o céu… o meu miúdo, o meu miúdo, no instante seguinte salta para as minhas costas e desata-me aos murros e aos pontapés, num berreiro que durou quase uma semana… depois emudeceu, nunca mais lhe ouvi uma palavra e dali a dois anos, ele mais a minha mulher metem pela mesma estrada e passam avante do café, nunca mais os vi. Ficou em minha casa Susana, então com dois anos. Tinha nascido uns dias antes de tudo o que te contei…agora diz, matei o cão? Sou um tinhoso por isso. O cão estava morto, o cão olhava para mim e se falasse, ele dizia mata-me. Fui um assassino ou um misericordioso?&lt;br /&gt;Logo depois fecha os olhos e mais uma treva, morto? Não. O coração batia… os olhos abertos, a cara sulcada de rugas, o escritor termina o dia, descanse avô, amanhã falamos… e toda a noite fica ali com ele. Entretanto Susana vem aninhar ali também com ele. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-8230091414903368509?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/8230091414903368509/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=8230091414903368509' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8230091414903368509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8230091414903368509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/os-caes.html' title='Os cães'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-8247267231040235001</id><published>2010-08-27T06:19:00.001+01:00</published><updated>2010-08-27T06:19:59.021+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeo'/><title type='text'>Porque vivemos demasiado o nosso castelo</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9ZmqbcBsTAw?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/9ZmqbcBsTAw?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-8247267231040235001?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/8247267231040235001/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=8247267231040235001' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8247267231040235001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8247267231040235001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/porque-vivemos-demasiado-o-nosso_27.html' title='Porque vivemos demasiado o nosso castelo'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-3216974512919006367</id><published>2010-08-27T06:14:00.000+01:00</published><updated>2010-08-27T06:15:15.695+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>O "chão" em chamas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cinco e trinta da manhã dum dia que entrou torto, desirmanado, vinte e sete de Agosto, fim de férias, fim de estio. Ainda me cumpre fazer mais dois ou três dias de praia, talvez dois, tenho uma máquina fotográfica nova, um pequeno luxo, está pronta, vai comigo de viagem, servirá, também esta, para roubar pedacitos ao sol nascente e ao sol poente, porque, enfim, corro, tal qual Rulfo, atrás de quimeras, jardins de gentes, desertos diminuídos de cobardia…&lt;br /&gt;Dentro em breve, iniciarei funções, cumprirei um ritual diário intransponível, inigualável e, por que não dizê-lo, rasgarei também aí, pedacitos. Pois que até aí vive literatura, até nesse desconcerto, pobre zócalo, que ainda habitas dentro de mim, confuso, comedido, tiranizado. Eu que não queria mas a minha vida, fora destas páginas, escritas em branco, neste papel sem eco, a minha vida, retomo, é tirana. Capital dum dos países mais estropiados da Europa. E por mim igualmente desconhecida. Talvez seja por aí, talvez haja demasiadas estradas secundárias e talvez, talvez os homens se entretenham a vaticinar demais, a escolher pompa, a igualar metas. Enquanto isso, outros homens, quiçá mais enternecedores, escrevem Comprarás o vestido e quando eu sair daqui, preparar-te-ás, casaremos. Não sei que espécie de novelo me leva a escrever sobre a Roménia (Tirana não é a capital da Roménia), não não é só sobre a Roménia que me apetece escrever, é também sobre Marrocos, sobre as pessoas empurradas contra o muro de rede da fronteira. Aí sim, aí se roubariam pedacitos de sol, preciosos pedacitos. E em Sonora? Não se canta lá o hino! Sonora não nega Rulfo, não desmente Bolano, pena que o editor Bubis já tenha morrido… pena que a ficção derrame tanto no sol, na vida, no farol.&lt;br /&gt;Seis horas e dez minutos, afinal não será o dia, serei eu que me componho torto, mal não faz mal, e ao fim e ao cabo, fim de Agosto, paz ao calor bendito e levanta-se já um frio que me banha na bebida, no caminho. Impossível esconder ou esquecer… Santa Bárbara, canta o hino do Chile, dEUS meu, deixa o homem sair pois ele só quer casar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-3216974512919006367?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/3216974512919006367/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=3216974512919006367' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3216974512919006367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3216974512919006367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/o-chao-em-chamas.html' title='O &quot;chão&quot; em chamas'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-6306236323591447164</id><published>2010-08-26T08:07:00.000+01:00</published><updated>2010-08-26T08:08:09.705+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Estrela pela manhã</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Anita, impelida pelo papagaio, entregara-se a um mundo novo. Donde lhe viria esse fascínio de velejar um papagaio? O que procuraria Anita? Um sorriso! Sim o sorriso e a gargalhada. Quando o vento o fustigava Anita aquiescia e empobrecia, só, ao frio, mergulhada no vidro. Mas serenando o vento? E sorrindo o mundo! De certa forma o mundo não sorria. Anita é que, por vezes, encontrava o caminho e quando então, um esgar de riso ou até uma gargalhada… Anita não ria, mesmo quando o fazia, não o fazia, vivia cumulada de saudades, quando ventava, e o céu se tingia de um plúmbeo ameaçador, quando lhe ralhasse, Anita, entrando no veleiro, vogaria, mareava, buscava. Eterna luz presa por entre caracóis, singularmente caminhando, soprava o fogo e aproava a norte, para o topo, vá lá papagaio, tu que és forte, leva-me à minha mãe!&lt;br /&gt;Da ilha, recordo uma janela, e uma moça, olhando os campos e ao fundo o mar, esse papagaio gigante, onde repousam os narvais e onde se mostram as auroras, fantasmas vestidos de luz, desertos secos e frios, o sorriso e o frenesi, enfim, Nemo e o imaginário, a menina que foste, que és ainda, entrelaçada, ainda que lacrimejando, ao bordão da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-6306236323591447164?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/6306236323591447164/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=6306236323591447164' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6306236323591447164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6306236323591447164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/estrela-pela-manha.html' title='Estrela pela manhã'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-1413547006205631496</id><published>2010-08-25T11:09:00.000+01:00</published><updated>2010-08-25T11:10:23.714+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>A Pátria não quer mais filhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era noite, era quase um fim de tarde em chamas vermelhas… Em um centro de vila clamava-se justiça, sossego, sono, Só a tarde se ia embora, a noite, as flácidas luzes, as bandeirinhas, o palco, os ciganos, os artistas, todos esses, cómodos, convencidos, chegavam. Trazidos das carroças, fumando, tagarelando, rindo, bebiam, arruaças, Fechem as janelas, protejam o sorriso… orquídeas deambulavam pelos cabelos pretos delas, violões e acordeões pousados aos joelhos deles, as chinelas sorrindo, os vestidos curtos, as pernas escuras, os olhos lacrimejando, o suor, correndo em bica, do palco. Um fumo, um riso, um esgar, um dedilhar de cordas, uma dança, um rio, um cortejo ruidoso, aniz, fundo, fibra, músculo.&lt;br /&gt;Anita, ali surgida, caminhava, envolvida…&lt;br /&gt;Mais noite, as portadas da vila que se tornavam transparentes, os candeeiros que deixavam sombras por entre os vivos, por entre as melodias, por entre as vozes, essas sombras, que se erguiam e convidavam, os dedos nas cordas, os lábios, as nádegas, a música que afastava as sombras, os latidos, grasnidos, elas, as ciganas, a pele, os olhos, a lástima, o encanto, o escuro da pele, a França que acorda, a fraternidade, a igualdade,&lt;br /&gt;Anita, francesa, mui bela donzela, ali acorrida, gostaria, amaria…&lt;br /&gt;Noite sob as estrelas. Um canto cigano, o folclore, as luzes e as cores, os artesãos, as mãos, pernas e pés, todas as palavras, as carroças moviam em círculo, o bulício que cortava o ar fresco… uma porta que se abre, uma moça que surge, uma camisa de noite… os velhos músicos que rangem, belicosos, atoardas, vénias, cumprimentos, água, A bela francesa que move o pequenino pé, tomada de pânico, cede à virtude da música, cabelo loiro, quase branco, sob as estrelas, a frança, sob a bastilha…&lt;br /&gt;Anita, diplomata, vem para a beira da pequena francesa e ensina a dançar …&lt;br /&gt;que é como se se movesse o sujo do palco e … antes que a noite acabe… a pequenita francesa cresce, pinta as unhas das mãos, entrança o cabelo louro, pinta a tatuagem de um gato, dança e sua, olha as flácidas luzes e beija-o, cobre-se com a bandeira, descobre o seio, franco, púlpito, sagrado, o cabelo loiro ataca as janelas e as portadas, o suor entranha-se e beija-o uma segunda vez, as matronas riem, os velhos músicos redobram,&lt;br /&gt;Anita retira-se, sai de cena dissoluta em nuvem…&lt;br /&gt;A França enruga, mórbida, púrpura, retira-se e expulsa, A moça, já de manhã, ainda envolta na bandeira, fuma, sorri e ante a polícia entoa a marselhesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-1413547006205631496?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/1413547006205631496/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=1413547006205631496' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1413547006205631496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1413547006205631496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/patria-nao-quer-mais-filhos.html' title='A Pátria não quer mais filhos'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-4894185689443764713</id><published>2010-08-25T08:46:00.000+01:00</published><updated>2010-08-25T08:47:14.836+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeo'/><title type='text'>Emir Kusturika and No Smoking Orchestra - Buenos Aires</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/d0ZV6lSA5WE?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/d0ZV6lSA5WE?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-4894185689443764713?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/4894185689443764713/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=4894185689443764713' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4894185689443764713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4894185689443764713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/emir-kusturika-and-no-smoking-orchestra.html' title='Emir Kusturika and No Smoking Orchestra - Buenos Aires'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-2237091231386305278</id><published>2010-08-24T10:06:00.004+01:00</published><updated>2010-08-24T10:25:27.867+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Florencio Antonio, mineiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/THOL54bRg_I/AAAAAAAAAlI/yWMDFUHA5lQ/s1600/Florencio+Antonio+Avalos+Silva.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 466px; DISPLAY: block; HEIGHT: 340px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508900595719832562" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/THOL54bRg_I/AAAAAAAAAlI/yWMDFUHA5lQ/s400/Florencio+Antonio+Avalos+Silva.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;San José, abrigo, Atacama, Chile&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puro, Chile, es tu cielo azulado,&lt;br /&gt;puras brisas te cruzan también,&lt;br /&gt;y tu campo de flores bordado&lt;br /&gt;es la copia feliz del eden&lt;br /&gt;Majestuosa es la blanca montaña&lt;br /&gt;que te dio por baluarte el Señor,&lt;br /&gt;y ese mar que tranquilo te baña&lt;br /&gt;te promete futuro esplendor.&lt;br /&gt;Refrão&lt;br /&gt;Dulce Patria, recibe los votos&lt;br /&gt;con que Chile en tus aras juró.&lt;br /&gt;Que o la tumba serás de los libres,&lt;br /&gt;o el asilo contra la opresión.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-2237091231386305278?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/2237091231386305278/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=2237091231386305278' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2237091231386305278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2237091231386305278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/florencio-antonio-mineiro.html' title='Florencio Antonio, mineiro'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/THOL54bRg_I/AAAAAAAAAlI/yWMDFUHA5lQ/s72-c/Florencio+Antonio+Avalos+Silva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-3439950966646816795</id><published>2010-08-24T09:51:00.002+01:00</published><updated>2010-08-24T09:54:39.656+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Olhar emprestado à cordilheira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tão fácil saber o que te terá acontecido! Oh isso dizes tu e volta-lhe as costas e sai de ao pé dele… pensa mais, dá conta de que foi rude, volta, julgamo-la arrependida… podes perguntar a quem quiseres. Ninguém te dirá. Ainda não há cá quem confie em ti… vives muito ao longe, observas mas de muito alto, e embora penses que cá tenhas passado o inverno… Isso não é quase nada… precisas muito mais . Diz ele, quem é o teu pai? Oh nem isso sabes! Para que foi aquilo lá em cima na cordilheira… quem julgas tu que queres impressionar? E uma vez mais o sorriso estampado na face, ela que não dá conta mas ele, esse sorriso dela lá está. Agora sim ela julga que está na hora e volta costas e sai disparada…&lt;br /&gt;O escritor dizia lá para ele, já não consigo voltar as costas à aldeia. Agora sou parte deste mundo, partilho das dores e quando se meteu a pensar deu com o seguinte Susana é a única moça jovem por estas bandas… ainda não vi ninguém mais jovem que ela. E estas vozes que são presença assídua… serão de cá de dentro ou elas viverão mesmo cá na aldeia…&lt;br /&gt;Todas juntas, as vozes diziam, cá na terra serás bem vindo, cá na terra serás bem vindo. E ele sabia que sim. Assim a conquistasse. Não à terra embora também à terra, bem, com a terra não se preocuparia pois assentara arraiais e isso lhe bastaria. Como era primavera, foi à venda e mandou que lhe vendessem sementes. Daria início a uma plantação.&lt;br /&gt;Bom dia minha senhora! Era um quartilho de sementes de cebolas, tomates, feijões e assim… vou metê-las à terra e esperar que dêem… a mulher, agradavelmente bem disposta, condição assaz arredia daquelas paragens diz, faz muito bem, meu caro senhor, que nunca deveremos deixar estragar a terra e de seguida também ela para que foram aqueles sinais e logo de seguida com uma afectuosidade especial, que nós cá em baixo até pensamos que fosse nosso senhor. O resto da conversa foi sobre a terra e a sementeira. A velha havia ficado genuinamente bem impressionada com o forasteiro de quem, certíssimo, já ouvira falar. E sobre quem, obviamente, já falara.&lt;br /&gt;Chegado a casa deixou a porta aberta e sentou-se à escrivaninha. Pegou no lápis e ficou longamente parado, à espera que algum rumo o sugerisse. Nada. Só a cordilheira o chamava. Ainda pensou em dar uma achega ao moleiro a perguntar pela Susana. Ao invés, seis da tarde, foi o sono quem o venceu. Nem a porta fechou. Dali a uma hora, sonhava, surgia-lhe uma cordilheira em forma de caveira que gritava para os da aldeia… todos daí para fora até ao final do Verão, todos daí embora até finais de verão. E de resto, até nem seria difícil uma vez que a vila, bem contabilizados todos os viventes não dariam mais que dezasseis almas. E nem uma igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-3439950966646816795?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/3439950966646816795/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=3439950966646816795' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3439950966646816795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3439950966646816795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/olhar-emprestado-cordilheira.html' title='Olhar emprestado à cordilheira'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-2345446549618490409</id><published>2010-08-23T08:04:00.002+01:00</published><updated>2010-08-23T08:09:21.058+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Os pés vazios</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Levantara-se cedo e saíra de casa, vogando pelas ruas e caminhos, deixando cair as lágrimas, ansiando pela aurora, lutava, estugava o passo, enrubescia, batia às portas e ouvia ao longe as sirenes, as pálidas noites de outrora, calcorreava os caminhos e não mais se lembraria de como chegaria a casa, todos lhe sussurravam, a ninguém se sentia obrigada, a todos atenderia, O vento, lembrando o Outono, vinha bater às praias, de mansinho, e era como a avó, que lhe oferecia, pela manhã, pão com manteiga, e só então lembrava, quebrada, esse martírio que a trazia, presa, viva.&lt;br /&gt;Chega um cão e roça-lhe a saia, ela afaga-o e de imediato o olha e então o cão sabe que ela lhe pergunta Quando chega a aurora? ao que o cão lhe responde não é coisa que me interesse prefiro que os Homens durmam ela sorri e lembra Edgar, o filho, esse andarilho que lhe virara as costas e vivia na rua da rua para a rua? E então o cão sorri e diz-lhe anda, percorramos juntos estas miseráveis correias… O vento fazia rodopiar as folhas dos carvalhos até junto dos seus pés vazios. Da mesma forma esperava que entre as folhas, uma das folhas, trazida por esse vento, entre as folhas a folha, uma lágrima, o filho. Esperava e calcorreava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-2345446549618490409?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/2345446549618490409/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=2345446549618490409' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2345446549618490409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2345446549618490409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/os-pes-vazios.html' title='Os pés vazios'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-1358042845797315113</id><published>2010-08-21T20:36:00.001+01:00</published><updated>2010-08-21T20:38:32.339+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotografia'/><title type='text'>Alentejo, fim de dia</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/THAq5QBkAZI/AAAAAAAAAk4/rT5gHEEzmoM/s1600/101_0330.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 417px; DISPLAY: block; HEIGHT: 532px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507949507316547986" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/THAq5QBkAZI/AAAAAAAAAk4/rT5gHEEzmoM/s400/101_0330.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-1358042845797315113?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/1358042845797315113/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=1358042845797315113' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1358042845797315113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1358042845797315113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/alentejo-fim-de-dia.html' title='Alentejo, fim de dia'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/THAq5QBkAZI/AAAAAAAAAk4/rT5gHEEzmoM/s72-c/101_0330.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-3876290638738817111</id><published>2010-08-21T08:24:00.002+01:00</published><updated>2010-08-21T08:26:48.636+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Tarde de pesca, com Anita</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sento, mudo, ante esta folha em branco. Espero que ela se escreva e enquanto isso coço o nariz, observo e leio, emudeço e incandesço, sou das pequenas vilas e aldeias, dos solares abandonados e das pequenitas casas dos lagos… levanto e esventro a manhã, encosto-me aos verdes das encostas e aos sacos amendoados que pulam de mão em mão, arrojo e movo de coragem, sou assim, armo de uma cana de pesca e molho-me no rio dos meus passos…&lt;br /&gt;Ainda estou sentado emudecido ante esta folha de papel… bica o primeiro peixe! Eu que o não sinto, deixo-o voar livre… capturo as cores e os vagares, posso fazê-lo, posso dizê-lo, ai que chega o segundo peixe, uma truta enorme, luzidia, topa-me, descreve uma volta na água e navega em volta, crente, inchada, adornada de vida… esta truta não se deixaria nunca apanhar… mudo de pouso, meto-me à sombra de um choupo ou de um ulmeiro, não me podem ver… chega um terceiro peixe, este é um pequeno incauto, fareja, canta, lacrimeja, abocanha, sente na boca um leve ardor a sangue e é picado, mirabolante, por milhões de estrelas, rabeja, tenta fugir mas deve saber que já está condenado…&lt;br /&gt;Mas é na folha de papel que escrevo… é ela que me aprisiona e portanto, o pequeno peixe, que deve viver por aí, pode percorrer a sua estrada livre e duradouro, pois é para isso que se escrevem livros…&lt;br /&gt;Traça em mim uma infância de fogo, uma liberdade infinita que aprendeu com o tempo, com a distância, com as caminhadas: tudo é circo, tudo é vento, a neve caindo aos molhos e os pés de Anita, molhando enfim, o rio de ouro, o sorriso azul da tisnada pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-3876290638738817111?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/3876290638738817111/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=3876290638738817111' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3876290638738817111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/3876290638738817111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/tarde-de-pesca-com-anita.html' title='Tarde de pesca, com Anita'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-6476171084951490122</id><published>2010-08-20T08:54:00.000+01:00</published><updated>2010-08-20T08:55:39.474+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeo'/><title type='text'>Hurt, Johnny Cash</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/o22eIJDtKho?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/o22eIJDtKho?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-6476171084951490122?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/6476171084951490122/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=6476171084951490122' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6476171084951490122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6476171084951490122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/hurt-johnny-cash.html' title='Hurt, Johnny Cash'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-8112476740690044372</id><published>2010-08-20T08:46:00.001+01:00</published><updated>2010-08-20T08:48:34.820+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Os bravos viajarão...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ardera tudo na véspera… dele, sobrara o caderno de anotações, a balaustrada donde ele via e o céu, da noite, limpo e sereno, um reboliço, por detrás da magia. Ardera tudo, sem choro, de véspera. Os olhos azuis virariam a página, correriam dele, um pano de palco que fecha ao som dum desmaio. Senta na balaustrada. Encosta a uma parede caiada e semicerra os olhos. Uma das mãos anota estrelas e vazio, meteoros, pequenas borboletas, terra e algodão, campos imensos… a outra segura todo o corpo, fumando um cigarro e bebericando mescal. E alça as pernas, esquece-as acima do muro baixo… e pensa bem dentro dele… sou uma enorme muralha, anoto dos meus olhos sentinelas, um mar de chamas azuis, violáceas, anoto os mortos, as pedrarias e os uivos… fumo dos combates cegos, inclementes e bebo um mescal em sangue, um copito de sal e um império de dor!&lt;br /&gt;Vai passando um tempo devagar e quando adormeço, por fim, cessam as chamas por sobre as árvores e as celas. A vida adormece também. Vejo então, sonâmbulo, como os meus pés se deslargam de mim e sobem os degraus, os meus pés, enredados de botas, saídos das pernas, os meus pés sós, deitadas fora as pernas, e abandonadas as mãos… enfim reconheço, bamboleio vazio, e só meus pés, tirados de mim, apagam a dor, caminhando sem fim…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-8112476740690044372?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/8112476740690044372/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=8112476740690044372' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8112476740690044372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8112476740690044372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/os-bravos-viajarao.html' title='Os bravos viajarão...'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-6268788005863502464</id><published>2010-08-17T21:01:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T21:03:35.203+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>A J. D. Salinger</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Merda Caulfield, o caso é que, se te deixares assim tanto tempo à espera no centeio, não só não salvarás ninguém, pois é o próprio estado quem se encarrega de não deixar morrer ninguém, menos sal, menos fumo, nada de gorduras, epá, tudo a bem do mano, pois o mano tem que render, que seria do estado se o mano adoecesse de mais, não, tudo em favor da máquina que o despedaçará por dentro, e a outra razão, a outra razão Caulfield, é que ninguém te paga por estares à espera, é um mundo tramado rapaz, é um camandro e tudo e isso e mais ainda, quando descobrires, quando descobrires o que é viver acobardado, pressentindo o pior e cirandando a noite toda, não no teu campo de papoilas, mas sim na tua cozinha dengosa e insalubre, no grilhão com que o banco te comanda todos os meses…&lt;br /&gt;- O tanas, olha para mim, olha para mim e verás o que é viver afastado dessa corja maldita… - Sim, tu és exemplo! Todos os dias vão fazendo de ti exemplo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-6268788005863502464?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/6268788005863502464/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=6268788005863502464' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6268788005863502464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6268788005863502464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/j-d-salinger.html' title='A J. D. Salinger'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-1283523113403126185</id><published>2010-08-17T14:00:00.001+01:00</published><updated>2010-08-17T14:01:46.715+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Coisas que nunca - 1</title><content type='html'>Há coisas que nunca&lt;br /&gt;tivemos em crianças e perdem&lt;br /&gt;o valor para sempre. Aquele sempre&lt;br /&gt;dos primeiros dez anos, onde o tempo,&lt;br /&gt;as pessoas, as coisas&lt;br /&gt;parecem enormes e indestrutíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disfarçar-se de relâmpago&lt;br /&gt;ou de outras coisas impossíveis, comer&lt;br /&gt;todos os chocolates, ter uma bicicleta igual&lt;br /&gt;à do estúpido do vizinho, fazer&lt;br /&gt;as coisas que os adultos escondem &lt;br /&gt;atrás da porta dos quartos, retribuir&lt;br /&gt;a bofetada aos nossos&lt;br /&gt;legítimos superiores, querer&lt;br /&gt;morder com justa causa&lt;br /&gt;tanta gente no mundo e&lt;br /&gt;só poder no escuro&lt;br /&gt;morder uma almofada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inês Lourenço, in “Coisas que nunca” &amp; etc, 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lido em: http://www.ocafedosloucos.blogspot.com/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-1283523113403126185?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/1283523113403126185/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=1283523113403126185' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1283523113403126185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1283523113403126185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/coisas-que-nunca-1.html' title='Coisas que nunca - 1'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-7699120860761372126</id><published>2010-08-17T13:32:00.003+01:00</published><updated>2010-08-17T13:38:51.283+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Todos os anos em setembro, Quando as escolas abrem</title><content type='html'>Todos os anos em setembro, quando as escolas abrem&lt;br /&gt;As mulheres dos subúrbios vão às papelarias&lt;br /&gt;Comprar os livros e os cadernos para os filhos.&lt;br /&gt;Desesperadas pescam os últimos patacos&lt;br /&gt;das saquinhas coçadas, lamentando-se&lt;br /&gt;De o saber ficar tão caro. E ainda elas não sabem&lt;br /&gt;Que mau é o saber que está&lt;br /&gt;Destinado aos seus filhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bertold Brecht, Poemas (Versão Portuguesa de Paulo Quintela)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lido aqui:&lt;br /&gt;http://abnoxio.weblog.com.pt/arquivo/poesia_de_outros_autores/index0&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-7699120860761372126?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/7699120860761372126/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=7699120860761372126' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7699120860761372126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7699120860761372126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/todos-os-anos-em-setembro-quando-as.html' title='Todos os anos em setembro, Quando as escolas abrem'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-7571221197575116395</id><published>2010-08-16T19:49:00.002+01:00</published><updated>2010-08-16T19:52:56.309+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotografia'/><title type='text'>Prenúncio de noite</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TGmIao53wYI/AAAAAAAAAkw/rqIMi5sW4Ck/s1600/14+agosto+2010+005.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 614px; DISPLAY: block; HEIGHT: 427px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5506082010675265922" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TGmIao53wYI/AAAAAAAAAkw/rqIMi5sW4Ck/s400/14+agosto+2010+005.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-7571221197575116395?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/7571221197575116395/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=7571221197575116395' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7571221197575116395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7571221197575116395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/prenuncio-de-noite.html' title='Prenúncio de noite'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TGmIao53wYI/AAAAAAAAAkw/rqIMi5sW4Ck/s72-c/14+agosto+2010+005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-766042911291087817</id><published>2010-08-15T21:30:00.003+01:00</published><updated>2010-08-15T21:35:49.770+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Ontem eras criança</title><content type='html'>Serei o teu melhor amigo, isso te afianço&lt;br /&gt;Serei eu em meio das nuvens em meio de ti&lt;br /&gt;Serei quem te alcançará&lt;br /&gt;Serei quem te adoçará…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seremos de toda a porcelana&lt;br /&gt;Queremos nada com a vida que se vive&lt;br /&gt;Queremos frutos de arte, temos fome dos teus olhos cândidos&lt;br /&gt;Somos pranto em tela rubra, incenso…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serei eu que revisitarei teu castelo&lt;br /&gt;Eu, a espada que te assolará o coração&lt;br /&gt;E que te porá a pensar se és possível&lt;br /&gt;Eu, &lt;br /&gt;A nuvem de saudade de um futuro que não és ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois do amanhecer, depois da melodia, depois da flor&lt;br /&gt;E depois&lt;br /&gt;Depois há outros livros&lt;br /&gt;Há outros sonhos&lt;br /&gt;Há mais desafios e tu não queres parar, tu não queres ser a boneca que se enfeitiça e fica confortável adulando as próprias pestanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso plana ave doida&lt;br /&gt;Imprime teus ideólogos e canta&lt;br /&gt;Sobe ao estrelato e não tenhas receio&lt;br /&gt;Só o partido te pode dar a garrafa de vinho que julgavas indecente&lt;br /&gt;E perde as estribeiras para construíres o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança cresceu e singra sonhando…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-766042911291087817?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/766042911291087817/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=766042911291087817' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/766042911291087817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/766042911291087817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/ontem-eras-crianca.html' title='Ontem eras criança'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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/&gt;Do mescal&lt;br /&gt;Deitar-se-á na areia&lt;br /&gt;Envolverá o seio, com uma mão esquírola, vermelha, algaça&lt;br /&gt;E quedar-se-á&lt;br /&gt;Retirem a luz do mundo…&lt;br /&gt;Quero sentir-me repleta!&lt;br /&gt;E da tela&lt;br /&gt;Pinga um óleo, que como chocolate&lt;br /&gt;Lhe tisna o rosto&lt;br /&gt;Sobra o pé, balançando, infinito, longo e largo, indecente…&lt;br /&gt;Num avanço sobre o espelho… &lt;br /&gt;um lampião de alma, atiçado em brasa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-5996360018758440179?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/5996360018758440179/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=5996360018758440179' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5996360018758440179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/5996360018758440179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/ana-paula-oleo-sobre-tela.html' title='Ana Paula, óleo sobre tela'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/TGVFTcvX8oI/AAAAAAAAAko/47lH7XE7hRQ/s72-c/11+agosto+2010+065.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-8707035489929907773</id><published>2010-08-11T14:20:00.001+01:00</published><updated>2010-08-11T14:20:54.362+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>Porque vivemos demasiado o nosso castelo</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" 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rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8707035489929907773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/8707035489929907773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/porque-vivemos-demasiado-o-nosso.html' title='Porque vivemos demasiado o nosso castelo'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-2803801687426714212</id><published>2010-08-11T13:53:00.001+01:00</published><updated>2010-08-11T13:53:52.100+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Uma tenda de descanso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aqui, na Vila, um forte cheiro a alga povoa o ar… chega até mim misturado com o das sardinhas… Escrevo, ou melhor, anoto breves trechos, esta vila é um entra e sai, ninguém é de ninguém aqui, não há vivalma e no entanto estas ruas falam tantas línguas… ainda alguns não se estabeleceram já outros adeus! Eu sempre achei que houvesse algo sinistro nas estâncias turísticas, agora sei que é esse eterno abandono, essa partida que é quase como a chegada do Outono… talvez seja isso mesmo este cheiro a sargassus, a premente ida e vinda da maré, o adeus…&lt;br /&gt;Ao longo na praia há um molhe de pedras, um prodígio da erosão e lá mesmo ao fundo, quase sobre o horizonte, descubro Anita, que por vezes se espreguiça, outras se adivinha sentada, buscando uma sombra ou a água do mar&lt;br /&gt;Cabelo castanho com trovas de loiro, ancas abundantes, largas, alta e de cintura graciosa, nos olhos o mesmo azul da cor do mar, uma pele clara e pés grandes, unhas pintadas de vermelho. Mãos que enterram na areia. Levanta e desce a areia e vai ao mar. Cessa e fica olhando o sereno lago, a luz tépida, demora-se na berma, ombros largos e seios justos. Pele Clara e face redonda. Só pode ser Adele. De súbito resolve-se e mergulha. Onde navega?&lt;br /&gt;A água do mar é um alívio, um calmante brusco e sensato, eu, com três ou quatro braçadas, encontro a plataforma abissal e então, sobre o fundo, o Mero, meu amigo e eterno descanso…&lt;br /&gt;Vou ao longo da praia e atinjo o molhe, toco Anita e esta de imediato me diz, aninha-te, olha comigo o pôr-do-sol. Amanhã já cá não estarei, já terei partido…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-2803801687426714212?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/2803801687426714212/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=2803801687426714212' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2803801687426714212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2803801687426714212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/uma-tenda-de-descanso.html' title='Uma tenda de descanso'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-812503232190542589</id><published>2010-08-10T15:00:00.000+01:00</published><updated>2010-08-10T15:01:10.565+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeo'/><title type='text'>James Joyce</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/JtOQi7xspRc&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/JtOQi7xspRc&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-812503232190542589?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/812503232190542589/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=812503232190542589' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/812503232190542589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/812503232190542589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/james-joyce.html' title='James Joyce'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-4140317474414940096</id><published>2010-08-10T14:54:00.001+01:00</published><updated>2010-08-11T14:26:52.297+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Biblioteca de praia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;À entrada da praia há um banquito de pedra, onde ela se senta. Todos os dias, por volta das vinte horas. Então o mar é um manto de cinza, ondas planas, insalubres… pede um gelado, fica sentada enquanto o saboreia. Olha-o. Muito quieta, aquele manto cinza chama-a, esconde a face por detrás dos cabelos longos e esguios… a noite vai chegando enquanto ela ali está pousada, saboreando o gelado…&lt;br /&gt;Como te chamas? Sorte! e depois perante a minha cara de espanto, Consegui libertar-me dum livro do Marquez. Qual deles senhorita... e esta ficou sem resposta pois Sorte caminhou para o mar, inundava-a e ao mesmo tempo queimava-a!&lt;br /&gt;sorria e era como quem dizia este mar que é tão grande...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-4140317474414940096?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/4140317474414940096/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=4140317474414940096' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4140317474414940096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4140317474414940096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/biblioteca-de-praia.html' title='Biblioteca de praia'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-341638936448415195</id><published>2010-08-09T13:26:00.000+01:00</published><updated>2010-08-09T13:28:00.104+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>A corda que escrevinha na areia</title><content type='html'>À quebra luz, &lt;br /&gt;por cima dum lajedo, &lt;br /&gt;rodeado por lobos…&lt;br /&gt;havia um homem do lado de cá do mar&lt;br /&gt;e outro no outro canto&lt;br /&gt;um cinto invisível&lt;br /&gt;de loucura, a brancura do cordão umbilical que os mantinha unidos…&lt;br /&gt;O vento soprava louco por entre as estepes&lt;br /&gt;miúdos passavam, sobravam, rolavam&lt;br /&gt;eram pedras que tremelicavam de frio&lt;br /&gt;por dentro deles sangrava um cume que a custo se distanciava…&lt;br /&gt;Sentado na berma do mar, um dos homens chorava&lt;br /&gt;Zombando, no outro canto, o outro homem segurava um polvo&lt;br /&gt;maldito, escarninho que lhe tomava o braço todo…&lt;br /&gt;Enchia o mar uma onda imensa de pânico, livros bafientos&lt;br /&gt;um dos homens lia lendo e ensurdecia enlouquecia declamava!&lt;br /&gt;o polvo sugava-lhe os dedos e em breve lhe roubaria o braço.&lt;br /&gt;Pois bem! Deixá-lo ir!&lt;br /&gt;As águas frias nunca mais veriam a sua amada…&lt;br /&gt;À visão clara límpida sobranceira&lt;br /&gt;Dum charco de luz,&lt;br /&gt;saltava de dentro de um pote, um baú, uma ilha, uma melodia, uma guitarra, A mulher&lt;br /&gt;que mantinha o louco louco e o sorriso sorrindo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-341638936448415195?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/341638936448415195/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=341638936448415195' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/341638936448415195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/341638936448415195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/corda-que-escrevinha-na-areia.html' title='A corda que escrevinha na areia'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-4251850742168622803</id><published>2010-08-06T14:04:00.000+01:00</published><updated>2010-08-06T14:06:06.075+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Se te afastas demais da costa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há todo um vasto alfabeto por detrás das paredes brancas e das matizes de mar… até então, eu desconhecia a foto com sol e calor… julgava que a foto deveria ser melancólica, cinza, nevoenta e se possível com pingos grossos de chuva. Fria e armadilhada. Pouco pintada ou quase nada, cabelo em desalinho, pernas e pés fechados, escondidos, um forte pendor a vazio, ou pelo menos, um estranho caso de desamor. Assim era a minha vista do mar… um longo intestino de baleia, um breu, pouco menos que um escuro poço escondido pelos cedros e mergulhado em fetos… mas não. A foto pode conter cor. A parede branca, e num canto, em perfeita esquadria, um beiral de janela, um cortiço de madeira, uma cruz abandonada, um caminho. Melhor, uma foto de uma porta, tu entras e perguntas! Desculpe minha senhora mas onde estou? Meu caro senhor, então não sabe!, aqui encontra cores por dentro de cores, ao rebordão, tem apenas que fechar os olhos e seguir os espelhos, seguir o homem de lata…&lt;br /&gt;Não adianta, mangam comigo… um calor dos diabos, escorro em pingas para cima da máquina fotográfica! Percorro uma maior ruela, portadas fechadas, as casas querem à viva força sumir-se do calor, eu, espantalho, compreendo que não basta calcorrear as ruas, não basta bater às portas.&lt;br /&gt;Ou às pingas grossas de uma chuvada cinza, ou aos faiscantes laivos de sol, o mar, defronte, só e verdadeiro, por detrás, um ondulado fino, ar quente e seco, ao longe as caravanas, também sós, também ausentes, enquanto que por entre as minhas ruas, apenas almas, sussurros!, vivos, estóicos, os cactos, de bocarras abertas, os únicos que, como eu, vivos. A foto também pode conter dor. Cor com dor. Encontro uma portada aberta, desculpe minha senhora… estes meus olhos são um pastel de enrolar, nada sabe como é, nada sabe ao que é, nada conhecem do que há para lá das máscaras… ao menos um mescalzito…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-4251850742168622803?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/4251850742168622803/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=4251850742168622803' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4251850742168622803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4251850742168622803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/se-te-afastas-demais-da-costa.html' title='Se te afastas demais da costa'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-1484208007979635728</id><published>2010-08-06T13:15:00.002+01:00</published><updated>2010-08-06T13:18:12.166+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='video'/><title type='text'>Charles Bukowski</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/va1t6a0zCkQ&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/va1t6a0zCkQ&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-1484208007979635728?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/1484208007979635728/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=1484208007979635728' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1484208007979635728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/1484208007979635728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/blog-post.html' title='Charles Bukowski'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-4758148815424095401</id><published>2010-08-04T13:52:00.000+01:00</published><updated>2010-08-04T13:54:57.659+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Beiral com sabor a mar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Terça – feira, 03 de Agosto. São oito e meia, olho a praia e ainda descubro lá gente, uma fina língua de areia por entre branco de muros, argila de telhados, daqui donde me encontro ouço-as, às ondas, rebuliças, como quem convida…&lt;br /&gt;São nove horas, fico olhando o mar que deixa passagem livre a um pequeno barquito que navega à vista, como uma candeia, quem será que o guia?, se fosse minha, a vontade do pequeno barco, voltava a popa ao mediterrâneo e aportava a todas as praias, coleccionando conchas, alegorias…&lt;br /&gt;Nove e meia e tal como eu, todas as janelas olham o mar. Todas as fachadas, todas as portas. Lembra uma praça de toiros que espera a arremetida da onda e, que, com medo, atrasa o relógio com receio da partida. Do Verão.&lt;br /&gt;Oito e trinta e pelos telhados, uma esgrima de gaivotas, andaluzes, polvilham todo esse imenso ar de grasnidos, de chocalhos, de brinquedos. Serão elas as donas da noite? Não me decido. Espero. Entra uma brisa fresca, molhada, iodada?&lt;br /&gt;Nove horas, será o mesmo barquito?, vai bolinando e às tantas mergulha, some-se por detrás da falésia, como a noite, não a ouço, apenas a vejo, brame, altos berros, umas pernas esguias, negras, abrasadoras…&lt;br /&gt;Quase dez horas, é ainda verão, não tenho dúvidas, os cheiros, as borrachas, os vidrões, os calções, os pés descalços, os gelados, os barulhos, os rumores, será verão ainda por bastante tempo, a arena ri e aplaude. Rejubila!&lt;br /&gt;Partilho a casa com um par de espanhóis. Madrilenos, creio eu. Ele, alto, magro, cabelo ruivo. Ela, ainda mais alta, loura, magra, os mesmos calções, os mesmos chinelos. E um cão lãzudo que de noite, pinta de som o soalho do quarto onde dorme.&lt;br /&gt;Dez horas, noite cerrada, um mar muito húmido, uma estrela cadente. Durmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-4758148815424095401?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/4758148815424095401/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=4758148815424095401' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4758148815424095401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/4758148815424095401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/beiral-com-sabor-mar.html' title='Beiral com sabor a mar'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-2995945760471239637</id><published>2010-08-02T16:13:00.001+01:00</published><updated>2010-08-02T16:15:40.710+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Mar mestiço, água vélica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tentarei descrevê-la da melhor forma. As cores. O branco das casas contra o azul do mar. Um mar calmo, tépido, um mar mestiço, que não é alteroso nem grande. Uma linha de mar, limpo de sargaços, entre falésias, um sopro de navio. Assopra uma ligeira brisa, fresca, salga, arremete, quebra, vence. Voltemos ao branco. Um branco da manhã, sombras oblíquas contra um branco moço, possante. O branco do meio-dia, olhado já sem sombras, o meio-dia que não deixa que entre os telhados se imiscuam medos. E o branco do final da tarde, que te apanha à surrelfa, laborioso, pondo a mesa e servindo o vinho, um copo barrigudo, tisnado, que acompanha um prato de peixe…&lt;br /&gt;Ei-la!, - a noite. O lugar quebra em sons e em cores… abrem os pubs e tilintam as garrafas as cervejas ao litro e a infamante sangria. Tilintam também as vidas quase por fora dos homens… Mais cores, outras cores, humanas não como os telhados ou as varandas, humanas como os risos e as faces que coram… os olhos azuis, os cabelos loiros, as unhas pintadas, a linha de borda e a maioridade, um passo de dança e um sorriso de sal, lembrando um tempo vago, impondo um céu a um pasmo de estrelas.&lt;br /&gt;Tudo está ainda tão ténue… nem as travessas se movem ainda, nem os pequenitos barcos chegam com peixe… Por ora, apenas o mar me enche o olhar… sete da tarde e ainda há banhistas… é a areia que não desgruda! Estou sentado aqui num banquinho de pedra e vejo quando uma gaivota pisa o telhado da casa da frente… impossível escrever o som que elas grasnam…&lt;br /&gt;Chove tempo na minha folha… navego para dentro e para fora do século, invade-me o deserto e o caleidoscópio de portas… esse grasnar esquisito dessas gaivotas, então todos os tempos que o mundo teve… e também os futuros, envoltos em tecido, preto, da noite alterosa, tantos passados e aqui donde eu olho, um futuro? Preto, preto?, esse futuro? Ou mestiço, da concórdia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira, 2(?) de Agosto &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-2995945760471239637?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/2995945760471239637/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=2995945760471239637' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2995945760471239637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/2995945760471239637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/08/mar-mestico-agua-velica-tentarei.html' title='Mar mestiço, água vélica'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-6348988939344008439</id><published>2010-07-30T14:39:00.000+01:00</published><updated>2010-07-30T14:40:05.846+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeo'/><title type='text'>Contraluz</title><content type='html'>&lt;object width="853" height="505"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/dRTqFjflgto&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/dRTqFjflgto&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="853" height="505"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-6348988939344008439?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/6348988939344008439/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=6348988939344008439' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6348988939344008439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/6348988939344008439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/07/contraluz.html' title='Contraluz'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1098691138330784711.post-7379149000543272954</id><published>2010-07-30T14:31:00.000+01:00</published><updated>2010-07-30T14:35:02.824+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homenagem'/><title type='text'>Dizem por aí que o António Feio morreu...</title><content type='html'>… “Sabes o que gostava de ser? – disse eu. – Sabes o que gostava de ser? Quer dizer, se tivesse a merda de uma escolha?”&lt;br /&gt;- O que era? E pára de dizer palavrões.&lt;br /&gt;- Conheces aquela canção “Se alguém apanha alguém que atravessa o centeio”? O que eu gostava…&lt;br /&gt; - É “Se alguém encontra alguém que atravessa o centeio!” – disse a miúda Phoebe. É uma poesia. Do Robert Burns.&lt;br /&gt;- Bem sei que é uma poesia do Robert Burns.&lt;br /&gt;Mas ela tinha razão. É mesmo  “Se alguém encontra alguém que atravessa o centeio!” Mas naquele momento eu não o sabia.&lt;br /&gt;- Pensei que era “Se alguém apanha alguém” – disse eu. – Mas enfim, ponho-me a imaginar uma data de miuditos a brincar a um jogo qualquer num grande campo de centeio e tal. Milhares de miuditos, e ninguém por perto, ninguém crescido, quero eu dizer, a não ser eu. E eu fico ali na borda de um abismo lixado. E o que eu tenho de fazer é ficar à espera no centeio e apanhar todos os que desatarem a correr para o abismo… Quer dizer, se vão a correr e não vêem para onde vão, eu tenho de saltar de um lado qualquer e de os apanhar. Era só isso que fazia o dia inteiro. Só estar ali à espera, a apanhar os miúdos no centeio e tal. Eu sei que é uma coisa maluca, mas é a única coisa que eu gostava de ser. Bem sei que é uma coisa maluca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. D. Salinger, The Catcher in the Rye, Tradução de José Lima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alturas em que a literatura é realmente assombrosa, acabava de ler o excerto anterior quando, na sic, noticiavam a morte do António Feio. E fiquei a pensar se o António não teria lido este mesmo excerto, vezes sem conta, e não tivesse encarnado o Caulfield…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Monteiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1098691138330784711-7379149000543272954?l=cus-de-judas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/feeds/7379149000543272954/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1098691138330784711&amp;postID=7379149000543272954' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7379149000543272954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1098691138330784711/posts/default/7379149000543272954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cus-de-judas.blogspot.com/2010/07/dizem-por-ai-que-o-antonio-feio-morreu.html' title='Dizem por aí que o António Feio morreu...'/><author><name>Nuno Monteiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06506975900030953983</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_qE92cyReAMk/SsJgyibAIeI/AAAAAAAAAaY/oD1yeaumj1E/S220/Eu+Po%C3%A7o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
